Rebekah Valentine (Kotaku), em um lindo ensaio sobre o luto sobre seu pai, e o belíssimo Blue Prince:
Quando joguei Blue Prince, não pensei nele como uma história sobre luto. Falando assim, parece estupidamente óbvio. Eu nem considerei isso até que acidentalmente o usei como uma metáfora para explicar meus sentimentos sobre a morte do meu pai ao meu terapeuta. Eu estava explicando a ela o longo processo que passei no último ano de tentar desvendar o mistério do meu pai: quem ele era, por que ele era do jeito que era e por que morreu da maneira triste e estúpida que morreu. As respostas que eu estava encontrando eram chatas, inúteis, deprimentes ou inexistentes. Eu queria que houvesse mais — eu queria que houvesse uma explicação mais profunda, uma ou duas frases organizadas com as quais eu pudesse explicar meu pai para mim mesma que envolvesse tudo em um arco e me permitisse acabar com toda essa coisa de “luto”. Não existe, e nunca existirá. É claro. Mas e se eu continuar procurando um pouco mais?
A história do meu pai não foi feliz. Eu não percebi o quão infeliz tudo era até depois de sua morte, porque ele literalmente nunca falou sobre si mesmo, sua família, sua história ou seus sentimentos. Ele perdeu seu pai por suicídio quando adolescente, suas duas irmãs muito jovens para complicações de abuso de substâncias, e teve um relacionamento profundamente desagradável com minha mãe. Ele foi bom para mim, na maior parte do tempo. Minhas memórias confusas de infância dele são, eu acho, normais, até agradáveis. Ele me levou a jogos de beisebol, inventou músicas bobas para mim, me ajudou com a lição de casa de matemática, me surpreendeu com doces. Mas algum tempo depois que eu saí de casa, ele começou a mudar.
Como Rebekah, eu percebi que Blue Prince era sobre perder muito tempo depois de insistir em “ganhar”. É um jogo sem respostas, mas não sem propósito, eu acho. É profundamente triste em algumas jogatinas, e libertador em outras. Eu acho que justamente isso o faz um registro incrível do que é o luto. Sempre inacabado, muitas vezes triste. Algumas vezes bonito, até. Dificílimo de descrever como é um labirinto que a gente nunca sai, exatamente, mas sempre percebe algo novo dentro dele. É o que fica, e em alguns momentos até que esse mistério é suficiente.