Posts sobre web

Web Badges World

Um diretório de badges de sites. Na época dos dinossauros, a gente se comunicava assim sobre aquilo que a gente gostava e recomendava que nossos web amigos usassem pra navegar no nosso site. Eu lembro que o meu primeiro blog, o Esporo, usava PNGs transparentes que só funcionavam no Firefox e no Opera naquela época. Hoje em dia os repositórios de código usam um filhote de badges assim pra reportar testes e dependências, status do projeto, etc.

Via a chuva de links n’o sol na cabeça. Me fez pensar que eu queria um diretório desses com outro tipo de badge: o de “sites parceiros”, que era basicamente um jeito mais visual do bom e velho blogroll. Eu lembro que o Esporo listava os badges do O Sim BR, SporeMania, SporeTips, Sporando, SimNetwork… nomes de sites que deixaram de existir há mais de uma década e ainda vivem soltos na minha cabeça.

(Link adicionado na trilha, pra quem quiser passear).

Wiki Loves Earth 2026 no Brasil

A Wikimedia está organizando o Wiki Loves Earth 2026 no Brasil, um concurso de fotografia ambiental para ajudar a registrar e documentar as belezas naturais do mundo. No Brasil, mais de 80% das espécies brasileiras na Wikipédia não têm registros fotográficos, e 40% dos artigos sobre essas espécies não têm nenhuma imagem para ilustrá-los.

A Wikipédia organizou uma página por cada estado para você conferir o que está ao seu alcance para fotografar. Profissionais e amadores são bem vindos. As fotografias que participarem desse concurso precisarão ter uso livre. Segundo a Wikimedia:

Quando você envia uma fotografia sob licença livre, esse invisível ganha forma. O arquivo passa a existir na Wikimedia Commons como dado científico verificável, acessível para sempre a educadores, pesquisadores e cidadãos em qualquer lugar do planeta. Uma única imagem bem documentada pode ilustrar uma espécie na Wikipédia, entrar num estudo de biodiversidade, subsidiar uma política pública de conservação.

Em defesa dos navegadores em consoles de videogame

Por alguma razão misteriosa na forma como eu tropeço em links na internet, eu me deparei com dois links que tocam no assunto ultra-específico de navegadores em consoles de videogame.

O primeiro, é esse baita trabalho de pesquisa por Declan Chidlow em documentar a interface desses navegadores, passando por curiosidades como o CD-i e o Apple Pippin até o PlayStation 2 e o Wii — e então pros consoles mais recentes.

Eu sempre gostei do fato do Wii e do 3DS terem navegadores. Eu nunca usei muito eles além da parte em que eles facilitam os hacks para homebrew de ambos os consoles. Porém, eu sempre achei curiosa a forma como a Nintendo e a desenvolvedora responsável por esses navegadores faziam um esforço em usar as capacidades específicas de hardware na navegação. No Wii, era o uso do sensor de movimentos pra controlar o ponteiro; no 3DS, o recurso de duas telas espalhava os controles pela tela de toque enquanto a de cima exibia o conteúdo da página.

Eu me deparei com o segundo link quase que por engano. Em um artigo sobre como construir sites principalmente em HTML melhorou as métricas de visitas de um site tem um link para outro artigo sobre a importância da simplicidade no desenvolvimento para a web. É nesse link que está essa pequena anedota de Terence Eden:

Há alguns anos, eu estava fazendo pesquisa de políticas públicas em um escritório de auxílio-moradia em Londres. São lugares singularmente desagradáveis. As paredes estão repletas de cartazes oferecendo serviços úteis para pessoas que fogem da violência doméstica. Os seguranças na porta demonstram uma indiferença cautelosa a quem entra. O ar é carregado de conversas tensas entre casais, abafadas pelo barulho de crianças gritando.

No meio, tem uma jovem sentada em uma cadeira de plástico rígido. Ela está cercada por sacolas contendo seus pertences. Ela não parece estar em um bom momento. Em suas mãos, ela segura um console de videogame – um PlayStation Portable. Ela o encara intensamente, bloqueando o mundo com Candy Crush.

Ou, pelo menos, era o que eu pensava.

Passando por ela, dou uma olhada em seu console e reconheço a tela em que ela está. Ela está conectada ao Wi-Fi do prédio e navegando nas páginas do GOV.UK sobre Auxílio-Moradia. Ela não está cortando frutas; está se munindo de conhecimento.

O navegador web do PSP é — para dizer o mínimo — [patético]. É lento, frequentemente fica sem memória e só consegue abrir 3 abas simultaneamente.

Mas as páginas do GOV.UK são escritas em HTML simples. Elas são projetadas para serem leves e funcionarem até em navegadores ruins. Precisam funcionar. Isso é para todos.

Desenvolvimento para a web pensando nessas situações sempre foi o que me guiou a desenvolver com HTML antes, scripts depois. Eu morei por muito tempo no interior, no meio do campo, sem acesso à infraestrutura de internet de boa qualidade. Existem limites do que essas conexões conseguem oferecer, e é o nosso trabalho como desenvolvedores esquecer que nossos MacBooks conectados à internet de alta velocidade podem fazer, e lembrar de tudo o que um Moto G de 2018 no interior de, sei lá, Minas Gerais, vai conseguir fazer também. Todo o resto de performance a gente pode usar para melhorar uma experiência. Mas ela já tem que ser boa o suficiente pro usuário com o pior hardware possível.

É um pouco do que me faz querer que o nosso gov.br fosse mais pensado para essa parte da população. A infraestrutura do gov.br é pensada para o melhor hardware possível — mas a parcela de quem vai acessar esses serviços usando o iPhone do ano é mínima.

Tudo isso pra dizer que eu lembro de ter feito um sitezinho na aula de programação no segundo ano do ensino médio e ter testado ela usando o navegador do Wii. Foi mágico usar o Wii Remote para apertar em botões que eu mesmo desenvolvi. Até hoje essas pequenas felicidades de programação me impulsionam pra seguir em frente.

Tenham um fim de semana aconchegante

O tempo tá bem incerto nesse fim de semana por aqui. Não tem um raio de sol no céu, e as vezes parece que vai chover. Até cai uns pingos, mas a chuva não desce de vez. Parece bem um dia de inverno, mesmo que ele não tenha chegado ainda.

Meu fim de semana passado foi muito agitado. Eu me atrapalhei com alguns conflitos no calendário e acabei combinando com vários amigos compromissos que se atropelaram. Mas deu tudo certo, todo mundo foi contemplado, mesmo que tenha sido um pouco corrido. No domingo, quando a última visita foi embora, eu simplesmente desmaiei na cama e acordei atrasado no dia seguinte.

Nesse fim de semana eu vou dar uma descansada. Vou fazer uma janta pra um amigo, mas fora isso eu evitei de marcar qualquer coisa. Minhas pernas ainda estão um pouco cansadas do tanto que eu caminhei durante a semana (foram mais de 50km!), então tá sendo um bom dia pra me perder um pouco em Hyrule (eu estou jogando Tears of the Kingdom de novo) e tentar terminar Metroid Prime 4. Eu finalmente consegui configurar o HDR do Nintendo Switch 2 direito, quase um ano depois.

Espero que o fim de semana seja aconchegante como o meu. Aí vão alguns dos links que colecionei essa semana.

  • Wiki File Explorer: uma forma de navegar na Wikipédia como se ela fosse um diretório no seu Windows XP. Provavelmente vai ser meu link favorito do ano.
  • In Good Hands: um textinho breve sobre quando a gente confia em alguém pra mudar um pouco o nosso modo de ver as coisas. É tão bom quando nos cercamos de pessoas que nos deixam exatamente assim — curiosas.
  • How Writing Lead to Thinking (and Not the Other Way Around): eu tinha essa suspeita e esse artigo basicamente confirma que escrever ajuda a gente a pensar. Eu ando escrevendo muito pouco, e tava dando uma olhada no quanto eu escrevia (e pensava) pro Pão, e sinto falta disso. Acho que vou retomar esse tipo de blog no futuro. Pensando como.

Por hoje é isso, muito obrigado por ler.

Um obituário para o metaverso

Nick Heer é um dos melhores autores que observam a tecnologia. Ele sempre tem opiniões muito bem embasadas que, mesmo quando eu não concordo completamente, me fazem ponderar e reconsiderar minhas certezas. No seu blog Pixel Envy, ele publicou recentemente o que eu acho que é o melhor obituário possível para o metaverso, e as loucuras que empresas como o Facebook, a Epic Games e Roblox fizeram (sem falar projetos como o Decentraland):

It turns out we are okay with having meetings and playing games online, but we actually like seeing live music in-person and travelling to real places. The problems each of these things may have — high costs, environmental impact, and so on — are notable and real, but are not ones with metaverse-based solutions.

The pandemic did not make the metaverse. There was sufficient interest in developing it well before then, and it is possible all of these companies would have announced all these products and services on the same timeline. But in a world without a pandemic, I cannot imagine anyone would have treated these metaverse announcements with anything like the seriousness they did. The pandemic officially ended in the U.S. just six months after the first release of ChatGPT, so it is impossible to disentangle the influence of either. But it is notable to me that the nosedive in mentions of “metaverse” on Meta’s investor calls occurred in Q3 2023 — the quarter immediately following the declared end of the pandemic.

Ele ainda termina com um toque quase esperançoso. Dá pra ver que Heer cresceu vendo a internet florescer. Esse tipo de otimismo é de quem viu protocolos e tecnologias sendo criadas na nossa frente no início da internet:

[…] Whatever that ends up being will probably be the result of people finding something useful and intriguing about doing something different. It will not be the product of big companies redirecting the money hose of platform fees onto themselves.

Recomendo muito o Pixel Envy. É uma ótima leitura toda a manhã.

Três coisas sobre dados

Russel Davies escreveu um texto bem interessante sobre a “soberania dos dados” que parece ser a ruína de muitas empresas (undermanager). Alguns destaques da leitura.

Na introdução ele já elenca o paradoxo que é coletar dados para descobrir o motivo dos negócios não irem bem, e’quando os dados não respondem a pergunta você acaba coletando mais dados, o que te afastam ainda mais de procurar a resposta no lugar certo:

a. Data is a risk. Every bit of data has to be managed/looked after/cared for. That costs time and money. And most of it is useless.

b. Data is distracting. Most of it is just noise. You’re gathering it because you can, just in case, because it seems valuable. Then you spend ages trying to work out what to do with it. When you should be paying attention to just a couple of bits of it and actually doing something about it.

c. It becomes a job. Get enough data and you need data scientists. Then you’re stuck in a self-perpetuating structure that requires more data to feed the data scientists.

E, sobre a distância dos dados reais das pessoas que precisam deles:

The more it gets abstracted away to other teams and other softwares the more dangerous and misleading it gets.

Tem várias vezes na semana que eu me pego pensando que eu sou um incompetente no trabalho porque eu recebo dados do negócio fornecidos por outras pessoas que acham que teria alguma relevância pro meu trabalho, e eu não ver serventia nenhuma naquela informação. É muito frustrante receber informações que te dão ideia de um detalhe muito específico de uma parte da audiência e perder a visão do todo. Eu não desenvolvo pra um setor específico das pessoas que vão visitar um site. Eu desenvolvo pra todas as pessoas que possam visitar um site.

Links pra essa quinta-feira, 30 de abril

Aqui vão alguns links bacanas pra explorar no feriado:

  • Linha do tempo da Artemis II em fotos: criada por Hank Green graças à informação pública na web. O Flickr preserva os dados EXIF das fotos que a NASA publica em suas contas por lá; e a própria NASA tem uma API pública para a posição da Orion em qualquer momento no intervalo de tempo da missão. Tirei um papel de parede daqui.
  • Cursor Camp: o meu tipo de MMO. Um parquinho para você dar um tempo com outros cursores ao redor do mundo. É surpreendente a quantidade de atividades bacanas que tem por lá, eu até fiz um gol numa partida de futebol e caí de um tobogã.
  • Quem são os amigos inesperados em sua vida?: belíssimo texto sobre uma amizade que surgiu através da rotina e do convívio com um vizinho. Muitas das minhas amizades pós-faculdade vieram assim. O poder que um “oi, bom dia” todo dia cria através do tempo é mágico.
  • rip.so: um “obituário para coisas da internet”. MSN, Orkut, Google Reader… todos tem um textinho que celebrou o que essas coisas trouxeram, e o que o fim delas levou da internet. GeoCities, meu tão adorado, é um deles.

The HTML Review, nº 5

Saiu o novo volume da The HTML Review, uma revista sobre a internet feita à mão. Como todos os anos, ela é cheia de pequenos experimentos.

Toda a HTML Review é especial. Eu recomendo começar sempre da primeira página e ir seguindo, como se folheasse uma revista mesmo. Eu ainda tô adentrando essa edição, mas duas seções me cativaram muito:

  • Tell umma I’m walking to Baekdusan, um ensaio de Anne Lee Steele sobre a relação entre a sua “psicogeografia” e o próprio computador.
  • from mine to yours, um “monólogo interno” de Quennie Wu em uma caminhada. Acho que nada, em toda a minha vida, capturou tão bem a sensação que eu tenho de caminhar — um hábito que eu não perco por nada.

Bom sábado!

Encanamento

Tava lendo esse artigo no Unsung sobre a estrutura de URLs do Flickr, e essa continuação com links sobre “design de URLs”.

Eu acho muito bonita a forma com que o Flickr, o Last.FM e o Letterboxd trabalham suas URLs. Eu gosto de digitar os endereços dos sites que eu visito — foi assim que eu aprendi a navegar na internet —, e esses sites permitem que a gente descubra as coisas mais bacanas misturando e explorando suas URLs. O que acontece se eu trocar uma geotag no Flickr, ou misturar os gêneros no Last.FM, ou até mesmo filtrar os filmes que meu amigo assistiu por país? Eu posso fazer toda essa descoberta só observando e trocando caminhos.

Enquanto eu tava redesenhando o meu site eu tava pensando nessa estrutura de URLs, e como eu queria possibilitar esse tipo de descoberta. Com o tempo, eu espero que esse site vire uma verdadeira “floresta” em que eu possa me perder em tags e links por aí. Pra isso, eu preciso reorganizar essas tags, criar um jardim, etc.

Mas uma dessas tarefas foi pensar em uma estrutura de URLs, e tendo lido recentemente o texto no Unsung eu me peguei reestruturando as URLs do site pra começar a possibilitar esse tipo de descoberta.

Por regra geral, os posts agora estão organizados assim:

/categoria/ano/mês/dia/nome-do-post/

As tags são fáceis:

/tags/nome-da-tag/

Uma hora eu quero fazer o /tags/ ser um mapa gráfico das relações entre as tags aqui do site.

Se você acessa uma página de categoria (ex. /notas/), você vê o arquivo daquela categoria. Anos, meses e dias também podem ser misturados para navegar por arquivos. Pra acessar os posts de dezembro, você pode navegar pra irrelefante.com.br/2025/12/, e assim por diante.

Eu gosto como fazer esses esquemas de URL, integrar com outros serviços e ver se tudo funciona de uma ponta à outra é como mexer no encanamento do site. E meu site é como minha casa. Até mexer no encanamento e saber que tá tudo bem é uma alegria.

Você e seus amigos blogando

altered0:

something about how informal blogs sometimes work like diaries but better because you don’t get as overexcited and stressed about starting a whole new thick book you have to fill up nicely. instead it’s just you and your friends and you’re all in this infinite world together and it’s never empty and never full and you can add whatever you’d like to it

“Oi, sou eu, Wikipédia, e eu estou pronta para seu pedido de desculpas”

Wikipédia, provavelmente:

Tell me, how have you guardians of facts been doing recently? (See also: Techno-Feudalist Infocide.)

Maybe twenty years ago, the alternative to my 100,000 crowd-sourced editors was a PhD expert, or Edward R. Murrow [citation needed]. But today, I’m not looking so bad, huh? Absolute best case, the LLM-generated legal advice you get is merely plagiarizing, probably from me. But more likely, it’s a mish-mash of Reddit posts filtered through an algorithm coded by a Belarusian teenager on the run from Interpol. (See also:Illya “CyberGhost” Cieraškovič, Controversies.)

Perfeito. Você pode doar para a Wikipédia.

Mapas da internet

Eu tropecei nessa página do site de Kevin Kelly em que ele pede pras pessoas ajudarem ele a mapear a internet. Mas não mapear toda a internet, mapear como as pessoas organizam ela na mente.

É um projeto que tá rolando desde 2009. Eu não sei se ele acabou, mas no álbum completo existem mapas publicados até 2019. (Como é bom tropeçar num link pro Flickr).

Aqui vão alguns bacanas:

Mapa mental da internet com email no centro, circundado por RSS e Firefox. Ao redor, serviços como Google, Amazon, blogs, fóruns e redes sociais. À esquerda, ferramentas como BeaCon e Watch Dogs. Abaixo, uma base rotulada como Sanbox. Desenhado por um herético de 48 anos que passa 14 horas por dia online. Mapa mental da internet com email no centro, circundado por RSS e Firefox. Ao redor, serviços como Google, Amazon, blogs, fóruns e redes sociais. À esquerda, ferramentas como BeaCon e Watch Dogs. Abaixo, uma base rotulada como ‘Sanbox’. Desenhado por um herético de 48 anos que passa 14 horas por dia online.

Diagrama de rede centrado em My Webmail (home) conectado a diversos serviços: Gmail, Facebook, Twitter, Flickr, Yelp, blogs variados (Design Observer, Orange Beautiful Blog, Glamorous Blog), sites de notícias e recursos profissionais. Inclui áreas temáticas como Fishbowl NY e Revolving Door. Criado por um diretor de arte de 29 anos que passa 6 horas diárias online. Diagrama de rede centrado em ‘My Webmail (home)’ conectado a diversos serviços: Gmail, Facebook, Twitter, Flickr, Yelp, blogs variados (Design Observer, Orange Beautiful Blog, Glamorous Blog), sites de notícias e recursos profissionais. Inclui áreas temáticas como Fishbowl NY e Revolving Door. Criado por um diretor de arte de 29 anos que passa 6 horas diárias online.

Mapa ilustrado da internet como paisagem: montanhas representam IRC e fóruns chineses; Pirate Bay como baía; My Home como casa central; Twitter e Facebook como rio; grandes logos de BLOGS, Amazon, e Google como formações de relevo; The Cloud com serviços Gmail, Calendar e Docs. Desenhado por um editor/autor de 37 anos com 5 horas diárias online. Mapa ilustrado da internet como paisagem: montanhas representam IRC e fóruns chineses; Pirate Bay como baía; ‘My Home’ como casa central; Twitter e Facebook como rio; grandes logos de BLOGS, Amazon, e Google como formações de relevo; ‘The Cloud’ com serviços Gmail, Calendar e Docs. Desenhado por um editor/autor de 37 anos com 5 horas diárias online.

Diagrama simétrico com I AM RIGHT HERE no centro, conectado a cinco áreas principais: Wretch.com (fotos, blogs, vídeo), Wikipedia, Facebook (fotos, vídeos, amigos), Yahoo (shopping, webmail), e Google (web, imagens, mapas). Também inclui YouTube e Vedia. Criado por um estudante de 14 anos que passa 1-2 horas por dia online. Diagrama simétrico com ‘I AM RIGHT HERE’ no centro, conectado a cinco áreas principais: Wretch.com (fotos, blogs, vídeo), Wikipedia, Facebook (fotos, vídeos, amigos), Yahoo (shopping, webmail), e Google (web, imagens, mapas). Também inclui YouTube e Vedia. Criado por um estudante de 14 anos que passa 1–2 horas por dia online.

Representação concêntrica da internet: HOME no centro absoluto, circundado por múltiplas camadas expansivas de pequenos retângulos interconectados formando uma esfera, simbolizando a vastidão e interconexão da rede. Desenhado por um estudante/artista de 23 anos que passa 5 horas diárias online. Representação concêntrica da internet: ‘HOME’ no centro absoluto, circundado por múltiplas camadas expansivas de pequenos retângulos interconectados formando uma esfera, simbolizando a vastidão e interconexão da rede. Desenhado por um estudante/artista de 23 anos que passa 5 horas diárias online.

Diagrama técnico de infraestrutura: nuvem Internet no topo conectada a servidores (Google.co.uk, Fujitsu.co.jp, Cegeplimolieu.ca, entre outros) e à rede doméstica com Videotron TGV120, D-Link DL-604L, e computador FX-8350. Criado por um Desktop Resolver lvl2 de 39 anos que passa 12 horas diárias online. Diagrama técnico de infraestrutura: nuvem ‘Internet’ no topo conectada a servidores (Google.co.uk, Fujitsu.co.jp, Cegeplimolieu.ca, entre outros) e à rede doméstica com Videotron TGV120, D-Link DL–604L, e computador FX–8350. Criado por um Desktop Resolver lvl2 de 39 anos que passa 12 horas diárias online.

Kelly postou uma taxonomia desses mapas depois, e oferece um PDF com o modelopara que pessoas desenhem um mapa e mandem para ele de novo. Eu não sei se ele ainda aceita novos mapas, mas Tiffany N do Cyber Celibate está criando um novo projeto semelhante, e aceita novos mapas até dia 20 de outubro. Você pode enviar seu mapa para tiffany@breakfastatmyhouse.com, o único requisito é que você indique onde está a home da sua internet no mapa.

Se você quiser me mandar um mapa da sua internet, eu aceito também.

fifty thousand names

Todo ano acontece o Tiny Awards, que celebra um site da internet pequena, feita à mão. Essa é a terceira edição do prêmio, e foi pro fiftythousandnames.org, que lista em um gráfico as 50 mil pessoas que morreram no genocídio em Gaza com seus nomes, idades e, em alguns casos, as circunstâncias de suas mortes. O número de pessoas no site parece baixo porque ele condiz com o número de vítimas de outubro de 2023 à março de 2025. Se feito hoje, teria muitos nomes mais.

Leo Scarin, aceitando o prêmio desse ano:

Data visualization, even with the most poetic intentions, won’t fix the ongoing genocide in Gaza. But it can draw a starting point that moves people to action, boycott, and daily exercises of building a culture of human dignity.
[…]
Making the small web is like learning to cook homegrown produce, whereas big tech is a multinational food delivery company.
In this regard, tiny is political. Tiny is revolutionary. It’s what web culture needs and what internet platforms should give space to.

defaults.css

Harry Roberts, o “CSS Wizardry”, criou um novo reset para a “web moderna” que eu tô interessado em testar por aqui. Eu uso o reset.css do Eric Meyer desde que eu comecei a desenvolver. Nunca usei o Normalize.css porque achava um exagero, mas o defaults.css do Roberts parece sucinto e é bem escrito. Achei bem bacana.

A internet é um grande jogo

Spencer Chang, em sua newsletter:

I like newsletters that feel more like dispatches than editorialized posts. Inspired by Laurel and Robin, I’d like to share a little bit about where I am and where I’ve been lately.
[…]
The world manages to find a way to strike you with the most indescribable beauty when you need it most.

[…]
Websites are the future of video games.

They are the “end game” of video games. They are spaces where the end players (the website visitors) have the agency to freely interact with others, and not towards any predetermined object, but purely for themselves, discovering who they are in each new environment and finding new ways of relating to one another.

Somewhere in the push to make the internet the infrastructure of a global capitalist economy, we lost this perspective on what the internet is. If I asked people to define what websites are to them, they might talk about the capabilities they provide: “the world’s information at your fingertips,” “AI that does whatever you ask of it,” “a platform for selling products.” Or as design artifacts: they provide the basis of interactive, creative pieces of art, media, and writing.

But if we distill a website down to its base components, it is a space that allows people to talk to each other. In the era when the internet was new and before we had predetermined what it was “for,” everyday internet pioneers found ways to talk to one another by making websites for each other.

WWW

Jason Kottke, citando um diálogo nos momentos finais de Halt & Catch Fire:

Joe: How did we all get here today? The choices we made? The sheer force of our wills, something like that? Here’s another answer: the winds of fate, random coincidence, some unseen hand pushing us along. Destiny. How did we all get here today? We walked through this door. We don’t have to build a big white box or stadium or invent rock n’ roll. The moment we decide what the Web is, we’ve lost. The moment we try to tell people what to do with it, we’ve lost. All we have to do is build a door and let them inside.

When I was five, my mother took me to the city. And we went through the Holland Tunnel and it was basic, concrete and steel, but it was also my excitement sitting in the backseat, wondering when it was going to be our turn to emerge, it was the explosion of sunlight. And when we exited the tunnel, all of Manhattan was laid out before us. And that was the best part of the trip: the amazing possibility to be able to go anywhere within something that is magnificent and never-ending.

This is the first Web browser, the one CERN built to view and edit research. I wrote it up here for you to see how simple it is. It takes up one whiteboard — that’s basic concrete and steel — but we can take this and we can build a door and we can be the first ones to do it because right now, everyone else sees this…

Donna: …as an online research catalog…

Gordon: …running on NeXT…

Cameron: …on a network in Europe.

Joe: And with this handful of code, we can build the Holland Tunnel.

Essa é uma das melhores traduções da linda possibilidade do que é um navegador, e o que é, em si, navegar na internet.

Kottke:

But the open Web enthusiasts and advocates missed an opportunity to take what the Web was in the 90s and make that available to everyone. Instead of walled gardens like Facebook, Pinterest, and Medium (which echo the closed online services like AOL, Prodigy, and Compuserve that predated the Web), imagine a bunch of smaller services bound together with open protocols where individuals have both freedom and convenience. […] I hope I’m wrong, but with all of the entrenched incumbents and money pumping into online services, I’m afraid that time has truly passed. And it’s breaking my heart.

A web quieta

Brian Koberlein, em seu blog:

The quiet filter isn’t perfect. There are plenty of quiet sites that use Google Analytics just because it’s an easy way to see if anyone is reading. And some sites pass the test while still having a bombastic style. But the filter does reveal hidden treasures. Sites that are thoughtfully and personally written. There’s often intentionality to them that is refreshing to read. I find my own ideas are challenged more on these sites, and that’s a good thing.

The biggest downside of the quiet web is that it can be difficult to find. You can’t simply Google topics of interest. Instead, you have to dig a bit. Go down rabbit holes until you come across an interesting quiet page. It takes time and effort. It’s easier just to doomscroll on Twitter. But the effort is worthwhile. As you gather more of the quiet web into your readership, you will notice the negative effects of the traditional loud web more. And once you get used to the quiet web, you may never want to go back.

Sobre sites pessoais e a web social

Manuel Moreale, em seu blog:

I still believe the first approach is doomed to fail. Because the issue with social media is not the tech, but the people. If you let enough people congregate in the same space some issues will inevitably arise. Grifters are gonna grift, scammers will try to scam, hustlers will hustle, influencers are gonna try to influence, and business people will try to monetise everything. It’s no surprise that Meta is slowly entering that space with Threads. And I don’t see Meta starting a blog platform next, letting everyone share and connect via RSS. So that alone tells me which approach is more appealing to the exact same entities we’re trying to get away from.

Having said that I’m hopeful. I do think people are slowly starting to realise that you can get immense human value from the web outside of traditional social media. You have to work for it but it’s absolutely worth it.

Porque escolher a web como uma plataforma de jogos

Brandon Dillon, 2weeks:

It’s an exciting time to be working in the space. After a long quiet period following the death of Flash, there are fewer and fewer technical barriers to making great games on the web.

The web can be a really vibrant space for games (as it once was). To make it vibrant, people need better tools. We should have a game development toolkit tailored to the web, and Tweaks can be that toolkit.

Nós precisamos retomar o estado selvagem da internet

O melhor ensaio que eu leio em muito tempo, Maria Farrell e Robin Berjon analisam a web como um ambiente, e como eles realmente pode ser “salva”: como uma floresta, não é salvando uma ou outra árvore, ou espécie — mas tentando manter todo o ecossistema vivo e sustentável. Cuidando dos protocolos, dos serviços, dos sites e das pessoas.

udm=14

Lembrete: se você quiser fazer pesquisas no Google e não ser bombardeado com os resumos gerados por IA, clipes da web nem outros recursos inúteis, você pode adicionar o parâmetro &udm=14 no fim da URL.

(É possível adicionar o parâmetro também no mecanismo de busca do navegador pra que pesquisas sejam feitas assim automaticamente).

Como eu blogo por aqui

O Ghedin trouxe pra esse lado da internet uma corrente gringa de como é o fluxo para blogar.

Eu posto no Tumblr, o que é mais fácil. Alguns posts mais breves surgem do celular ou do navegador mesmo (como uma foto ou uma efêmera). Esse é um deles.

No geral, os textos mais longos são criados de outra forma. Eu demoro pra escrever, então eles nascem e são publicados usando o MarsEdit, onde eu costumo editar meus posts e gerenciar suas tags. O suporte a Markdown na nova versão do MarsEdit melhorou muito, e acho um fluxo de escrita muito melhor que o editor de blocos padrão do Tumblr.

Eu desenvolvi o tema do meu blog pensando nisso. O MarsEdit usa a forma “antiga” de tipos de post do Tumblr, e eles possuem variáveis de template específicas. Já o NPF, o novo formato de posts que é gerado pelo editor de blocos nativo do Tumblr, usa somente o formato de texto com uma estrutura específica, com classes CSS para formatação. Eu basicamente “copiei” a estrutura gerada pelos blocos de link, vídeo, áudio e citação do NPF para o formato clássico. Assim eu posso ter um CSS único para os dois formatos de publicação.

Eu já mantive esse blog com WordPress e com o Jekyll no GitHub Pages, mas a versatilidade de usar o Tumblr no celular para postar uma efemeridade e a simplicidade do seu motor de temas comparado ao Gutenberg nos dias de hoje me trouxe a falta de preocupação que faltava. Domínios personalizados de graça foi um extra (hoje em dia esse é um recurso pago por aqui, mas como fiz o mapeamento há muito tempo, eles mantiveram como algo gratuito).

Transformando a internet em um lugar

Tenho feito um experimento de “isolar” meu contato direto com a web para a minha escrivaninha, e os resultados têm sido bons. É impossível isolar a internet da minha vida hoje em dia, mas estou me referindo como “contato direto” à minha navegação na web, tanto para trabalho quanto para lazer. Com isso, meu relacionamento com ela tem sido cada vez melhor.

Essa experiência vem de uma espécie de nostalgia por um tempo em que eu só podia acessar a internet depois da meia-noite nos dias de semana ou aos finais de semana, quando o pulso era mais barato. Era como atravessar por um portal para a internet. Era um lugar — na “salinha do computador” na casa dos meus pais, explorando a Wikipédia ou o blog de alguém sobre um tópico específico. Foi assim que descobri meu amor pela história do cinema e meu primeiro contato com os jogos e a própria arquitetura da web. Coisas que moldaram profundamente minha vida profissional e pessoal.

Eu ainda tenho uma TV que funciona majoritariamente pela internet, por exemplo, e meu relógio também é “inteligente”. Ele me avisa que está chovendo muito e eu não deveria sair de casa esta semana (o que é verdade, está chovendo muito lá fora!), mas meu telefone geralmente está perto da minha escrivaninha hoje em dia — ou no meu bolso quando estou cozinhando e esperando uma ligação. Eu acabo respondendo às minhas mensagens e ao meu e-mail apenas quando chego perto do computador, e tem sido ótimo. “Hora de conversar com meus amigos” ou “hora de ler sobre o design de circuitos do GameCube”. Chega de lutar contra o tédio enquanto estou sentado no sofá, tentando prestar atenção em um programa de TV ou na cama, antes de dormir. Meu tempo de leitura tem aumentado muito ultimamente, e também minha pesquisa na web. Quando chego na internet, geralmente é para fazer algo específico — escrever no meu blog, pesquisar sobre um tema, me aventurar no meu Pocket…

Eu acho que isso tem sido tão, tão bom. A internet se tornou um lugar na minha casa, e não uma coisa que eu guardo no meu bolso. Tornou-se um portal novamente, para a curiosidade e para a descoberta. Também tem sido libertador. Depois de um dia inteiro de trabalho, deixo ela para trás para fazer outra coisa, e não está mais me incomodando no meu telefone — agora que é uma ferramenta “entediante”, com as notificações desativadas.

Agora

Eu ando tendo umas noites sem conseguir dormir nessa última semana, e pela primeira vez nesse quase um ano sem Twitter, eu senti falta daquele lugar.

Não do Twitter em si, mas de ter um lugar em que meus outros amigos que provavelmente estão passando por uma insônia também estejam, para que possamos conversar até um a um cair no sono. Eu até tenho uma conta no Bluesky, mas meus amigos não estão lá — então não tenho ninguém pra comentar o BBB ou o novo episódio de True Detective, por exemplo.

Em noites assim eu sinto falta da companhia das crianças do brilho.

História de um site

Shea Fitzpatrick fez um histórico de seu site pessoal, uma galeria que mostra a evolução e transformação de seus gostos e interesses sobre o que fazer com o seu cantinho da internet.

Eu sempre quis fazer algo assim para o meu site pessoal (esse aqui!), mas eu não guardo capturas de tela das várias versões que eu criei pra ele ao longo dos anos. Talvez seja a hora de começar a fazer isso.

(Adorei que compartilhamos o mesmo costume de desenvolver nossos sites no período de uma noite, eu só consigo desenvolver algo pro meu site pessoal ou pro Pão com Mortadela assim).

Sobre “blogar”

Algumas leituras dessa madrugada foram sobre o ato de escrever em um blog.

Whiona, wiwi blog:

I want to write more frequently about anything and everything, because it’s good for you, and I have so many thoughts constantly assailing this brain of mine

Tim Larew, Complex:

Sometimes it feels like we’ve traded drawn-out storytelling for fleeting moments where the audience bounces from one to the next
[…] The blog era represented freedom and opportunity.

There was no central hub, like a Spotify today, where all the playlists and means of discovering music are organized neatly within the platform. You had to search, to dig! Even when you grabbed a song directly from an artist’s social media, you almost always wanted to know more because context was the norm. So you’d go to your favorite blog, which is what everyone did the night “Acid Rain” surfaced out of nowhere, and you’d get the full story.

I, however, miss going to Blockbuster because it forced me to actively discover, to take in more elements of the art beyond just the film file. Did the cover catch my eye? How about the description on the back? Did it rope me in? Was the film I wanted not in stock, forcing me to search for something new?

A internet como uma vizinhança

Algumas citações de leituras que fiz relacionado a amizade, sentido, e a internet como uma vizinhança:

Devin Kelly, Longreads:

What happens if what you once used to make sense of things no longer helps you make sense of things? What happens if the patterns and habits and metaphors we lean on do not serve us in the moments we need them? What happens if the stories we tell ourselves about our lives leave us lonely, wrestling with meaning? What then?

Craig Mod:

Well, I’ve been thinking about it my whole life. It’s difficult to remember a time where I didn’t feel alone or apart or “on my own.”

Aloneness sucks. It’s insidious and becomes habitual. It’s rapacious. It saps the spirit. It twists a peaceful dude all truculent and paranoid. It renders decision making oddly cumbersome. It’s more difficult to feel elevated as a human when swaddled in aloneness. Self-worth plummets as aloneness rises.

Aloneness is not just individual, of course. Entire communities can and do feel abandoned, alone, cut off from the world.

I was shocked by how easy it was for me to do this, to “do therapy.” Like I had been waiting my entire life for a patient, true listener. And here he was, a floating head on a screen.

I’ve found that the honesty I embody (“perform”) during those therapy sessions has spilled into the day to day. Honesty imbricated, a suit of honest. The proof is in life itself: I’ve had more emotionally resonant experiences of non-aloneness in the last five years than my entire life prior.

That’s the real joy of subverting aloneness — luxuriating in solitude. A wholly different, generative beast, apart from aloneness. Solitude is where you cash in on your non-aloneness savings. Retreating into solitude for the day in your backyard shed with no internet connection and a nice keyboard and laptop is one of the greatest feelings in the world, but only because you know you’re emerging at the end of it into a hug, a goofy animal bounding with nincompoop love, a curious kid, cooking dinner — something, anything, that will passively envelop you in non-aloneness, that will make you feel valuable.

I suspect I’ll be battling aloneness and depression for the rest of my life. But today, at 43, I’ve cobbled together my outré toolkit. And tomorrow today, when TOKIO TŌKYŌ TOKYO³ kicks off (the walking starts tomorrow, but the meditations on the walk begin tonight) I’ll be activating one of my most potent tools: days of walking strung together, using the body up, looking closely at the world, photographing, taking notes, greeting people with alacrity like some village idiot, thinking about what was, what is, and what could be in this strange, fleeting, often painful — but just as often breathtaking — world of ours.

Spencer Chang, spencer’s paradoxes:

I like newsletters that feel more like dispatches than editorialized posts.

The world manages to find a way to strike you with the most indescribable beauty when you need it most.

How do we make websites feel more like embodied objects? What does a website that can become well-worn or passed down feel like? How does a website become a living gathering space, one that evolves with the activity of its participants?

Spencer Chang e Kristoffer Tjalve, Syllabus:

we think, that our “internet” comprises the same 10 apps, some flooded with ads and spyware, others with people yelling about everything and nothing. We accept that the only way to get anything useful out of the internet is by trading our privacy for accounts and our self-expression for conformity. Everything is always somehow broken and when social spaces die, we believe that it is how it has always been and that nothing will ever be different.

The Internet is so much vaster than a single worldview. It is a sprawling galaxy of archipelagos, filled with more humanity and personal gestures than any man-made archive.

Jezebel foi morta por publicitários

Jason Koebler e Emanuel Maiberg, 404 Media:

It is not an exaggeration to say that the largest companies in the world are colluding to put their thumb on the scales of what types of news is monetized, and which types of news is monetized at lower rates or not not monetized at all. The World Federation of Advertisers (WFA) is listed by the [World Economic Forum] as one of its “projects” and includes every major marketing agency, as well as brands like Nike, Merck, Nestle, Proctor and Gamble, TikTok, Disney, Walmart, Adidas, BP, Shell, Goldman Sachs, Electronic Arts, McDonalds, and more. It represents 90 percent of all advertising dollars spent in the entire world—$900 billion in spend per year.

Como minha navegação na internet mudou nesses últimos meses

Minha saída do Twitter há alguns meses mudou profundamente a forma como eu navego na internet. Por mais de uma década, o Twitter servia como a verdadeira página inicial da minha navegação. Era o que eu abria primeiro para descobrir links que meus amigos ou pessoas que eu seguia estavam compartilhando, e começava minha jornada diária na internet por aí.

Com minha saída, o efeito imediato foi parecer que a internet encolheu consideravelmente. Meu tempo na frente do navegador diminuiu (um efeito bom!) e nenhuma das outras redes que tentam substituir o que o Twitter criou (o Bluesky, o Mastodon, o Threads) conseguiu me cativar da mesma forma. A maior parte do conteúdo nesses feeds aponta para eles mesmos, quando minha experiência no Twitter era a oposta. Eu clicava em links para fora, que me ajudavam a explorar tópicos que eu tinha curiosidade, mas que não sabia muito sobre. Foi assim que eu li sobre astronomia e ecologia e arquitetura e linguística. Tópicos que eu adoro ler sobre, mas preciso que pessoas me guiem para eu conseguir me aventurar.

Eu tomei algumas ações para me ajudar a substituir o Twitter da minha rotina de navegação na internet. Primeiro, eu adicionei a capa da Wikipédia inglesa como a página inicial do meu navegador. Todo o dia, de manhã, quando eu abro o Safari, eu recebo um trecho do artigo em destaque, algumas notícias e algumas curiosidades. É ótimo para aflorar minha curiosidade.

Eu também incrementei meu leitor RSS com mais blogs, mesmo que os temas não sejam muito do meu interesse. Antes, eu usava meu leitor RSS como minha fonte central dos sites que eu visito diariamente (Defector, Kottke, Waxy, etc.), então eu só adicionava nele os feeds de sites que eu lia todos os posts. Eu decidi criar uma categoria de “descobertas”, com feeds de sites e blogs (como o Colossal e o Atlas Obscura) de sites que eu visito ocasionalmente.

Por último, e eu acho que a mudança mais significativa pra mim, foi começar a acessar o Kagi Small Web quase que diariamente. Ele funciona tipo o StumbleUpon lá no início da web 2.0: sempre que você acessa, uma página aleatória carrega, com um post de um blog ou um álbum de fotografias de um fotolog, ou algo assim.

A diferença entre o Kagi e o StumbleUpon é a curadoria. O StumbleUpon aceitava praticamente tudo, então tinha muita chance de você ficar recarregando a página frequentemente até se deparar com algo realmente interessante. Existe uma curadoria no Kagi que permite apenas sites pertencentes à “small web”, um conceito que significa algo como a internet feita por sites de pessoas ou pequenas comunidades (geralmente, centralizadas nesses próprios sites). Então eu vejo blogs de um cozinheiro, ou atualizações de uma comunidade de observadores de pássaros, ou isso (que eu não tenho ideia do que seja).

O mais bacana é perceber como o Twitter, ou o Instagram ou outras redes sociais, parecem dar uma impressão de que a internet é pequena, quando na verdade existem milhares dessas pequenas comunidades por aí, sem muito interesse em se conectar com outras. É a forma que eu navegava na internet antes do Twitter também: eu encontrava algum fórum de um assunto que me interessava, e acabava adentrando uma comunidade com suas próprias regras e gramática. O Kagi tem me ajudado muito ultimamente a perceber que, embora o Facebook tenha matado muitas dessas comunidades nessas últimas décadas, existem outras tantas que prevaleceram e, conforme a gente vai se distanciando da época da centralização das mídias sociais, outras estão surgindo de novo.

Eu acabo adicionando vários desses sites que descubro no Kagi em uma pastinha de favoritos na minha barra de favoritos. Não são sites que eu acesso todos os dias ou acompanho seus feeds, mas que de vez em quando, enquanto eu dou uma pausa do trabalho ou procuro algo pra ler depois do almoço, eu gosto de sortear um deles para navegar em seus arquivos ou encontrar uma seção de comentários bacana. Faz um bem danado ler sobre coisas que eu não entendo, ou uma variedade de opiniões entre pessoas conversando (eu acho que quase toda a toxicidade da internet moveu pros comentários do Instagram e do YouTube, onde elas são mais impulsionadas) e trocando opiniões, ao invés de caçarem umas as outras. A “small web” é gigante e colorida e divertida, é como visitar uma feira do mercado de pulgas. Por que diabos existem pessoas interessadas nessa coisa extremamente específica? Porque existe beleza em todo o lugar.