A newsletter Good News de Mike Monteiro é uma das melhores coisas que eu acompanho (também disponível em um feed RSS). Em cada post, Monteiro responde a uma pergunta de um leitor — e com isso, destrincha o comportamento humano.

Essa semana, a dúvida era sobre como se cura um coração partido. Com essa, Monteiro observa:

Espero que meu coração nunca pare de se partir. Porque eu estou rodeado de atos dolorosos. Eu tenho muito medo do que aconteceria se meu coração parasse de reconhecer isso. Tenho muito medo do que aconteceria se meu coração se acostumasse com o que está acontecendo.

[…] Espero que o meu coração nunca pare de se partir. Espero que ele se parta todos os dias. Espero que cada pedaço dele tenha um nome, um evento ou uma memória associada a ele. Espero me lembrar de cada um desses nomes, eventos e memõrias. Espero passar meus dias tentando remendar meu coração. Mesmo sabendo que será impossível. Mesmo sabendo que as peças nunca mais se encaixarão da mesma forma.

Esses tempo, na anãlise, eu falei algo pro meu analista que me corroía há muito tempo, mas eu não tinha o vocabulário pra dizer. Eu disse que eu não sabia o que fazer com tudo o que eu ainda sentia sobre coisas que não existiam mais. Sobre amizades que acabaram, amores passados, carinhos que não tenho mais, terrores que eu lembro. Pra que serviam essas coisas, se não pra me assombrar?

Na mesma hora, a resposta veio. Tanto do meu analista, quanto da minha própria cabeça. Elas nos assombram porque estamos vivos. É o que nos torna vivos, presentes, atentos, e abertos para sentir de novo — porque o coração vai se partir, e a gente vai procurar amor, alegria e segurança de novo, para conseguir curá-lo.