Posts sobre softwares

Software simples

Eu tô tentando zerar minha lista de leitura. Ela tem 209 links para ler, catalogar e arquivar. Pra me forçar a ler um pouco todo o dia, vou começar a postar aqui o que eu estou lendo, e talvez um comentário ou destaques.

Hoje, foi TextEdit and the Relief of Simple Software, no The New Yorker.

Kyle Chayka:

Amid the accelerating automation of our computers—and the proliferation of assistants and companions and agents designed to execute tasks for us—I’ve been thinking more about the desktop that’s hidden in the background of the laptop I use every day. […]

Over the past few years, I’ve found myself relying on TextEdit more as every other app has grown more complicated, adding cloud uploads, collaborative editing, and now generative A.I. TextEdit is not connected to the internet, like Google Docs. It is not part of a larger suite of workplace software, like Microsoft Word. You can write in TextEdit, and you can format your writing with a bare minimum of fonts and styling. Those files are stored as RTFs (short for rich-text format), one step up from the most basic TXT file.

I trust in TextEdit. It doesn’t redesign its interface without warning, the way Spotify does; it doesn’t hawk new features, and it doesn’t demand I update the app every other week, as Google Chrome does. […] Each encourages you to adapt to a certain philosophy of organization, with its own formats and filing systems. But nothing has served me better than the brute simplicity of TextEdit, which doesn’t try to help you at all with the process of thinking. Using the app is the closest you can get to writing longhand on a screen. I could make lists on actual paper, of course, but I’ve also found that my brain has been so irredeemably warped by keyboards that I can only really get my thoughts down by typing […]

We users have learned that cloud-based apps and digital platforms are more likely to surveil us, mine our data, and manipulate our attention than to provide us the precise content and services we seek […]

Acho que esse relato de como Chayka usa o editor de texto (e como interage com um desktop) me ajudou a entender porque eu acho que nenhum outro dispositivo — celular, tablet, nada disso — consegue capturar: a ideia de que o computador é uma “bicicleta para a mente”. Usar programas que lidam com arquivos, que nos pedem para organizar e catalogar eles nos fazem pensar na nossa própria organização — eles nos deixam responsáveis pelo nosso próprio pensamento, pela forma como estruturamos ele e a forma que criamos sentido.

Um celular, ao contrário, quer moldar sua organização para a abordagem de um app específico. Olha como a gente adapta nossos pensamentos para as limitações do app de notas que usamos, por exemplo, ou como as limitações na hora de organizar a tela de início de um celular não nos permite criar sentido na forma que operamos o dispositivo, diferente de como organizamos (ou não organizamos) nossa área de trabalho no computador.

Liquid Glass

O Liquid Glass é muito inconsistente no Mac, e isso tá me incomodando muito. Parece até quando o Windows muda de visual, mas fica com “heranças” de redesigns anteriores (como o Explorador de arquivos).

O Safari parece um exemplo de todos os problemas nas inconsistências. A barra lateral, que deveria ser semitransparente, tem um fundo branco. Dá pra ver quando a página da web começa e onde termina a barra lateral. Fica evidente que a barra lateral, nesse caso, só quer ocupar espaço:

Note também como a barra superior tem uma divisão clara entre ela e o conteúdo da janela. Agora, no Finder, essa divisão é diferente, com um gradiente e um filtro de difusão ao invés de uma barra sólida:

Poxa, o Safari é o navegador do macOS, mas não parece ser um aplicativo nativo nem do próprio sistema operacional. Eu sei que o design do Liquid Glass vai amadurecer nas próximas versões, mas o caminho tortuoso vai ser longo se essa é a primeira versão que eles tem pra apresentar.

Eu gosto muito das animações e da profundidade do Liquid Glass no iPad, principalmente nos menus de navegação e nos botões. Ele deve ser realmente impressionante no visionOS. Ele é bem menos impressionante no iPhone e na Apple TV. Mas ele parece muito fora do lugar no Mac. Uma pena.

Haiku OS

Quinta-feira eu instalei o Haiku em uma máquina virtual e tenho brincado desde então… é um sisteminha bastante usável? É super rápido, e a interface é muito bem pensada. Me deu saudades verdadeiras do macOS na época do Snow Leopard, quando botões eram botões e as coisas faziam mais sentido do que os espaços em branco do macOS desde o Big Sur. Tô pensando em pegar um computadorzinho velho em um OLX da vida e instalar ele e ver o que dá.

Temas pro Firefox

Falando em Firefox, eu tô adorando experimentar os temas feitos por Sahara, especificamente os inspirados em consoles retrô e sistemas operacionais antigos. Olha esse inspirado no tema “Oliva” do Windows XP, do controle do GameCube ou das cores da tela do Game Boy

Eu sou um dos seis usuários usando esse tema inspirado no Wii.

Meu Firefox

Depois de mais de uma década usando o Safari como meu navegador principal, eu voltei pro Firefox.

Desde que eu mudei para o Mac em 2010 com meu primeiro MacBook, eu me afeiçoei à simplicidade e velocidade do Safari. Eu também gosto como o WebKit implementa certos recursos de CSS. Antes disso, eu era um usuário ferrenho do Firefox desde ser deixado para trás pelo Opera depois de eles deixarem de usar o Presto na versão 12 (longa história).

Eu nunca deixei de usar o Firefox completamente. Meus computadores do trabalho geralmente são Windows (as vezes, Linux), e neles eu sempre preferi o Firefox. Desde que o Firefox reescreveu uma boa parte da sua arquitetura em Rust ele ficou imbatível pros meus usos no Windows. A trajetória nem sempre é boa — a Mozilla é péssima nos negócios (Lockwise, Pocket 💔) e tirou recursos que eu usava com frequência, como o leitor de RSS embutido — mas muito do que faz o Firefox ser bom é uma constante: o Gecko é poderosíssimo, e as ferramentas para desenvolvedores são ótimas. Foi basicamente no inspetor que eu aprendi a usar a implementação de grids do CSS, por exemplo. A biblioteca de extensões também é a melhor que tem.

O Safari vem me perdendo há uma boa parte desses últimos anos, mas a cartada final foi o Liquid Glass, que tira mais espaço da janela do navegador, mesmo que a interface seja toda feita com o “vidro” que a Apple vai implementar nos OS 26. O Safari vem pecando há anos com a retirada de recursos (isso parece ser comum em navegadores ultimamente?).

O que me fez migrar de vez mesmo foi algo muito mais simples: a barra lateral. A gente não vive mais num mundo em que monitores 4:3 são a ordem do dia, e a necessidade de ficar atulhando a interface com abas que diminuem o eixo vertical (o menor em monitores 16:9!) tava me deixando maluco.

O Safari tem uma barra lateral mas é repleta de bugs (o foco da aba ativa não é consistente!) e muito mal utilizada. Eu não posso colocar botões ali, como eu posso botar na barra superior. Já o Firefox introduziu a barra lateral como beta há um tempo, mas no último mes ela veio para o canal estável e é tudo o que eu precisava. Extensões podem colocar painéis na barra lateral (funciona muito bem com o Side View e com o Notes), e eu posso botar ela em lados distintos (eu gosto da barra lateral abaixo dos botões de controle da janela — à direita no Windows e à esquerda no macOS).

Tem outros recursos que eu prefiro a implementação no Firefox: a ideia de containers ao invés de perfis, como o Chrome/Edge e Safari implementaram. Eu não preciso de uma janela nova para abrir a conta de email do trabalho, por exemplo — eu posso só abrir uma nova aba no container “Trabalho”. A aba recebe uma decoração diferente e eu sei que ali é um outro contexto. Eu tenho containers que isolam e-commerce também, o que evita “sugestões” de compra me perseguindo pela internet se eu procuro por uma capinha pro meu Switch. Ela fica isolada naquele container.

Meu Firefox é mais ou menos assim (no Windows):

E a minha seleção de extensões é essa:

  • Favoritos do iCloud e Senhas do iCloud: depois que a Mozilla descontinuou o Lockwise, eu migrei pro chaveiro integrado do macOS e do iOS e ele é bom o suficiente pra mim. Eu ainda não uso o Firefox no celular, então os favoritos integrados do iCloud me ajudam a manter tudo integrado.
  • Firefox Multi-Account Containers: eu não sei os motivos da Mozilla não ter implementado os containers como um recurso nativo do navegador. Enquanto isso não acontecer, a extensão é obrigatória pra mim, e o melhor recurso do Firefox hoje.
  • Indie Wiki Buddy: me redireciona pra wikis de jogos melhores que as disponíveis no Fandom sempre que um link pra uma wiki do Fandom aparece pra mim. Como eu uso muito wikis de jogos como a do Animal Crossing e de Zelda, e as buscas tendem a preferir as wikis hospedadas no Fandom (que não é um lugar legal na web), essa extensão é uma mão na roda.
  • Livemarks: recupera o recurso de leitor RSS direto na barra ou no menu de favoritos que a Mozilla tirou do Firefox há uns anos. Tem alguns feeds que eu não gosto de ter no NetNewsWire porque eu não leio eles ou porque atualizam frequentemente ou porque é um assunto muito específico que eu gosto só de ler as vezes — e pra esses feeds é melhor eu ter acesso direto no navegador, onde eu posso dar uma olhada nas manchetes e clicar no que me interessar.
  • Notes by Firefox: outra extensão que devia se transformar em recurso integrado. Cria um painel de anotações que se tornou muito útil pra mim no dia-a-dia, principalmente quando quero anotar ideias de post (como essa aqui!) e se integra perfeitamente na barra lateral.
  • Nook: essa extensão tá só pela hora da morte, faz um tempo que não é atualizada, mas ela faz uma coisa muito bem — toca a música horária dos jogos Animal Crossing, que eu acho a trilha perfeita pra trabalhar. Eu queria uma assim pra trilha-sonora do The Sims original também.
  • Save to GoodLinks: depois da morte do Pocket, eu migrei minhas leituras pro GoodLinks. Como ele é só pra sistemas operacionais da Apple, eu uso a extensão pra salvar páginas quando estou navegando no Windows também.
  • Side View: acho que essa extensão foi inspirada num recurso do finado Arc Browser que permitia você ter duas abas abertas na mesma janela ao mesmo tempo. Eu gosto da implementação do Firefox pra isso e eu uso um bocado. Acho que vai ser integrado como recurso nativo em breve.
  • uBlock Origin: o original. Ainda é imbatível.
  • Web Archives: me ajuda a arquivar páginas que eu quero preservar no Web Archive e em outros sites de arquivamento digital. É ótimo e uma mão na roda para enfrentar paywalls.

Depois de voltar pro Thunderbird como meu app de email e calendário padrão em todos os meus computadores, é bom estar 100% de volta ao Firefox depois de tanto tempo também. Tomara que as coisas melhorem pra esse navegador.

A magia do StreetPass

Merrit K, VGBees:

Why have we turned away from the light of local multiplayer and the beauty of fleeting social gaming connections in an era when more people than ever own devices capable of wifi and Bluetooth communication?

Maybe we don’t want to be connected to those around us. The pandemic didn’t help, to be certain, but the trend away from the developments of the early 2010s started long before it hit. The Streetpass LED on the 3DS, an early form of notification, was a joyful signal. Today, we’re bombarded with notifications and alerts, and many of us have grown weary of them. In theory, modern smartphones could support apps with Streetpass-like features, and location-based dating apps are somewhat similar. But that experience of delight at connecting with another player likely wouldn’t be there because of how ubiquitous the hardware has become.

As both millennials who grew up with the internet and watched it transform and zoomers who have only ever known it in its current, centralized and corporatized mode are beginning to reevaluate their relationships to personal technologies, perhaps now is the time to rediscover what has been lost.

Como eu blogo por aqui

O Ghedin trouxe pra esse lado da internet uma corrente gringa de como é o fluxo para blogar.

Eu posto no Tumblr, o que é mais fácil. Alguns posts mais breves surgem do celular ou do navegador mesmo (como uma foto ou uma efêmera). Esse é um deles.

No geral, os textos mais longos são criados de outra forma. Eu demoro pra escrever, então eles nascem e são publicados usando o MarsEdit, onde eu costumo editar meus posts e gerenciar suas tags. O suporte a Markdown na nova versão do MarsEdit melhorou muito, e acho um fluxo de escrita muito melhor que o editor de blocos padrão do Tumblr.

Eu desenvolvi o tema do meu blog pensando nisso. O MarsEdit usa a forma “antiga” de tipos de post do Tumblr, e eles possuem variáveis de template específicas. Já o NPF, o novo formato de posts que é gerado pelo editor de blocos nativo do Tumblr, usa somente o formato de texto com uma estrutura específica, com classes CSS para formatação. Eu basicamente “copiei” a estrutura gerada pelos blocos de link, vídeo, áudio e citação do NPF para o formato clássico. Assim eu posso ter um CSS único para os dois formatos de publicação.

Eu já mantive esse blog com WordPress e com o Jekyll no GitHub Pages, mas a versatilidade de usar o Tumblr no celular para postar uma efemeridade e a simplicidade do seu motor de temas comparado ao Gutenberg nos dias de hoje me trouxe a falta de preocupação que faltava. Domínios personalizados de graça foi um extra (hoje em dia esse é um recurso pago por aqui, mas como fiz o mapeamento há muito tempo, eles mantiveram como algo gratuito).