A queda do céu

Luciana relatou como foi seu dia de eleição — da esperança do voto ao cataclisma da apuração. No seu blog, o sol na cabeça:

Mas hoje é dia de votar! Sem tempo pra analisar o simbolismo gritante do que tinha acabado de sonhar. Meu coração está tão repleto de esperança que a mente faz questão de ignorar o mau presságio e parto pra cabine de votação, com um entusiasmo que não sentia há muitos anos. Foram algumas horas de alegria até o chão ser arrancado dos meus pés, novamente, durante a apuração dos votos.

Tem muito mais que isso no seu lindo texto. A queda do céu, o livro que ela menciona no texto, tá na minha fila pra ler há uns meses. Acho que ele vai furar a fila agora.

Quieto

Hoje foi um dia quieto. Eu estive quieto. Fora uma reunião de meia-hora depois do almoço, e de uma breve visita de uma amiga para buscar um pacote aqui na minha casa, eu passei o dia quieto. Não só não falei, mas eu senti o meu corpo quieto.

Eu tive um punhado de semanas agitado nesse último mês. Eu me relacionei brevemente com uma pessoa que me tirou do eixo, mas que me deixou inquieto, incerto. Tudo acontecia muito rápido, e com muita força. Até que veio o silêncio e, depois dele, a paz. Quando eu vi, a pessoa foi embora e levou com ela todo o sentimento que tive por ela junto. Passei esses últimos dois dias quieto, recuperando o movimento do meu corpo, apreciando um pouco não ter que falar ou fazer nada. Existindo só dentro de mim mesmo.

Acho que deu a sorte de terem feito dois dias de muita chuva aqui na cidade, porque em dias assim o Tobias também fica quieto, enroladinho na cama dele esperando a chuva passar. A gente troca olhares e carinho no dia de hoje, e ficamos quietos juntos. Nos recuperando depois de um temporal, esperando o dia raiar amanhã.

Separe as bananas e maçãs das outras frutas

Trazendo pra cá as dicas de @chadoyofficial (via Boing Boing), já que eu não tenho Instagram pra salvar:

  1. Maçãs amadurecem tudo ao redor delas.
    Elas liberam um gás que pede para outras frutas amadurecerem. Em uma tigela com bananas elas amadurecem tudo em dois dias.
  2. Bananas são as piores.
    Elas liberam ainda mais gás. Penduradas sozinhas elas duram bastante, em uma tigela elas levam tudo com elas.
  3. O que é bom se você quer amadurecer algo.
    Um abacate em um saco de papel com uma maçã amadurece em um dia. O mesmo truque funciona com pêras e pêssegos.
  4. Batatas e alhos se estragam.
    Ambos distribuem umidade e gás, e fazem o outro brotar. Deixe-os separados e em cantos diferentes e ambos vão durar por meses.
  5. Morangos, framboesas e mirtílios vão na geladeira sem limpar.
    Água na pele é o que inicia o mofo. Lave enquanto come e eles duram o dobro do tempo.
  6. Cítricos ficam na geladeira, não no balcão.
    No balcão eles ressecam em uma semana. Na gaveta duram um mês, e mantém o suco.
  7. Tomates nunca vão para a geladeira.
    O frio mata a textura e ela não volta. Eles ficam no balcão, longe das maçãs.
  8. Um fruto ruim estraga todo o resto.
    O mofo se espalha em frutos macios muito rápido. Tire o estragado assim que ver, não no dia que ele fizer amigos.

Mundano

Eu não conheço Mandy Brown nem Nevan Scott, mas achei linda a observação de Brown para a natureza da relação que tinha com Scott, que faleceu recentemente. Em seu in memoriam, ela fez essa linda observação sobre o mundano:

It sounds incredibly mundane to talk about it now, a friendship measured in video calls and commit messages, but then the word mundane comes from the Latin mundi, or world. To be mundane is to belong to the world, to be in the world, of it and within it. Not outside of it—not lost, the way so much technology tries to make us lose ourselves—but in the world as only the truly living can be. As we can only be with each other.

[…]

Near the end of The Blue Place, as Julia is dying, she tells Aud to “stay in the world.” Aud promises to do so, but the truth is she does not know how. It is so very hard to stay in the world, to hold on to the mundane and ordinary, those fragile human connections, amidst all the forces arrayed against us. I think it is only in the effort to learn that we come close to that knowledge; and perhaps only in the effort to teach that the learning really takes hold.

Estar presente, se sentir parte do mundo, é algo que eu consigo fazer cada vez mais raramente, mas sempre que eu consigo eu sinto ser um ato quase revolucionário de persistir. Que as lembranças dessa amizade sejam uma benção.

You Can See Everything

Fissurado no primeiro trailer de You Can See Everything, novo documentário do Nathan Fielder sobre Elizabeth Holmes.

Se Fielder realmente estiver escalando em escopo como fez entre as Nathan for You e as duas temporadas de O Ensaio, eu não duvido que esse filme me tire do cinema com o cérebro como um mingau, estilo Close-up.

Registrando já a minha aposta pra esse filme na categoria de Melhor Documentário do Oscar 2027, o qual vai resultar na terceira temporada de O Ensaio.

Web Badges World

Um diretório de badges de sites. Na época dos dinossauros, a gente se comunicava assim sobre aquilo que a gente gostava e recomendava que nossos web amigos usassem pra navegar no nosso site. Eu lembro que o meu primeiro blog, o Esporo, usava PNGs transparentes que só funcionavam no Firefox e no Opera naquela época. Hoje em dia os repositórios de código usam um filhote de badges assim pra reportar testes e dependências, status do projeto, etc.

Via a chuva de links n’o sol na cabeça. Me fez pensar que eu queria um diretório desses com outro tipo de badge: o de “sites parceiros”, que era basicamente um jeito mais visual do bom e velho blogroll. Eu lembro que o Esporo listava os badges do O Sim BR, SporeMania, SporeTips, Sporando, SimNetwork… nomes de sites que deixaram de existir há mais de uma década e ainda vivem soltos na minha cabeça.

(Link adicionado na trilha, pra quem quiser passear).

Edifícios Kawaii fotografados por Ken Ohyama

O fotógrafo Ken Ohyama tem um novo livro chamado Architectural Dollhouses, repleto de edifícios cheios de personalidade:

Fachada de prédio comercial japonês em concreto bruto estilo brutalista, com viga saliente sobre o térreo. No térreo, restaurantes com placa ilustrada de uma baleia e máquinas de venda automática, isolados sobre fundo cinza-azulado. © Ken Ohyama

Fachada de prédio residencial de tijolos amarelos com uma faixa central branca e janelas arredondadas. No térreo, uma barbearia com toldo azul e totem giratório, cercada por fios elétricos, isolada sobre fundo cinza-azulado. © Ken Ohyama

Duas fachadas estreitas geminadas (uma em tons terrosos com telhado inclinado, outra em branco e rosa com topo arredondado) ligadas por um varal de lampiões vermelhos e brancos, isoladas sobre fundo cinza-azulado. © Ken Ohyama

O trabalho de Ohyama, que você pode ver no site dele é muito lindo. Ele tem um jeito de fazer a gente enxegar a cidade.

Via Spoon & Tamago, que tem imagens do livro-catálogo com as fotografias dos edifícios Kawaii, que é cheio de surpresas.

O instrumento que fez o som de “Os Pássaros”

Eu descobri hoje que o som dos pássaros perigosos no clássico Os Pássaros de Alfred Hitchcock são, na verdade, sons sintetizados usando um instrumento chamado trautônio por Oskar Sala. Ouvindo eles sem o contexto do filme, eu percebi que justamente o que tornam os pássaros tão assustadores é, justamente, o som estranho que eles fazem. Meio mecânico e meio fantasmagórico (mas, ainda assim, um som que parece o de um pássaro):

Aqui tem é um documentário sobre o trabalho de Oskar Sala, que ajudou no desenvolvimento do instrumento até a sua morte, em 2002.

Pessoas que pensam antes cortam a grama melhor depois

A edição mais recente do The Pudding é sobre cortar grama, mas na verdade é sobre produtividade, e como o nosso cérebro é, na grande maioria das vezes, tão eficiente quanto um computador para problemas computacionais. É super divertido ler sobre os resultados da pesquisa enquanto você mesmo tenta resolver as grades de grama que precisa cortar com o menor número possível de movimentos.

Uma das coisas mais interessantes nesse texto, pra mim, é a observação de quando o jogador está pensando (e como esse tempo pensando resulta em um melhor resultado no fim do experimento).

Homenagem à árvore querida

A Luciana escreveu no seu blog um obituário pra uma árvore, companheira do seu dia-a-dia.

Me lembrou do belíssimo relato da morte da sumaúma que comoveu a cidade de Belém, e das pessoas que mandam emails para árvores.

Eu acho esse tipo de relato profundamente triste, sempre. Eu vejo as árvores ao redor da minha rotina como verdadeiras instituições, e é sempre estranho perceber que, seja por consequência de um vendaval, ou porque o prefeito odeia sombra, uma delas não está mais lá. Crescer no meio do mato me fez reagir a esse tipo de mudança de um jeito estranho.

Mystery?!

Hoje de noite eu tive um sonho louco.

Meus sonhos costumam ser bem normais. Geralmente são só eventos do meu dia-a-dia, mas nessa última noite as coisas mudaram. Eu sonhei que eu tava vivendo em algum lugar do Canadá, e fui convidado pela Cardboard Computer (os desenvolvedores do meu jogo favorito, Kentucky Route Zero), para testar o novo jogo deles, que se chamava Mystery?!, em Montana. Infelizmente, eu não lembro o subtítulo, eu só lembro que era longo.

O jogo começa com um FMV em que dois atores estão em um prédio antigo. Parece uma antiga repartição pública ou uma fábrica. Tem muito a estética de um filme pornô softcore, orque tanto o ator quanto a atriz estão com roupas de seda e a iluminação é típica de uma produção barata do início dos anos 1990, branca e iluminando tudo.

Eu não lembro direito do que eles falavam, mas eu lembro que essa introdução acaba e o jogo começa. Então, magicamente, eu estava lá naquele prédio (mistério!), e o sonho todo ficou em primeira pessoa (muito The Entertainment!). O jogo era simples:

  • Nós assistíamos um vídeo numa TV velha com vários objetos.
  • Nós recebíamos uma cartilha com várias palavras, e precisávamos circular o nome dos objetos que víamos.
  • A cada rodada, mais um item era introduzido, então a gente tinha que lembrar progressivamente de mais e mais coisas.

Eu lembro que uma das coisas que eu precisava lembrar era o bico de um pássaro, que eu acho que é um dos marcadores para se navegar na Zero em KRZ. Só que as coisas iam complicando conforme o jogo progredia, eu tinha que lembrar mais e mais de coisas específicas, como “urna antiga para se colocar as cinzas da vovó”. Eu joguei algumas partidas do jogo com um cara que eu não conhecia. Eu lembro que eu ia progressivamente me apaixonando por esse jogador. Tinham outras pessoas em outras mesas ao redor.

Depois da partida, nós saímos para a rua, estava anoitecendo. Era um edifício bem antigo e bem grande no meio do nada. Eu lembro que tinha um gramado gigante ao redor, e nós jogadores sentamos juntos próximos de uma árvore e da cerca e ficamos ali. Eu lembro que eu me senti feliz de conhecer outras pessoas e de fazer parte daquele grupo, e de sentir que seríamos amigos depois daquela tarde jogando Mystery?!.

E então eu acordei.

Thimbleweed Park 2

Ótima notícia: Ron Gilbert postou no seu blog ontem que Thimbleweed Park 2 está em desenvolvimento, com lançamento previsto pro início de 2028.

Eu amei o primeiro Thimbleweed Park. Eu acho que é um dos melhores jogos pra se jogar no Nintendo Switch, embora ele seja um jogo de computador de primeira (eu preciso escrever sobre minha ideia de “jogos de computador” um dia). Ele me lembrou de jogos que eu não entendia direito quando eu era pequeno, mas me sentia instigado a jogar mesmo assim. Foi muito legal de revisitar o gênero de aventura de apontar-e-clicar baseada em verbos.

Acho muito interessante como, nesse último ano, as boas notícias que eu leio sobre jogos geralmente vêm de desenvolvedores fora das grandes empresas. Com o passar do tempo, mais e mais do meu tempo jogando acaba indo para jogos definitivamente menores do que da minha juventude. Eu me interesso por projetos pessoais, como A Short Hike, Lil Gator Gate, Time Flies e Blippo+.

Com as péssimas notícias que a indústria tem divulgado todas as semanas, e o relativo silêncio da Nintendo nesse último ano, eu me sinto bastante desinteressado nas super-produções. Meu jogo mais esperado desse ano, por exemplo, é Big Walk.

Acho que com o passar do tempo isso vai acontecer mais e mais. Eu jogo pouquíssimo no meu PlayStation, e vejo ele como uma máquina de potência não utilizada. Eu acho que nunca joguei um jogo que realmente fez ele se forçar. Talvez Grand Theft Auto 6 vá fazer isso no fim do ano, mas eu nem sei se vou ter o tempo necessário pra jogar algo assim. Eu acho que o meu Switch 2 e o meu MacBook são o suficiente pra jogar grande parte de tudo aquilo que eu quero jogar hoje, e no futuro. Mais e mais eu penso que a tecnologia é mais interessante quando faz mais com pouco, e não muito com muito. É o que tornou Breath of the Wild, com seu mundo gigante e lindo rodando no que equivale a um processador de Moto G de segunda geração, como uma espécie de mágica.

Emily Wilson sobre A Odisseia de Christopher Nolan

A tradutora Emily Wilson escreveu sobre a adaptação de Christopher Nolan para A Odisseia, e é uma das melhores críticas de cinema que eu já vi. Wilson avalia tanto a temática e a interpretação que Nolan usa, quanto a erótica do filme — aquilo que o filme a fez sentir.

Wilson no London Review of Books:

Nolan’s Odyssey lacks many of the elements that make the poem great. It has nothing convincing to say about time, memory, history, war, or about the relationship between one warrior’s glorious return and the lives of his family, adversaries, comrades, friends and neighbours. It lacks psychological, emotional, political and ethical depth. Its narrative structure is gimmicky. The writing is abysmal. None of the characters has convincing motivation for their actions or words. There are no sex scenes, and all the food looks horrible.

The most troubling ethical problem with Nolan’s Odyssey concerns the decision to film part of the movie in the occupied territory of Western Sahara, thus normalising the ongoing violence against the indigenous Sahrawi people. It is particularly galling that Nolan used this land simply as a visually striking backdrop for a film that centres, aggrandises and redeems the hero of a territorial war on account of his belated and partial acknowledgment of his own guilt.

A trilha-sonora de Big Walk

Big Walk, o novo jogo da House House (o estúdio por trás do charmosíssimo Untitled Goose Game), talvez seja o projeto mais esperado do ano pra exatas 01 pessoa (eu mesmo). É um jogo de exploração do Grande Lá Fora, em que você e seus amigos vão poder embarcar em várias atividades numa espécie de parque nacional. O jogo deve ser lançado no próximo dia 4 de agosto.

Para comemorar, aksfx (que compôs a trilha sonora do jogo) está lançando a cada dia uma prévia das estações de rádio que os jogadores poderão escolher ouvir durante o jogo.

A primeira, divulgada ontem, foi “Lobby”:

E hoje foi “Breathwork”:

Big Walk vai ser lançado para computadores, PlayStation e Nintendo Switch 2. Os trailers de divulgação do jogo são maravilhosos. Olha só esse que eles usam para explicar o quê, exatamente, você vai fazer quando jogar:

Meu (novo) episódio favorito de Gilmore Girls

Lorelai cobre o rosto enquanto chora e se apoia no ombro de Luke, que a abraça

Por muito tempo eu achava que o episódio da maratona de dança na terceira temporada de Gilmore Girls, “They Shoot Gilmores Don’t They” (3x07), fosse o meu episódio favorito, mas hoje eu revi “The Incredible Shrinking Lorelais” (4x14), e eu acho que minha opinião mudou.

Esse episódio é o que tudo dá errado: Lorelai percebe que ela e a Sookie não tem mais dinheiro para continuar a obra no novo hotel, o Dragonfly, e Sookie não consegue ter o mesmo compromisso que Lorelai com o negócio que elas querem começar porque ela acabou de ter o filho; já Rory tem que se despedir de Lane, sua amiga de infância que estava dormindo com ela em Yale, ao mesmo tempo que fica no meio da briga entre duas colegas de quarto e é convidada a diminuir sua carga de aulas na faculdade por estar com notas baixas. Para fechar com chave de ouro, as duas não conseguem se falar — elas trocam mensagens de voz (os áudios de WhatsApp da década de 2000) porque nunca conseguem atender os telefonemas uma da outra.

A quarta temporada de Gilmore Girls talvez seja a melhor das sete. A essa altura, ela já está no terceiro ano irretocável que Amy Sherman-Palladino construiu. Depois de três anos numa mesma fórmula, com Rory no seu ensino médio sendo apresentada ao mundo dos ricos de seus avós, e Lorelai vivendo no idílio excêntrico da cidade que a abraçou quando ela fugiu da vida que Rory está conhecendo. No quarto ano, Lorelai e Rory não convivem mais com tanta frequência e estão conhecendo quem são fora do lar que construíram juntas. Lorelai, por exemplo, escolhe visitar os pais por conta própria, algo impensável duas temporadas atrás; e Rory e Paris agora são amigas, um dos grandes relacionamentos marinados em fogo baixo que Gilmore Girls cria.

Tudo isso explode no episódio 14, que serve como a culminação de várias pequenas tramas que são pinceladas aqui e ali nos episódios anteriores. Lorelai e Rory finalmente desincronizaram suas rotinas totalmente, a ponto de não saberem sobre o dia-a-dia uma da outra. Rory não consegue ser quem ela esperava ser na faculdade, com mais e mais cenas dela percorrendo os corredores de Yale perdida em horários e em compromissos irrelevantes, como seu estágio na cafeteria; e Lorelai não sabe se vai conseguir realizar seu sonho, algo sugerido pela ausência de cenas dela comendo comida do Al’s Pancake World e pela casa usando luzes mais escuras. E tem mais: a série também consegue avançar o desenvolvimento de personagem de Luke, que no episódio anterior levou uma surra do sobrinho, e Lane tem seu primeiro reencontro com a mãe depois de sair de casa (é um dos arcos mais magníficos da série, que culmina no episódio seguinte); já Emily começa a entrar em conflito com Richard ao perceber que ele está cada vez mais distante e desatento (e dá oportunidade para Kelly Bishop e Edward Herrmann serem maravilhosos).

Gilmore Girls é uma das melhores séries que eu já vi em como desdobra o drama a partir de pequenas comédias do dia-a-dia. Embora faça piada com como Paris reage à Lane saber de seu caso com o professor, ou da dinâmica das colegas de quarto de Rory, tudo isso serve para isolá-la mais na frustração de que seus planos pra faculdade parecem não estar dando certo e sua melhor amiga sendo expulsa do quarto. Com Lorelai, é o cabelo cheio de creme e embaraçado, que vira comentário afiado da Emily, mas que só vai ficando mais e mais estranho conforme as coisas vão dando errada com seu dia, até que ela desaba nos braços de Luke que, também, está passando por uma barra.

Tudo isso vai se desdobrar nos episódios seguintes, mas é aqui que todas essas personagens começam a colapsar. Quando o episódio acaba, Rory e Lorelai finalmente conseguem atender o telefonema uma da outra, mas nesse ponto elas já choraram e estão exaustas e já não querem mais falar sobre os problemas pelos quais elas estão passando. Gilmore Girls é tão delicada na forma como essas duas personagens vão se afastando aos poucos enquanto embarcam vidas distintas, e esse é o primeiro passo de seu afastamento. Não com uma briga, como a série vai fazer com a reaproximação entre Rory e Dean que inicia aqui, mas com o silêncio no telefone no outro lado da linha, certas de que a outra não vai entender o que está acontecendo. É de partir o coração, e é exatamente a sensibilidade que faz Gilmore Girls ser uma das minhas séries favoritas.