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Quieto

Hoje foi um dia quieto. Eu estive quieto. Fora uma reunião de meia-hora depois do almoço, e de uma breve visita de uma amiga para buscar um pacote aqui na minha casa, eu passei o dia quieto. Não só não falei, mas eu senti o meu corpo quieto.

Eu tive um punhado de semanas agitado nesse último mês. Eu me relacionei brevemente com uma pessoa que me tirou do eixo, mas que me deixou inquieto, incerto. Tudo acontecia muito rápido, e com muita força. Até que veio o silêncio e, depois dele, a paz. Quando eu vi, a pessoa foi embora e levou com ela todo o sentimento que tive por ela junto. Passei esses últimos dois dias quieto, recuperando o movimento do meu corpo, apreciando um pouco não ter que falar ou fazer nada. Existindo só dentro de mim mesmo.

Acho que deu a sorte de terem feito dois dias de muita chuva aqui na cidade, porque em dias assim o Tobias também fica quieto, enroladinho na cama dele esperando a chuva passar. A gente troca olhares e carinho no dia de hoje, e ficamos quietos juntos. Nos recuperando depois de um temporal, esperando o dia raiar amanhã.

Agora

Nessas últimas semanas o Tobias tem dormido ao meu lado no quarto, e eu comecei a conversar com ele sobre o dia — o que fizemos, onde passeamos, o que eu devia ter feito — até começar a ouvir o som da respiração dele pesar. Tá sendo uma boa rotina, quase que um diário. Gosto de acompanhar ele caindo no sono. É uma sensação gostosa, saber que ele tá se sentindo seguro e confortável a ponto de cair no sono enquanto escuta meu bla-bla-blá.

Agora

Eu tô sentado no pátio dos meus pais, numa cadeira de praia. Eu sinto a grama entre os dedos do meu pé. O dia tá quente, mas aqui sempre tem uma brisa.

Tá num daqueles dias raros de silêncio. Embora meus pais morem no interior, sempre tem algo acontecendo ao redor da casa deles. Ou os cachorros estão resolvendo um problema político entre eles e os cachorros do outro lado da cerca; ou tem alguém aproveitando o fim de semana pra cortar a grama; ou é dia de churrasco em um dos vizinhos, e todo o mundo precisa ouvir a música que vai servir como trilha-sonora do almoço em família.

Hoje é um silêncio diferente. A casa tá quieta. Eu e meus pais voltamos há algumas horas do funeral do meu tio. Eles dormem, cada um em um canto da casa. Meus pais não gostam de mostrar que estão cansados um para o outro, então eles cochilam quase que escondidos um do outro.

Eu decidi vir pra rua. Pisar um pouco na grama. Eu gosto de sentar aqui nesse canto do pátio. É ao lado da árvore sob a qual a Vivi foi enterrada. Hoje é só mais um canto — a grama já cresceu, a árvore tá linda.

Ouvi minha mãe acordar agora. Eu sei que isso aconteceu porque a Zinha, uma das cadelas aqui da casa deles, também acordou. A Zinha acompanha minha mãe pela casa toda. A gente reclama desses comportamentos deles até o momento em que eles não podem mais nos seguir. Daí a gente sente falta.

A Mel veio me fazer companhia. Vou ter que parar de escrever, porque a Mel exige colo e ela não liga se o computador vai atrapalhar ela. Melhor botar ele pra lá.

Era pra chover hoje. Ainda bem que não choveu, tá muito bom de colocar os dedos do pé na grama e sentir ela abraçar meus pés.

Agora

Uma coisa que eu sinto muita falta nos meus dias com a Vivi é a sensação de que ela adorava estar pertinho de mim.

Quando eu ficava trabalhando no escritório, a Vivi gostava de ficar deitada em algum lugar perto dos meus pés — de vez em quando ela até se apoiava neles, e eu tinha que ficar com o pé parado, dobrado, pra não atrapalhar o sonho dela. Quando eu saía pra pegar uma água ou um café, ela ia atrás, e depois voltava comigo. De noite, ela ficava comigo enquanto eu assistia um filme. Ela me acompanhava pelo pátio enquanto eu caminhava depois do trabalho. Ela tava sempre por perto.

Tava pensando nisso agora há pouco enquanto eu estava na cozinha e o Tobias ficava deitado no sofá. Não tô comparando o afeto de um cachorro pelo outro, mas mais um comportamento. Tobias precisa saber onde eu estou — ele levanta a cabeça quando vou de um lugar para o outro — mas ele não precisa estar perto de mim o tempo todo.

São companhias diferentes. As vezes eu sinto uma saudade imensa da companhia da Vivi, mas não é justo eu ficar cobrando do Tobias. Ele é diferente.

Agora

Tá fazendo uns dias de verão bem da minha infância por aqui nessa última semana. Dias de solaço, mas com uma temperatura gostosa: entre os 23 e os 28°C. Hoje é sexta feita e eu ganhei o dia de folga (o trabalho anda intenso, pra dizer o mínimo). Eu tô comendo uma fatia de melancia bem suculenta na minha sacada, vendo o fim de semana chegar na vizinhança.

A vida tem um jeito de ser linda.

Agora

Eu comprei um fone de ouvido essa semana que, além de conectar com Bluetooth, também tem a opção de conectar com um bom e velho cabo de áudio de 3,5mm, e isso honestamente mudou minha vida.

Eu usava um fone JBL que só se conecta através do Bluetooth, e isso me dava uma pequena incomodação todo dia, que eu precisava desemparelhar o fone do meu celular para conectá-lo no meu computador de trabalho. Ou quando eu queria usar ele no Switch, que eu precisava desemparelhar ele do computador de trabalho, e por aí vai.

O cabo é tão versátil que eu tinha esquecido como era essa liberdade. Eu tiro ele do laptop e coloco no Switch e, se eu quero sair para correr escutando um podcast, eu posso só desconectar o cabo e ligar o fone e plim, o meu celular já está emparelhado com o fone. Simples assim.

Agora

Escrevi quase nada essa semana. Acabei deixando uma tarefa grande no trabalho pra perto do prazo, e no fim precisei passar a semana correndo atrás dela. No fim vai dar tudo certo, mas essa sensação de estar atrasado sugou toda a minha energia.

Agora

Eu decidi começar a jogar Kentucky Route Zero de novo.

KRZ é o meu jogo favorito, mas é a primeira vez que eu vou jogar ele de novo desde que o último ato foi lançado, no início de 2020. Eu demorei meses pra conseguir escrever sobre.

Algo parecido aconteceu com The Leftovers, minha série favorita. Eu não consegui rever ela de novo, do início ao fim, desde a series finale em 2017. Eu vejo episódios ou cenas soltas aqui ou ali, pra lembrar de algo, mas ainda não consegui rever ela de verdade.

Agora

Esses últimos meses foram difíceis. Meu trabalho não deu sossego, e eu mal consegui escrever.

Eu também tive algumas crises de escrita. Eu decidi sair do Letterboxd. Eu sentia que escrever por lá não me trazia muito mais alegria, parecia mais uma obrigação. Eu quero voltar a escrever como eu fazia no Pão com Mortadela: encontrando links e fazendo ligações mentais entre os assuntos que eu achei interessante nos últimos dias. Eu não tô conseguindo fazer nem isso.

Escrever é musculação: você faz de pouco em pouco até que se torna um hábito, e você vai fazendo cada vez mais. Eu sinto falta de quando eu praticava essa musculação com mais frequência. O projeto acaba amanhã, e eu espero que eu consiga me reeducar. Eu acho que vou finalmente tirar o irrelefante.com.br do estacionamento.

Agora

Vou passar a semana do natal aqui na casa dos meus pais, no interior. Aqui a noite ainda é fria, e eu gosto de andar pelo pátio no meio da noite, para sentir esse frio. É um frio quieto, mas acolhedor.

Eu visitei meus amigos hoje, alguns que eu não via há algum tempo. É tão bom ver eles. Eles parecem tão bem — a vida de um jeito na gente, ou a gente deu um jeito na vida. As coisas funcionaram para nós. Não temos mais o convívio da escola, ou das nossas férias de verão juntos, mas tem algo em rever eles que é bom.

Nos ainda somos aquele bando de inconsequentes que se reunia pra comer batata frita e tomar cerveja no domingo antes do trabalho, mas agora não somos mais? Nos reunimos no domingo antes do trabalho depois de dois anos sem conseguirmos nos ver, e nossos assuntos mudaram. Agora é sobre o trabalho, sobre como o tempo corre, como as coisas mudam — como as pessoas que moravam nas casas em que crescemos não estão mais lá, sobre o que existe hoje nos lugares que íamos antes. A gente muda, o tempo passa, mas isso que a gente tem junto… isso continua.

Agora

Hoje é o meu último dia de férias (embora eu só volte a trabalha na segunda-feira). Foi a primeira vez em mais de uma década que eu tirei o meu período integral de férias de uma só vez. Eu acho que vou fazer isso sempre, daqui pra frente. Não só deu tempo para fazer uma viagem bacana, mas consegui colocar em dia várias tarefinhas em casa, fiz alguns exames que eu tava postergando e dei uma limpada no meu guarda-roupa.

Eu também consegui colocar em dia uns jogos que eu queria terminar (Link’s Awakening e Shadow of the Colossus), li bastante e não vi tanto filme quanto eu queria, mas dei um tapa nesse site aqui. Eu consegui descansar muito, também. Essa parte foi a mais importante.

Agora

Eu sonhei com a Vivi hoje. Eu fui visitar meus pais e os cachorros vieram me receber. Eu dei oi pro Balu, pro Ió, e pras meninas: a Flor, a Mel e a Cici. Daí a mãe comentou “a Vivi tá lá embaixo”.

Eu não cheguei a estranhar, no sonho. Eu acho que eu estranhei mais o fato de eu ter esquecido de dar oi pra Vivi. Eu fui pro andar de baixo e, realmente: a Vivi tava sentada na sombra que fica no canto da casa, entre os pés de laranjeiras. Ela latiu pra mim e sapateou, como costumava fazer. Eu peguei ela no colo, do jeito que eu pegava — com o meu braço entre as duas patas da frente, apoiando a barriga dela.

A gente caminhou pela casa, os cachorros ao meu redor. Eu tomei um café com minha mãe enquanto segurava a Vivi com um braço. Eu fiquei fazendo carinho nela pelo resto do sonho, ela dando aquela rosnadinha que dava quando queria brincar.

Agora

Passeando com o Tobias hoje de manhã (ele tem acordado às 6h pra dar a primeira saidinha do dia), eu decidi variar um pouco os ares e fomos em direção ao Açorianos. Lá, o Tobias conheceu uma família de caturritas, uns amores.

Eu gosto muito desses nossos passeios da manhã. A cidade ainda não acordou totalmente, mas o sol já tá de pé o suficiente. O dia sempre promete.

Sobre votar

Eu gosto muito de votar. Eu gosto de chegar na minha zona eleitoral e ver alguns vizinhos ali. Estamos todos juntos em um ambiente neutro (eu voto no Palácio da Justiça aqui em Porto Alegre). Os mesários da minha zona são sempre muito gentis.

Eu gosto mais é do senso de comunidade do ambiente de votação. Embora eu reveja alguns vizinhos na zona eleitoral, uns como eleitores e outros como mesários, são poucas as vezes que a gente se reúne em um só lugar pra uma ação que leva alguns segundos e é profundamente imensa. Me faz sentir (ou perceber que eu sou) parte de uma comunidade, um entre muitos.

Ajuda que o dia da votação tende a ser um dia gostoso — o clima das últimas eleições que participei eram um dia de sol, mas fresco (hoje mesmo estava 21°C quando fui votar, e 13°C quando acordei). Torna um dia importante como esse em um dia de esperança, também.

Eu espero que Porto Alegre aprecie esse dia de sol para lembrar do que aconteceu nos dias de chuva — e da destruição que eles deixaram. Que a esperança desse dia não ofusque a memória de ontem.

Agora

Hoje tá sendo um dia bom.

Eu acordei às 6h, e saí pra minha caminhada matutina. Faziam 12° C na rua, mas não tinha uma nuvem sequer no céu. Só o sol, algo que tá ficando cada vez mais raro de aparecer aqui no sul.

Então eu saí pra caminhar antes do Tobias acordar e antes do trabalho começar. Tava frio demais. Depois que eu voltei, eu fiz um café e esperei o Tobias se levantar. Passeamos, e agora eu tô trabalhando (e escrevendo).

O Tobias tá perdendo bastante pelo por causa da quimioterapia, então eu varro a casa escutando minha playlist para manhãs e, quando eu canso, eu venho aqui e escrevo um pouco mais desse post. Eventualmente ele vai terminar, e eu vou precisar voltar a varrer.

Tá sendo um dia quieto e um dia perfeito. Meus dias favoritos são assim.

Agora

Esse foi um bom fim de semana, depois de uma semana caótica.

Ontem foi um dia perfeito. Tinha um céu lindo, bem azul, com poucas nuvens. E tava frio, com um ventinho gelado.

Eu amo dias assim. Tem um certo conforto em um dia gelado, mas em que o sol brilha. O cheiro do café da manhã alcança lugares mais distantes. Os sons da manhã são mais macios.

Os sentimentos ficam mais aguçados, e os sentimentos também. Eu saí para levar as roupas na lavanderia, e o dono do bar ao lado da minha casa já estava abrindo o negócio dele. A gente trocou nosso bom dia antes de eu descer a escadaria. Na lavanderia, a mesma coisa. Existe uma calma em manhãs que a temperatura é fria, mas o céu acalenta.

Durante a pandemia, eu pensei muito se aquele tempo ia sinalizar o fim da ideia de “comunidade”, de se sentir parte de uma comunidade no nosso dia-a-dia. Os dias ficaram mais impessoais durante aqueles anos. Usávamos máscaras e saíamos só quando era necessário. Eu morria de medo de não conseguir me aproximar dos meus novos vizinhos por causa disso. Mas é tudo questão de tempo. Em algumas semanas, eu e o dono do bar do lado da minha casa já tínhamos um acordo que nunca foi falado — quando eu chego tarde em casa, nós trocamos um aceno e ele me pergunta se tá tudo bem. O mesmo vale com a moça da lavanderia, e a senhora da padaria. Eu nunca consegui ter uma aproximação com a mulher do mini-mercado perto da minha casa, mas até isso é um conforto (não são todos os que a gente consegue se aproximar nos nossos dias).

Dias assim, que tiram o incômodo do calor que durou quase seis meses nessa primavera e nesse verão, dão mais espaço pra calma. Ou vai ver, como a Bruna me comentou, é a paz inerente da chegada dos 30, em que incertezas se tornam insignificantes porque a vida não nos dá muito tempo — ou vontade — de ficar ponderando decisões não tomadas. Meus vizinhos, as primeiras pessoas que eu vejo no dia (e geralmente as últimas também), continuam ali. Nossos acordos, alguns nunca falados e outros acertados, vigoram.

Esse domingo foi outro dia frio, mas dessa vez foi nublado. É um outro tipo de dia que eu adoro. A manhã começa mais cedo, e dura um bocadinho a mais. O dia demora mais pra começar, e ninguém culpa ninguém por isso. Há um silêncio comunitário no ar — é um dia de pouco barulho, de muito sono. O cheiro do café fica no ar por mais tempo. Os sons abafados, também.

Agora

Um momentinho que eu gosto depois de voltar do intervalo de almoço no trabalho é escovar bem os dentes e tomar aquele primeiro gole de café.

Agora

Eu ando tendo umas noites sem conseguir dormir nessa última semana, e pela primeira vez nesse quase um ano sem Twitter, eu senti falta daquele lugar.

Não do Twitter em si, mas de ter um lugar em que meus outros amigos que provavelmente estão passando por uma insônia também estejam, para que possamos conversar até um a um cair no sono. Eu até tenho uma conta no Bluesky, mas meus amigos não estão lá — então não tenho ninguém pra comentar o BBB ou o novo episódio de True Detective, por exemplo.

Em noites assim eu sinto falta da companhia das crianças do brilho.

30

Teve um temporal horrível aqui na cidade há uns dois dias. Muitas pessoas perderam tudo, centenas de árvores caíram, a luz e a água começaram a faltar em toda a vizinhança. Mas não na minha casa.

Hoje eu fiz trinta anos, e eu ganhei uma hérnia de aniversário. Eu também ganhei um belo almoço, e (o mais especial de tudo) a certeza de que minha casa é um lar, um abrigo. Nos últimos dois dias, meus amigos se abrigaram na minha casa, onde não falta nem água nem luz. É um porto seguro pra mim e pras pessoas que eu amo.

E foi ao redor delas que eu fiz meus trinta. Foi pequeno e foi gostoso. Teve comida da mãe e do pai. Teve um abraço do Balu, e a companhia da Aldry. A gente ouviu jazz, e eu não senti a dor na perna que eu vinha sentindo há semanas.

Eu fui no cinema com meu melhor amigo e com minha melhor amiga. Eu vi um filme que eu adorei, e eu tomei uma cervejinha no fim do dia. E foi bom. Foi pequeno e foi quieto, como eu espero que essa nova década seja. A paz, eu espero que ela tenha chegado.

Agora

Eu tô experimentando algumas mudanças na minha rotina nessa semana. Em 2023, eu senti que passei muito tempo pensando que eu não estava fazendo nada, mesmo que isso não fosse verdade. Acho que essa impressão veio pelo fato de eu parar de fazer coisas que eu gostava e que me faziam bem, como estudar francês, caminhar e escrever.

Não que eu não fizesse esse tipo de coisa, mas eu as fiz sem uma frequência que eu gosto, e geralmente de forma paliativa. Eu sentia que eu não estava fazendo nada, e então decidia “tampar” esse sentimento com alguma tarefa. Porém, eu gosto de rotinas, elas costumam me fazer bem.

Entre 2017 e 2020 eu tinha o hábito de estipular minha rotina usando os lembretes no meu celular. Eu criava uma série de tarefas, estipulava a frequência (diariamente, a cada dois dias, semanalmente, etc.) e um horário. Não tenho ideia do porquê eu parei de fazer isso. Acho que, com a pandemia, minha rotina mudou drasticamente nos menores detalhes. Mesmo assim, eu senti falta dessas tarefas no último ano, então coloquei todas elas de volta nos meus lembretes:

Captura de tela de uma lista no aplicativo Lembretes, com as seguintes tarefas: Caminhar (todas as segundas, quartas e sextas); Ver um filme (semanalmente, às quartas); Ler um livro (semanalmente, às terças); Jogar um jogo (semanalmente; às segundas); Assistir uma série (semanalmente, às quintas); e Estudar francês (diariamente, em atraso).

Além de caminhar e estudar francês, eu decidi estipular o que fazer no meu tempo ocioso nos fins de tarde durante a semana. Eu acho que a minha inquietação ou angústia nos fins de tarde vinham pelo fato de eu não ter algo específico pra fazer; ao mesmo tempo, eu sinto que minha dieta cultural no último ano foi bem rala. Eu raramente encontrava tempo para ver filmes ou ler, só que não por falta de tempo mesmo. Só por desorganização mental, se é que isso faz sentido.

Acho que isso libera um pouco do peso de decidir o que fazer todos os dias (eu amo esse vídeo da Aretha Franklin reclamando do que fazer de janta todas as noites), o que me dá mais tempo pra fazer mais coisas que eu quero fazer. Não necessariamente ser mais produtivo (isso também), mas usar melhor o meu tempo.

Eu estou aplicando essa nova rotina há pouco mais de uma semana. Eu comecei ela no recesso, e por enquanto está indo tudo melhor que a encomenda. Por exemplo, eu não só consegui ler muito ontem, como eu também tive tempo de sobra pra assistir um filminho, já que não precisei ficar matutando o que eu deveria estar fazendo. Foi bem bom! E o livro também ajudou, porque é muito bom! (A casa de doces, de Jennifer Egan).

Mesmo assim, é pouco tempo pra dar alguma impressão definitiva por aqui, mas eu quero ir experimentando com isso nesse mês. Eu quero ver se consigo adicionar Yoga à minha lista de tarefas na próxima semana, é algo que eu sinto falta de fazer. Eu só preciso ver se eu tenho um tempo hábil pra fazer isso. Eu não quero correr o risco de estufar meus dias com coisas e acabar fazendo nada de novo.

Agora

Eu adoro acordar e ir pra cozinha na primeira hora da manhã. A luz, ainda azulada, do início do dia ilumina o balcão com calma. A cidade não acordou totalmente, e o frio da noite ainda entra pela janela da cozinha.

Agora

Eu não sei se eu vou voltar a ter uma Rede Social Para Mim, como o Twitter foi há mais de uma década. Não parece ser algo que faz sentido na minha vida nesse momento… ter uma presença web daquela forma e tal. Mas eu tô curtindo demais brincar no Tumblr ultimamente. Eu não conheço quase ninguém aqui, e isso é um pouco libertador, eu acho. Eu converso com pessoas que eu não conheço, eu leio textos e vejo fotos de coisas que eu não sei o que são, e assim vou explorando um mundinho novo. E as vezes eu mesmo coloco aqui meus interesses estranhos. Sem muito contexto, sem muita ordem, é mais algo no “fluxo do pensamento”, como o Twitter parecia ser no início. Tá sendo divertido.

Agora

Eu tava procurando um livro aqui na minha estante. Acabei encontrando um desenho que uma amiga minha, que eu não vejo há mais de uma década, fez pra mim.

Atrás do desenho tinha uma dedicatória, “Da Bibi pro Atum”. Ela foi a única pessoa a me apelidar de “atum”. Eu esqueci completamente que, um dia, alguém já me chamou assim.

Foi estranho de lembrar da Bibi e do apelido e daquele tempo que essa amizade durou. A gente perdeu o contato. As redes sociais e os mensageiros instantâneos que a gente usava pra se comunicar deixaram de existir nesse meio tempo. O desenho ficou.