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Em defesa dos navegadores em consoles de videogame

Por alguma razão misteriosa na forma como eu tropeço em links na internet, eu me deparei com dois links que tocam no assunto ultra-específico de navegadores em consoles de videogame.

O primeiro, é esse baita trabalho de pesquisa por Declan Chidlow em documentar a interface desses navegadores, passando por curiosidades como o CD-i e o Apple Pippin até o PlayStation 2 e o Wii — e então pros consoles mais recentes.

Eu sempre gostei do fato do Wii e do 3DS terem navegadores. Eu nunca usei muito eles além da parte em que eles facilitam os hacks para homebrew de ambos os consoles. Porém, eu sempre achei curiosa a forma como a Nintendo e a desenvolvedora responsável por esses navegadores faziam um esforço em usar as capacidades específicas de hardware na navegação. No Wii, era o uso do sensor de movimentos pra controlar o ponteiro; no 3DS, o recurso de duas telas espalhava os controles pela tela de toque enquanto a de cima exibia o conteúdo da página.

Eu me deparei com o segundo link quase que por engano. Em um artigo sobre como construir sites principalmente em HTML melhorou as métricas de visitas de um site tem um link para outro artigo sobre a importância da simplicidade no desenvolvimento para a web. É nesse link que está essa pequena anedota de Terence Eden:

Há alguns anos, eu estava fazendo pesquisa de políticas públicas em um escritório de auxílio-moradia em Londres. São lugares singularmente desagradáveis. As paredes estão repletas de cartazes oferecendo serviços úteis para pessoas que fogem da violência doméstica. Os seguranças na porta demonstram uma indiferença cautelosa a quem entra. O ar é carregado de conversas tensas entre casais, abafadas pelo barulho de crianças gritando.

No meio, tem uma jovem sentada em uma cadeira de plástico rígido. Ela está cercada por sacolas contendo seus pertences. Ela não parece estar em um bom momento. Em suas mãos, ela segura um console de videogame – um PlayStation Portable. Ela o encara intensamente, bloqueando o mundo com Candy Crush.

Ou, pelo menos, era o que eu pensava.

Passando por ela, dou uma olhada em seu console e reconheço a tela em que ela está. Ela está conectada ao Wi-Fi do prédio e navegando nas páginas do GOV.UK sobre Auxílio-Moradia. Ela não está cortando frutas; está se munindo de conhecimento.

O navegador web do PSP é — para dizer o mínimo — [patético]. É lento, frequentemente fica sem memória e só consegue abrir 3 abas simultaneamente.

Mas as páginas do GOV.UK são escritas em HTML simples. Elas são projetadas para serem leves e funcionarem até em navegadores ruins. Precisam funcionar. Isso é para todos.

Desenvolvimento para a web pensando nessas situações sempre foi o que me guiou a desenvolver com HTML antes, scripts depois. Eu morei por muito tempo no interior, no meio do campo, sem acesso à infraestrutura de internet de boa qualidade. Existem limites do que essas conexões conseguem oferecer, e é o nosso trabalho como desenvolvedores esquecer que nossos MacBooks conectados à internet de alta velocidade podem fazer, e lembrar de tudo o que um Moto G de 2018 no interior de, sei lá, Minas Gerais, vai conseguir fazer também. Todo o resto de performance a gente pode usar para melhorar uma experiência. Mas ela já tem que ser boa o suficiente pro usuário com o pior hardware possível.

É um pouco do que me faz querer que o nosso gov.br fosse mais pensado para essa parte da população. A infraestrutura do gov.br é pensada para o melhor hardware possível — mas a parcela de quem vai acessar esses serviços usando o iPhone do ano é mínima.

Tudo isso pra dizer que eu lembro de ter feito um sitezinho na aula de programação no segundo ano do ensino médio e ter testado ela usando o navegador do Wii. Foi mágico usar o Wii Remote para apertar em botões que eu mesmo desenvolvi. Até hoje essas pequenas felicidades de programação me impulsionam pra seguir em frente.

Ninguém sabe por que os preços do Nintendo 3DS dispararam

Provavelmente por ser o melhor videogame de todos os tempos? O New Nintendo 3DS/2DS é capaz de rodar todos todos os jogos de consoles da Nintendo até o N64, e todos os jogos de consoles portáteis da Nintendo. Eu não largo o meu de jeito nenhum. E o sistema é tão gostoso de usar. Lembra quando a Nintendo fazia interfaces que nos deixavam felizes?

Agora

Eu comprei um fone de ouvido essa semana que, além de conectar com Bluetooth, também tem a opção de conectar com um bom e velho cabo de áudio de 3,5mm, e isso honestamente mudou minha vida.

Eu usava um fone JBL que só se conecta através do Bluetooth, e isso me dava uma pequena incomodação todo dia, que eu precisava desemparelhar o fone do meu celular para conectá-lo no meu computador de trabalho. Ou quando eu queria usar ele no Switch, que eu precisava desemparelhar ele do computador de trabalho, e por aí vai.

O cabo é tão versátil que eu tinha esquecido como era essa liberdade. Eu tiro ele do laptop e coloco no Switch e, se eu quero sair para correr escutando um podcast, eu posso só desconectar o cabo e ligar o fone e plim, o meu celular já está emparelhado com o fone. Simples assim.