Saí da sessão pensando que Miroirs No. 3 era bonzinho e nada mais. Do caminho da Cinemateca até em casa esse filme foi me assombrando de uma forma que, quando deitei na cama, os fantasmas que Petzold sugere já pareciam ser meus fantasmas também.

Petzold usa sua economia em roteiro com força aqui: a Laura de Paula Beer parece um fantasma muito porque sabemos tão pouco sobre ela, e ela revela muito pouco de si conforme o filme passa. Em contrapartida, a Betty de Barbara Auer parece um fantasma por quem ela parece já ter sido. E tem um terceiro fantasma, esse literal, que assombra todo o filme e que sequer vemos, mas que assombra cada canto da casa em que Miroirs No. 3 se passa.

Eu gosto de como o drama se desenvolve tão silenciosamente aqui, e muito através da sugestão (a ponte, o rio, o acidente), que só cai a ficha no plano final. Personagens não falam o que sentem aqui, mas eles sentem, e Petzold sabe filmar a confusão, o medo, o alívio e o carinho de forma tão delicada que parece que seus atores são feitos de cristal. É uma pequena preciosidade dentro de uma filmografia impecável.

(Eu acho que esse é o primeiro final esperançoso do Petzold?)