Posts sobre tecnologia

Um obituário para o metaverso

Nick Heer é um dos melhores autores que observam a tecnologia. Ele sempre tem opiniões muito bem embasadas que, mesmo quando eu não concordo completamente, me fazem ponderar e reconsiderar minhas certezas. No seu blog Pixel Envy, ele publicou recentemente o que eu acho que é o melhor obituário possível para o metaverso, e as loucuras que empresas como o Facebook, a Epic Games e Roblox fizeram (sem falar projetos como o Decentraland):

It turns out we are okay with having meetings and playing games online, but we actually like seeing live music in-person and travelling to real places. The problems each of these things may have — high costs, environmental impact, and so on — are notable and real, but are not ones with metaverse-based solutions.

The pandemic did not make the metaverse. There was sufficient interest in developing it well before then, and it is possible all of these companies would have announced all these products and services on the same timeline. But in a world without a pandemic, I cannot imagine anyone would have treated these metaverse announcements with anything like the seriousness they did. The pandemic officially ended in the U.S. just six months after the first release of ChatGPT, so it is impossible to disentangle the influence of either. But it is notable to me that the nosedive in mentions of “metaverse” on Meta’s investor calls occurred in Q3 2023 — the quarter immediately following the declared end of the pandemic.

Ele ainda termina com um toque quase esperançoso. Dá pra ver que Heer cresceu vendo a internet florescer. Esse tipo de otimismo é de quem viu protocolos e tecnologias sendo criadas na nossa frente no início da internet:

[…] Whatever that ends up being will probably be the result of people finding something useful and intriguing about doing something different. It will not be the product of big companies redirecting the money hose of platform fees onto themselves.

Recomendo muito o Pixel Envy. É uma ótima leitura toda a manhã.

Três coisas sobre dados

Russel Davies escreveu um texto bem interessante sobre a “soberania dos dados” que parece ser a ruína de muitas empresas (undermanager). Alguns destaques da leitura.

Na introdução ele já elenca o paradoxo que é coletar dados para descobrir o motivo dos negócios não irem bem, e’quando os dados não respondem a pergunta você acaba coletando mais dados, o que te afastam ainda mais de procurar a resposta no lugar certo:

a. Data is a risk. Every bit of data has to be managed/looked after/cared for. That costs time and money. And most of it is useless.

b. Data is distracting. Most of it is just noise. You’re gathering it because you can, just in case, because it seems valuable. Then you spend ages trying to work out what to do with it. When you should be paying attention to just a couple of bits of it and actually doing something about it.

c. It becomes a job. Get enough data and you need data scientists. Then you’re stuck in a self-perpetuating structure that requires more data to feed the data scientists.

E, sobre a distância dos dados reais das pessoas que precisam deles:

The more it gets abstracted away to other teams and other softwares the more dangerous and misleading it gets.

Tem várias vezes na semana que eu me pego pensando que eu sou um incompetente no trabalho porque eu recebo dados do negócio fornecidos por outras pessoas que acham que teria alguma relevância pro meu trabalho, e eu não ver serventia nenhuma naquela informação. É muito frustrante receber informações que te dão ideia de um detalhe muito específico de uma parte da audiência e perder a visão do todo. Eu não desenvolvo pra um setor específico das pessoas que vão visitar um site. Eu desenvolvo pra todas as pessoas que possam visitar um site.

The HTML Review, nº 5

Saiu o novo volume da The HTML Review, uma revista sobre a internet feita à mão. Como todos os anos, ela é cheia de pequenos experimentos.

Toda a HTML Review é especial. Eu recomendo começar sempre da primeira página e ir seguindo, como se folheasse uma revista mesmo. Eu ainda tô adentrando essa edição, mas duas seções me cativaram muito:

  • Tell umma I’m walking to Baekdusan, um ensaio de Anne Lee Steele sobre a relação entre a sua “psicogeografia” e o próprio computador.
  • from mine to yours, um “monólogo interno” de Quennie Wu em uma caminhada. Acho que nada, em toda a minha vida, capturou tão bem a sensação que eu tenho de caminhar — um hábito que eu não perco por nada.

Bom sábado!

Encanamento

Tava lendo esse artigo no Unsung sobre a estrutura de URLs do Flickr, e essa continuação com links sobre “design de URLs”.

Eu acho muito bonita a forma com que o Flickr, o Last.FM e o Letterboxd trabalham suas URLs. Eu gosto de digitar os endereços dos sites que eu visito — foi assim que eu aprendi a navegar na internet —, e esses sites permitem que a gente descubra as coisas mais bacanas misturando e explorando suas URLs. O que acontece se eu trocar uma geotag no Flickr, ou misturar os gêneros no Last.FM, ou até mesmo filtrar os filmes que meu amigo assistiu por país? Eu posso fazer toda essa descoberta só observando e trocando caminhos.

Enquanto eu tava redesenhando o meu site eu tava pensando nessa estrutura de URLs, e como eu queria possibilitar esse tipo de descoberta. Com o tempo, eu espero que esse site vire uma verdadeira “floresta” em que eu possa me perder em tags e links por aí. Pra isso, eu preciso reorganizar essas tags, criar um jardim, etc.

Mas uma dessas tarefas foi pensar em uma estrutura de URLs, e tendo lido recentemente o texto no Unsung eu me peguei reestruturando as URLs do site pra começar a possibilitar esse tipo de descoberta.

Por regra geral, os posts agora estão organizados assim:

/categoria/ano/mês/dia/nome-do-post/

As tags são fáceis:

/tags/nome-da-tag/

Uma hora eu quero fazer o /tags/ ser um mapa gráfico das relações entre as tags aqui do site.

Se você acessa uma página de categoria (ex. /notas/), você vê o arquivo daquela categoria. Anos, meses e dias também podem ser misturados para navegar por arquivos. Pra acessar os posts de dezembro, você pode navegar pra irrelefante.com.br/2025/12/, e assim por diante.

Eu gosto como fazer esses esquemas de URL, integrar com outros serviços e ver se tudo funciona de uma ponta à outra é como mexer no encanamento do site. E meu site é como minha casa. Até mexer no encanamento e saber que tá tudo bem é uma alegria.

Software simples

Eu tô tentando zerar minha lista de leitura. Ela tem 209 links para ler, catalogar e arquivar. Pra me forçar a ler um pouco todo o dia, vou começar a postar aqui o que eu estou lendo, e talvez um comentário ou destaques.

Hoje, foi TextEdit and the Relief of Simple Software, no The New Yorker.

Kyle Chayka:

Amid the accelerating automation of our computers—and the proliferation of assistants and companions and agents designed to execute tasks for us—I’ve been thinking more about the desktop that’s hidden in the background of the laptop I use every day. […]

Over the past few years, I’ve found myself relying on TextEdit more as every other app has grown more complicated, adding cloud uploads, collaborative editing, and now generative A.I. TextEdit is not connected to the internet, like Google Docs. It is not part of a larger suite of workplace software, like Microsoft Word. You can write in TextEdit, and you can format your writing with a bare minimum of fonts and styling. Those files are stored as RTFs (short for rich-text format), one step up from the most basic TXT file.

I trust in TextEdit. It doesn’t redesign its interface without warning, the way Spotify does; it doesn’t hawk new features, and it doesn’t demand I update the app every other week, as Google Chrome does. […] Each encourages you to adapt to a certain philosophy of organization, with its own formats and filing systems. But nothing has served me better than the brute simplicity of TextEdit, which doesn’t try to help you at all with the process of thinking. Using the app is the closest you can get to writing longhand on a screen. I could make lists on actual paper, of course, but I’ve also found that my brain has been so irredeemably warped by keyboards that I can only really get my thoughts down by typing […]

We users have learned that cloud-based apps and digital platforms are more likely to surveil us, mine our data, and manipulate our attention than to provide us the precise content and services we seek […]

Acho que esse relato de como Chayka usa o editor de texto (e como interage com um desktop) me ajudou a entender porque eu acho que nenhum outro dispositivo — celular, tablet, nada disso — consegue capturar: a ideia de que o computador é uma “bicicleta para a mente”. Usar programas que lidam com arquivos, que nos pedem para organizar e catalogar eles nos fazem pensar na nossa própria organização — eles nos deixam responsáveis pelo nosso próprio pensamento, pela forma como estruturamos ele e a forma que criamos sentido.

Um celular, ao contrário, quer moldar sua organização para a abordagem de um app específico. Olha como a gente adapta nossos pensamentos para as limitações do app de notas que usamos, por exemplo, ou como as limitações na hora de organizar a tela de início de um celular não nos permite criar sentido na forma que operamos o dispositivo, diferente de como organizamos (ou não organizamos) nossa área de trabalho no computador.

O apogeu dos anos 90

Vai ver é a crise que eu tô passando no trabalho, vai ver porque eu realmente tô valorizando esperar mais, mas esse post do Chris Collins bateu forte em mim:

Most folk didn’t really care about technology. They had a few things like a CD player, a games console or a phone that just worked to call and maybe text. You bought it, you owned it, and everyone kind of accepted it would die eventually. […]

Photos were just… photos. […] You took one because it mattered.

[…] You waited for stuff and nobody lost their mind about it. Waiting was normal.

People worked hard, but it usually meant something tangible. You could point at it and say “I did that”. Not just emails and meetings and vibes. […]

Me lembrou de duas coisas: uma fala em Matrix, quando Morpheus explica pro Neo que a Matrix é uma simulação da humanidade no seu apogeu (os anos 1990). Também me lembrou de We Used To Wait do Arcade Fire pro álbum The Suburbs (um disco sobre os anos 1990, inclusive).

Eu vivi a segunda metade dos anos 1990, e concordo. Até ali por 2009, eu acho que a gente tinha o balanço certo do quanto a tecnologia, ou o digital em si, nos ajudava mais do que nos influenciava. As coisas mudaram com o iPhone.

Eu acho que tinha muita coisa errada naquela época, mas eu acho que as coisas tinham mais peso. Hoje em dia, tudo tem um peso de um post numa rede social — seja a barbárie contra um povo, a violência sexual contra crianças, e o prêmio de música que aconteceu na noite de ontem.

Ter saído do Instagram me ajudou muito a tirar esse efeito esmagador que ele tem de tornar tudo conteúdo. O problema é que muito da vida hoje é moldado por essa experiência. Eu vou num restaurante e ele tem “cenários instagramáveis” para as pessoas criarem memórias. As notícias no jornal tem frases curtas para caberem num post ou para serem lidos num story. É meio desesperador estar de fora mas ainda assim sentir seus efeitos.

Acho que é um caminho, e cada um tem sua própria jornada de volta ao mundo, à grama do jardim, à textura das coisas.

Agora

Eu comprei um fone de ouvido essa semana que, além de conectar com Bluetooth, também tem a opção de conectar com um bom e velho cabo de áudio de 3,5mm, e isso honestamente mudou minha vida.

Eu usava um fone JBL que só se conecta através do Bluetooth, e isso me dava uma pequena incomodação todo dia, que eu precisava desemparelhar o fone do meu celular para conectá-lo no meu computador de trabalho. Ou quando eu queria usar ele no Switch, que eu precisava desemparelhar ele do computador de trabalho, e por aí vai.

O cabo é tão versátil que eu tinha esquecido como era essa liberdade. Eu tiro ele do laptop e coloco no Switch e, se eu quero sair para correr escutando um podcast, eu posso só desconectar o cabo e ligar o fone e plim, o meu celular já está emparelhado com o fone. Simples assim.

Liquid Glass

O Liquid Glass é muito inconsistente no Mac, e isso tá me incomodando muito. Parece até quando o Windows muda de visual, mas fica com “heranças” de redesigns anteriores (como o Explorador de arquivos).

O Safari parece um exemplo de todos os problemas nas inconsistências. A barra lateral, que deveria ser semitransparente, tem um fundo branco. Dá pra ver quando a página da web começa e onde termina a barra lateral. Fica evidente que a barra lateral, nesse caso, só quer ocupar espaço:

Note também como a barra superior tem uma divisão clara entre ela e o conteúdo da janela. Agora, no Finder, essa divisão é diferente, com um gradiente e um filtro de difusão ao invés de uma barra sólida:

Poxa, o Safari é o navegador do macOS, mas não parece ser um aplicativo nativo nem do próprio sistema operacional. Eu sei que o design do Liquid Glass vai amadurecer nas próximas versões, mas o caminho tortuoso vai ser longo se essa é a primeira versão que eles tem pra apresentar.

Eu gosto muito das animações e da profundidade do Liquid Glass no iPad, principalmente nos menus de navegação e nos botões. Ele deve ser realmente impressionante no visionOS. Ele é bem menos impressionante no iPhone e na Apple TV. Mas ele parece muito fora do lugar no Mac. Uma pena.

Uma semana sem notificações

Eu passei essa última semana com as notificações do meu celular desativadas e tudo fluiu bem. Bem demais, até: eu não perdi nada importante. Segundo o Tempo de Uso do iPhone, o meu número de ativações do celular também não aumentou com isso. Eu imaginei que aumentaria porque eu ia verificar o WhatsApp ou o iMessage com mais frequência para ver se eu não perdi uma mensagem dos meus amigos e da minha família, mas não aconteceu. Um dos motivos é que durante o trabalho eu uso o WhatsApp no navegador, então não preciso ficar conferindo o celular de tempos em tempos.

Eu me inspirei a fazer isso a partir desse texto de Maxime Vaillancourt, sobre como transformar o celular em uma “ferramenta chata”:

Let’s open up an imaginary toolbox for a moment. Imagine a screwdriver.

A screwdriver is a tool in its purest form. It does not ask for anything, does not require maintenance, and doesn’t distract from the task at hand. It just sits there, patiently waiting to be picked up when needed.

A tool does its job, then gets out of the way.

This is the kind of relationship I want with my smartphone. It should be tool, and nothing else. With that in mind, I set out to turn my smartphone into a tool again. This “tool, not distraction” mentality is useful for all kinds of modern technology, not just smartphones. Cal Newport’s “Digital Minimalism” covers this idea pretty well too (view my reading notes).

A primeira dica que Vaillancourt oferece é desativar as notificações, e é algo muito eficaz. A gente é bombardeado por interrupções do celular para chamar a nossa atenção. Eu sempre fui muito atencioso quanto a quais notificações eu ativo — apps como iFood, Uber, Moovit nunca tiveram notificações ativadas no meu celular, por exemplo — mas mesmo assim o número de interrupções é grande.

O único aplicativo que eu senti falta das notificações foi o Lembretes. Eu uso bastante ele já faz alguns anos pra organizar as tarefas da minha rotina e, embora eu lembre das minhas tarefas, eu gosto da pequena dose de dopamina de dever concluído que é em marcar as notificações como concluídas. No fim das contas, o lembretes e o calendário são os únicos aplicativos que eu reativei as notificações hoje (o app Tempo tem a opção de enviar notificações críticas, o que eu mantenho ativado porque eu vivo em Porto Alegre, afinal de contas).

Vaillancourt sugere ativar um filtro de escalas de cinza no celular, algo que eu já uso, e a desinstalação de apps desnecessários. O filtro de escalas de cinza é algo bem profundo que eu acho que muita gente não adotaria, mas a dica de desinstalar apps desnecessários é ótima. O iPhone tem um auto-desinstalador de apps pouco usados, mas eu não gosto dessa abordagem. Ele costuma desinstalar apps que a gente usa com pouquíssima frequência, e no meu caso são apps como o do plano de saúde, ou do FGTS. O problema é que, quando eu preciso desses apps, eu preciso deles na hora, e dentro de um hospital o sinal de internet pode ser fraco (já aconteceu!). Minha dica é sempre dar uma conferida na lista de apps do seu celular e ser bem honesto consigo mesmo. Eu tô sempre apagando um ou outro app que não faz mais sentido ter. É incrível como nossa rotina digital muda bastante.

Esconder esses apps de pouco uso é bem eficaz também. Desde que o iOS implementou a “biblioteca”, movendo todos os apps pra uma lista categorizada e liberando sua tela de início para você definir quais apps e widgets você quer ver, eu mantenho uns oito apps no máximo. Atualmente são esses:

  • How We Feel
  • Gentler Streak
  • Fitness
  • Diário
  • Babbel
  • NetNewsWire
  • GoodLinks
  • Música

Outros apps aparecem como widgets rotativos — Tempo, Lembretes, Calendário, Mail por exemplo — porque geralmente só dar uma olhada na informação mais importante deles é o suficiente.

Essas mudanças me fizeram gostar mais do meu celular nessa última semana. Prestar atenção em como ele funciona pra mim é importante, e me ajuda a definir uns fluxos com o Atalhos, por exemplo. O celular nunca vai ser tão versátil quanto um computador, mas eu acho que boa parte do meu carinho pelo computador vem da atenção que eu dou a como ele funciona, como ele está organizado, etc. O celular tenta ser opinativo demais nesse sentido. Ele prefere que eu me adapte a ele, e não o contrário. Com um pouco de atenção e dedicação, eu acho que tô chegando num bom meio termo.

Desativando notificações

Vou fazer um experimento essa semana: desativei todas as notificações no celular. Nem mesmo o calendário e os lembretes se salvaram.

Meu objetivo é ver quais notificações são realmente essenciais pra mim (suspeito que nenhuma) para poder reativar na semana que vem. Também quero ver como meu celular se comporta. Por exemplo: se eu desativar as notificações do telefone e do FaceTime, eu não receberei chamadas desses apps?

Vou atualizando por aqui durante a semana.

Haiku OS

Quinta-feira eu instalei o Haiku em uma máquina virtual e tenho brincado desde então… é um sisteminha bastante usável? É super rápido, e a interface é muito bem pensada. Me deu saudades verdadeiras do macOS na época do Snow Leopard, quando botões eram botões e as coisas faziam mais sentido do que os espaços em branco do macOS desde o Big Sur. Tô pensando em pegar um computadorzinho velho em um OLX da vida e instalar ele e ver o que dá.

Temas pro Firefox

Falando em Firefox, eu tô adorando experimentar os temas feitos por Sahara, especificamente os inspirados em consoles retrô e sistemas operacionais antigos. Olha esse inspirado no tema “Oliva” do Windows XP, do controle do GameCube ou das cores da tela do Game Boy

Eu sou um dos seis usuários usando esse tema inspirado no Wii.

Meu Firefox

Depois de mais de uma década usando o Safari como meu navegador principal, eu voltei pro Firefox.

Desde que eu mudei para o Mac em 2010 com meu primeiro MacBook, eu me afeiçoei à simplicidade e velocidade do Safari. Eu também gosto como o WebKit implementa certos recursos de CSS. Antes disso, eu era um usuário ferrenho do Firefox desde ser deixado para trás pelo Opera depois de eles deixarem de usar o Presto na versão 12 (longa história).

Eu nunca deixei de usar o Firefox completamente. Meus computadores do trabalho geralmente são Windows (as vezes, Linux), e neles eu sempre preferi o Firefox. Desde que o Firefox reescreveu uma boa parte da sua arquitetura em Rust ele ficou imbatível pros meus usos no Windows. A trajetória nem sempre é boa — a Mozilla é péssima nos negócios (Lockwise, Pocket 💔) e tirou recursos que eu usava com frequência, como o leitor de RSS embutido — mas muito do que faz o Firefox ser bom é uma constante: o Gecko é poderosíssimo, e as ferramentas para desenvolvedores são ótimas. Foi basicamente no inspetor que eu aprendi a usar a implementação de grids do CSS, por exemplo. A biblioteca de extensões também é a melhor que tem.

O Safari vem me perdendo há uma boa parte desses últimos anos, mas a cartada final foi o Liquid Glass, que tira mais espaço da janela do navegador, mesmo que a interface seja toda feita com o “vidro” que a Apple vai implementar nos OS 26. O Safari vem pecando há anos com a retirada de recursos (isso parece ser comum em navegadores ultimamente?).

O que me fez migrar de vez mesmo foi algo muito mais simples: a barra lateral. A gente não vive mais num mundo em que monitores 4:3 são a ordem do dia, e a necessidade de ficar atulhando a interface com abas que diminuem o eixo vertical (o menor em monitores 16:9!) tava me deixando maluco.

O Safari tem uma barra lateral mas é repleta de bugs (o foco da aba ativa não é consistente!) e muito mal utilizada. Eu não posso colocar botões ali, como eu posso botar na barra superior. Já o Firefox introduziu a barra lateral como beta há um tempo, mas no último mes ela veio para o canal estável e é tudo o que eu precisava. Extensões podem colocar painéis na barra lateral (funciona muito bem com o Side View e com o Notes), e eu posso botar ela em lados distintos (eu gosto da barra lateral abaixo dos botões de controle da janela — à direita no Windows e à esquerda no macOS).

Tem outros recursos que eu prefiro a implementação no Firefox: a ideia de containers ao invés de perfis, como o Chrome/Edge e Safari implementaram. Eu não preciso de uma janela nova para abrir a conta de email do trabalho, por exemplo — eu posso só abrir uma nova aba no container “Trabalho”. A aba recebe uma decoração diferente e eu sei que ali é um outro contexto. Eu tenho containers que isolam e-commerce também, o que evita “sugestões” de compra me perseguindo pela internet se eu procuro por uma capinha pro meu Switch. Ela fica isolada naquele container.

Meu Firefox é mais ou menos assim (no Windows):

E a minha seleção de extensões é essa:

  • Favoritos do iCloud e Senhas do iCloud: depois que a Mozilla descontinuou o Lockwise, eu migrei pro chaveiro integrado do macOS e do iOS e ele é bom o suficiente pra mim. Eu ainda não uso o Firefox no celular, então os favoritos integrados do iCloud me ajudam a manter tudo integrado.
  • Firefox Multi-Account Containers: eu não sei os motivos da Mozilla não ter implementado os containers como um recurso nativo do navegador. Enquanto isso não acontecer, a extensão é obrigatória pra mim, e o melhor recurso do Firefox hoje.
  • Indie Wiki Buddy: me redireciona pra wikis de jogos melhores que as disponíveis no Fandom sempre que um link pra uma wiki do Fandom aparece pra mim. Como eu uso muito wikis de jogos como a do Animal Crossing e de Zelda, e as buscas tendem a preferir as wikis hospedadas no Fandom (que não é um lugar legal na web), essa extensão é uma mão na roda.
  • Livemarks: recupera o recurso de leitor RSS direto na barra ou no menu de favoritos que a Mozilla tirou do Firefox há uns anos. Tem alguns feeds que eu não gosto de ter no NetNewsWire porque eu não leio eles ou porque atualizam frequentemente ou porque é um assunto muito específico que eu gosto só de ler as vezes — e pra esses feeds é melhor eu ter acesso direto no navegador, onde eu posso dar uma olhada nas manchetes e clicar no que me interessar.
  • Notes by Firefox: outra extensão que devia se transformar em recurso integrado. Cria um painel de anotações que se tornou muito útil pra mim no dia-a-dia, principalmente quando quero anotar ideias de post (como essa aqui!) e se integra perfeitamente na barra lateral.
  • Nook: essa extensão tá só pela hora da morte, faz um tempo que não é atualizada, mas ela faz uma coisa muito bem — toca a música horária dos jogos Animal Crossing, que eu acho a trilha perfeita pra trabalhar. Eu queria uma assim pra trilha-sonora do The Sims original também.
  • Save to GoodLinks: depois da morte do Pocket, eu migrei minhas leituras pro GoodLinks. Como ele é só pra sistemas operacionais da Apple, eu uso a extensão pra salvar páginas quando estou navegando no Windows também.
  • Side View: acho que essa extensão foi inspirada num recurso do finado Arc Browser que permitia você ter duas abas abertas na mesma janela ao mesmo tempo. Eu gosto da implementação do Firefox pra isso e eu uso um bocado. Acho que vai ser integrado como recurso nativo em breve.
  • uBlock Origin: o original. Ainda é imbatível.
  • Web Archives: me ajuda a arquivar páginas que eu quero preservar no Web Archive e em outros sites de arquivamento digital. É ótimo e uma mão na roda para enfrentar paywalls.

Depois de voltar pro Thunderbird como meu app de email e calendário padrão em todos os meus computadores, é bom estar 100% de volta ao Firefox depois de tanto tempo também. Tomara que as coisas melhorem pra esse navegador.

IMG_0416

Esses dias eu passei por esse post de Ben Wallace, que comentou sobre a existência de centenas de milhares de vídeos pessoais no YouTube que são, na verdade, públicos — devido a um recurso nas primeiras versões do iOS que permitem que você enviasse os vídeos que você criava na câmera do iPhone direto para sua conta no site.

Eu achei essa “descoberta” emocionante. Tem um quê de encontrar cartas de nossos avós, ou relembrar uma memória com amigos que você tinha esquecido. Não são nossos registros, mas são de outras pessoas. Um lembrete sempre muito bonito dos seres humanos que estão nos outros lados da internet.

Enfim, Riley Walz desenvolveu o IMG_0001, um site para navegar e assistir esses vídeos aleatoriamente. Já foi pro meu speed dial do navegador.

WWW

Jason Kottke, citando um diálogo nos momentos finais de Halt & Catch Fire:

Joe: How did we all get here today? The choices we made? The sheer force of our wills, something like that? Here’s another answer: the winds of fate, random coincidence, some unseen hand pushing us along. Destiny. How did we all get here today? We walked through this door. We don’t have to build a big white box or stadium or invent rock n’ roll. The moment we decide what the Web is, we’ve lost. The moment we try to tell people what to do with it, we’ve lost. All we have to do is build a door and let them inside.

When I was five, my mother took me to the city. And we went through the Holland Tunnel and it was basic, concrete and steel, but it was also my excitement sitting in the backseat, wondering when it was going to be our turn to emerge, it was the explosion of sunlight. And when we exited the tunnel, all of Manhattan was laid out before us. And that was the best part of the trip: the amazing possibility to be able to go anywhere within something that is magnificent and never-ending.

This is the first Web browser, the one CERN built to view and edit research. I wrote it up here for you to see how simple it is. It takes up one whiteboard — that’s basic concrete and steel — but we can take this and we can build a door and we can be the first ones to do it because right now, everyone else sees this…

Donna: …as an online research catalog…

Gordon: …running on NeXT…

Cameron: …on a network in Europe.

Joe: And with this handful of code, we can build the Holland Tunnel.

Essa é uma das melhores traduções da linda possibilidade do que é um navegador, e o que é, em si, navegar na internet.

Kottke:

But the open Web enthusiasts and advocates missed an opportunity to take what the Web was in the 90s and make that available to everyone. Instead of walled gardens like Facebook, Pinterest, and Medium (which echo the closed online services like AOL, Prodigy, and Compuserve that predated the Web), imagine a bunch of smaller services bound together with open protocols where individuals have both freedom and convenience. […] I hope I’m wrong, but with all of the entrenched incumbents and money pumping into online services, I’m afraid that time has truly passed. And it’s breaking my heart.

Agora

Eu não sei se eu vou voltar a ter uma Rede Social Para Mim, como o Twitter foi há mais de uma década. Não parece ser algo que faz sentido na minha vida nesse momento… ter uma presença web daquela forma e tal. Mas eu tô curtindo demais brincar no Tumblr ultimamente. Eu não conheço quase ninguém aqui, e isso é um pouco libertador, eu acho. Eu converso com pessoas que eu não conheço, eu leio textos e vejo fotos de coisas que eu não sei o que são, e assim vou explorando um mundinho novo. E as vezes eu mesmo coloco aqui meus interesses estranhos. Sem muito contexto, sem muita ordem, é mais algo no “fluxo do pensamento”, como o Twitter parecia ser no início. Tá sendo divertido.