Gostei mais do que de Oppenheimer, que é basicamente o mesmo filme: um homem alcança a glória, mas destrói todo o mundo no processo.

Meu problema é o mesmo de sempre com o Nolan, e eu acho que finalmente encontrei o cerne desse problema. Ele é o anti-Spielberg: Nolan cria imagens grandiosas, mas é incapaz de montar o espetáculo, a maravilha, a poesia nessa grandiosidade.

Quer ver um contraponto? Nós mal vemos os momentos de contato imediato no Dia D de Spielberg, mas isso não interessa pra ele. O que interessa é a reação da apresentadora de TV. Spielberg filma o impensável, mas dá à humanidade e toda a sua incerteza, seu medo e seu sonho a mesma escala. Ele cria o espetáculo a partir da coisa mais sutil: o rosto de uma pessoa.

Tudo é pragmático nesse A Odisseia. Até mesmo a metáfora, o incerto, é diminuído ao seu pragmatismo. Nem as maiores montanhas, nem o oceano mais raivoso e nem a sabedoria dos deuses escapa da pátina de “objetividade” que Nolan emprega no seu filme. Ele filma no maior formato possível, mas é incapaz de enxergar além.

É o filme com as melhores personagens femininas da sua filmografia, e todas as atrizes tão incríveis e fazem mais do que ele consegue oferecer a elas no texto.

Dito tudo isso, perdi todas as estribeiras quando Argos reconhece Odisseu. Culpo o Homero pelo clichê.