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Minha dieta cultural nas últimas semanas

Faz um tempo que eu não posto um desses resumões, não é mesmo? Eu mudei de emprego nesse último mês e, como eu não estou acostumado a fazer isso, esse tipo de mudança acaba demandando bastante de mim. Tá melhor agora! A mudança de emprego me fez mudar minha rotina, o que acabou me fazendo muito bem — algo que eu não pensei que poderia melhorar. Uma boa surpresa!

Também tem feito dias lindos por aqui, o que me faz escrever mais em outros lugares, geralmente que eu não publico. Eu escrevi um bocado de ficção nessas últimas semanas, coisa que eu não fazia há uns anos já. Eu também escrevi bastante no meu diário. Isso tem me feito muito bem.

Enfim, eu também não escrevi sobre minha dieta cultural porque, desse último mês, duas semanas inteiras foram dedicadas ao festival de filmes do estúdio Ghibli, que eu postei por aqui quase todos os dias. Foi ótimo, então não vou falar sobre isso. Vou falar sobre as outras coisas que fizeram parte da minha dieta cultural.

Jogos: Hades II, Super Mario Galaxy 1+2

Eu joguei um pouco de Hades II. O primeiro jogo nunca me prendeu muito (não é culpa do jogo, eu que não entro muito na zona mental de rogue-likes), e a mesma coisa aconteceu aqui. O que eu curto muito é a história, o desenvolvimento dos personagens conforme as tentativas-e-erros dos protagonistas vão continuando. Tô achando bem divertido assistir pessoas jogando por causa disso.

Eu joguei um bocado de outros jogos: Europa, Hidden Folks (amo), Alba: A Wildlife Adventure (um charme). Eu também rejoguei meu jogo favorito do ano passado, Monument Valley III. Tudo no Switch.

Meu maior tempo, porém, foi jogando os dois Super Mario Galaxy relançados pro Switch. Demorei um tempo pra me adaptar ao giroscópio dos Joy-Con ao invés da precisão da pontaria do Wii Remote, mas assim que eu peguei o jeito o jogo se abriu de novo. São duas obras-primas — eu terminei hoje de manhã o primeiro —, mas eu sempre vou ter um cantinho especial no coração pro segundo, que eu recém tô começando. Quando eu joguei pela primeira vez, em um verão no ensino médio, cada um dos níveis abria minha mente de um jeito novo. Nenhum outro jogo me inspirou tanto em termos de escrita. Tudo é possível se você der espaço suficiente pro jogador experimentar por ele mesmo. Com os relançamentos no Switch, eu finalmente posso aposentar meu Wii, que ficava ligado só pro caso de eu querer jogar Galaxy 2 de vez em quando. Foram 16 anos bem vividos.

Séries: Task, Hal & Harper

Duas séries com o Mark Ruffalo (🔥): Task na HBO Max e Hal & Harper, no MUBI. Ele tá bom nas duas, mas Hal & Harper, que tá no segundo episódio, talvez seja uma das minhas séries favoritas no ano, e muito por causa da atuação de Ruffalo. Como um pai corroído pela culpa, ele é uma parte do trio de protagonistas. Seus dois filhos, os personagens título, são jovens que cresceram rápido demais. Lili Reinhart, que interpreta a irmã mais velha, Harper, é o centro da série — e ela entrega. A jogada de Cooper Raiff de fazer as memórias de infância serem interpretadas pelos próprios atores na idade adulta parece meio bobo no início, mas ali pelo segundo episódio a série me puxou o tapete de um jeito… eu fiquei chorando por uma boa hora depois que ele acabou. Raiff é um excelente dialoguista.

Task é muito boa, e também é uma série sobre paternidade. Ela não é carnuda como Mare of Easttown, a série anterior do showrunner, que se focava tanto no lugar que você poderia se perder nos becos sem saída do cenário junto com a Mare, mas Task é tão boa tanto, e tem uma das sequências de ação mais fantásticas que eu vi esse ano

Livro: Frankenstein

Eu tô relendo pela terceira vez o Frankenstein de Mary Shelley. Não tenho muito o que dizer sobre esse livro além do fato de ele ser uma obra-prima, e provavelmente o melhor livro que eu já li na minha vida. Ele assombra toda a literatura de ficção científica depois dele, todos os filmes de monstros, e praticamente qualquer videogame. É realmente genial.

Música: West End Girl

Conversando com minha amiga sobre, eu disse que West End Girl parece com “Regret”, a música da Fiona Apple, mas explodida em um disco inteiro. Lilly Allen faz da traição uma montanha russa — com toda a raiva, vergonha, tristeza e redenção que ela vai trazer. Como Fetch the Bolt Cutters, que nos faz cantarolar uma música pesada como “Ladies”, West End Girl cria música-chiclete (o melhor estilo de música-chiclete!) de versos sobre descobrir que o marido tem um “pussy palace”, ou de sentir vergonha da raiva que ela está sentindo da outra. É tão divertido quanto genial.

Minha dieta cultural na última semana

O dia hoje tá lindo, e tá geladinho. Bem como eu gosto. Acho que eu vou pegar o Tobias e ir no Açorianos ler um livro de tarde. Tô pensando em voltar pro Feiticeiro de Terramar agora que terminei Uma Visão Pálida das Colinas, mas esse frescor no ar me pede uma história de mistério. Vou ver o que eu tenho aqui pra ler.

Como eu gosto do frio. Esse provavelmente é o último frio do ano — a primavera chega em algumas semanas, e os dias já estão mais quentes. Hoje amanheceu com 9°C, e eu aproveitei cada segundo tomando um café e vendo o sol se levantar. Vou sentir falta desse friozinho.

A semana foi corrida, profissionalmente falando (eu tô trocando de emprego, longa história), mas mesmo assim deu pra aproveitar bastante. Terminei um livro, vi três filmes (um dia eu alcanço os cinco ou seis por semana que eu via quando era jovem!), tô jogando um punhado de coisas… foi bom!

Livro: Uma Visão Pálida das Colinas (de Kazuo Ishiguro)

Amei. Eu terminei esse livro no sábado passado. Logo depois de terminar de escrever sobre a dieta cultural da semana. Eu achava que a puxada de tapete que acontece na metade da segunda parte do livro era quando Ishiguro ia tirar meu chão, mas ele deixa para as últimas palavras do penúltimo capítulo. Um absurdo de ler. Uma maravilha.

Uma Visão Pálida das Colinas se revela justamente nessa dificuldade de ver que o título sugere. É um livro embaçado e, quando o autor sugere que o que você está lendo é ainda mais incerto do que você imagina, o livro parece se embaçar ainda mais. É um feito difícil de conseguir: tornar a visão incerta do protagonista em algo ainda mais incerto sem que o leitor se sinta traído. Pelo contrário, ele prova nossas suspeitas aqui e ali, mas as peças não se encaixam perfeitamente, a sugestão ainda é imprecisa. Corta que é uma beleza.

Filmes: Interestelar (2014), Invocação do Mal 4: O Último Ritual (2025), Certas Mulheres (2014)

Entre sábado e domingo fez uma madrugada fria, e eu perdi o sono. Eu revi Certas Mulheres, um dos meus filmes favoritos, que é um filme calmo e frio, o que o torna uma boa cobertinha em noites em claro. Eu acho esse um filme perfeito, sutil em como a narrativa progride. Eu amo como a Kelly Reichardt observa essas mulheres trabalhando, se importando em capturar a textura de suas roupas, o frio do ar ao redor delas, o som das folhas e galhos quebrando aos seus pés, o ócio das suas noites. É um filme de solidões, é verdade. E é por isso que é tão lindo quando uma dessas personagens tenta se conectar com alguém. Um daqueles filmes que capturam um milagre.

Segunda-feira fui com a Deise rever o Interestelar do Christopher Nolan. Envelhece bem. Eu não sou o maior fã do diretor, e eu acho que ele precisa urgentemente de um roteirista. O início desse filme é Nolan no seu pior — cheio de frases de efeito que comprovam a inteligência do protagonista contra a burrice de todos os outros. Me fez querer ver Ad Astra de James Gray, um filme também cheio de clichês, mas que os usa para tornar o protagonista cada vez menor em meio à imensidão do espaço. O filme fica muito melhor quando vira um filme espacial de fato, e Nolan pode brincar com a relatividade do tempo, que ele ama tanto. Eu ainda acho que o melhor uso desse artifício ficou lá em O Grande Truque, de 2006, o único filme em que Nolan foi honesto consigo mesmo sobre suas pretenções como artista.

Me decepcionei pra caramba com o Invocação do Mal 4. Eu gosto muito desses filmes, o primeiro é um dos meus filmes de terror favoritos dos anos 2010. Em O Último Ritual, o diretor Michael Chaves tenta demais fazer uma continuação dos dois primeiros filmes da franquia depois do seu desastroso terceiro filme, que fugiu muito à fórmula, se centrando em uma assombração em uma casa. O Último Ritual não entrega nem uma família carismática mas claramente com outros problemas além de paranormais (que é o que faz o primeiro e segundo filme terem tanta textura em seus sustos), nem um bom fantasma. Não há análogo à Basheeba aqui, ou eu cochilei bem na hora que eles expliraram que demônio era esse (eu cochilei por uns 10 minutos nesse filme, eu acho). O filme não consegue unir bem o arco da família e dos Warren, e acaba esquecendo um ou outro por mais de meia hora, o que tira o impulso do filme. Alguém arrasta o James Wan de volta pra essa franquia, por favor.

Silksong chegou quinta-feira e eu sou um zero à esquerda nesse jogo, como de costume. Eu sou bem ruim em metroidvanias em geral, mas eu sou terrível em jogos difíceis. Eu gosto muito da ambientação do jogo, tanto visual quanto narrativa, então quero insistir um pouco. Eu acabei desistindo do Hollow Knight original por causa da dificuldade e acabei assistindo outras pessoas jogarem, mas Silksong tem a mesma qualidade de jogabilidade: os movimentos são bons demais, a resposta aos cliques é forte o suficiente… dá muita vontade de continuar. Inclusive: coisa boa poder pagar menos de 100 reais por um baita jogo.

Além dos jogos eternos que eu continuo jogando (Animal Crossing, Breath of the Wild), eu dei uma jogada em A Link Between Worlds, meu jogo favorito do 3DS. Eu amo como ele é um jogo perfeito para um portátil, e eu acho que é porque a distância do campo de visão é o ideal para esse jogo? Ele é, teoricamente, um jogo de mundo aberto como Breath of the Wild, e a posição da câmera sobre Link é longe o suficiente para sugerir os seus arredores, mas não o suficiente para te fazer questionar o que tem naquela montanha, como é em Breath of the Wild. Me fez sentir uma certa nostalgia por jogos de portátil, que possuem loops de jogabilidade bem sucintos. Sobre isso, Breath of the Wild é meio que excepcional. Seus loops de jogabilidade são modulares o suficiente para você ter objetivos tanto quando está jogando por 20 minutos quanto 12 horas — você quer terminar um shrine antes de dormir, mas tem toda uma montanha para explorar por horas a fio depois disso.

Também me fez querer que jogos do Switch fossem mais adaptativos quanto à como o jogador joga, em relação à câmera. Acho que eu ia ser legal ver mais do horizonte em um Super Mario em 3D quando eu estou jogando na tela grande, mas mais detalhes dos meus arredores quando eu tô jogando no modo portátil.

Séries: Alien: Earth (primeira temporada, episódio 5), Community (primeira temporada)

Me sentindo meio culpado de ter gostado bem mais do quinto episódio de Alien: Earth depois das decepções dos três episódios anteriores… justamente porque a série praticamente só fez um filme de Alien redux. Eu ainda acho que a série quer muito fazer com o filme o que a série de Watchmen fez com o quadrinho, tanto que a estrutura é parecida. Estamos no meio da temporada e a série interrompe sua propulsão para voltar atrás, beber explicitamente da fonte original enquanto revela alguns detalhes que ainda não tinha largado pro espectador. Me parece muito This Extraordinary Being, o magnífico sexto episódio que revela as origens do Justiceiro Mascarado.

Continuo revendo Community (tô nostálgico!), e cheguei nos finalmentes da primeira temporada. Como essa série tem coração nesse início, não é a toa que essa primeira temporada garantiu duas renovações diretas. É o melhor momento tanto para Britta quanto para Chang, que continuam bons na segunda temporada mas degringolam para versões ininteligíveis deles mesmos depois disso. Passei pelo episódio do frango frito, inspirado nos filmes do Martin Scorsese, que eu acho que é um dos melhores episódios temáticos que a série entregou justamente pelo carinho que tem tanto pelos seus personagens quanto pela dinâmica entre eles. Esqueço sempre que esse episódio é a origem do Peitos da Annie, o macaco do Troy. Tô soltando uma risadinha só de escrever essa bobagem.

Minha dieta cultural na última semana

Hoje tá um dia lindo e a temperatura está gostosa. 21°C e ensolarado, com uma brisa leve e gostosa. Vou passar a tarde na praça lendo com o Tobias… mas agora pela manhã, eu tô fazendo feijão. Ontem saí de um dia bem bomba porrada e tiro do trabalho e desci aqui no bar do lado de casa pra tomar uma cerveja com o Erê e me senti bem feliz por ser brasileiro. Sensação boa, essa.

Em outras realizações sobre ser brasileiro, eu decidi que Vale Tudo vai ser a última novela que eu vou acompanhar. Vale Tudo não é tão boa assim (é mais divertido assistir pra falar mal com os amigos) e gasto um tempinho pós-trabalho que eu queria gastar fazendo outras coisas. Como Vale Tudo deve acabar em setembro, e setembro tá logo ali, logo mais vou ter uma mudança na rotina. Vamos ver como vai mudar minha dieta cultural semanal. Vou avisando por aqui.

Filme: Wanda (1970).

Wanda é o único filme dirigido por Barbara Lorden, e que pecado isso, porque Wanda é magnífico. Eu descrevi pro Erê como se John Cassavetes tivesse dirigido o Acossado de Jean-Luc Godard, mas isso não faz justiça ao trabalho de Lorden na direção e na atuação. É justamente na confusão entre as duas coisas que o filme brilha: direção e atuação estão tão intrinsicamente ligadas nesse filme que parece que Lorden controla a câmera com seu olhar, de tanto que a imagem absorve seu estado de espírito em cena. É um filme tão perdido quanto sua personagem principal, que com sua falta de rumo acaba se relacionando com um assaltante e fugindo com ele. Mas Wanda não tem uma “trama” em si. Ela segue acontecimentos que em outros filmes talvez fossem becos sem saída. Mas aqui tudo revela algo sobre Wanda, mesmo que nem ela saiba o que é.

Jogo: The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D (Nintendo 3DS).

Comecei a jogar a versão para o Nintendo 3DS de Ocarina of Time, que eu considero a melhor versão do jogo. Eu tô bem no início — eu acabei de encontrar a Zelda e logo mais vou para Kakariko Village antes de seguir para a vila dos Gorons.

Sempre me esqueço como esse jogo é triste. Sua primeira missão acaba com a morte do seu mentor, e tem uma melancolia já na tela de start que define o tom do jogo todo, mesmo quando ele é bobo (Gorons!). Eu jogo ele no meu New 2DS, que eu particularmente acho o melhor videogame que a Nintendo já fez, e embora o jogo ainda tenha os visuais do Nintendo 64, eu acho ele lindo. Seu trabalho de animação é fantástico, e seu uso esparso das cores é muito inteligente (mesmo que tenha sido uma limitação de hardware). Eu geralmente empaco no reino dos Zoras, vou ver se dessa vez eu avanço mais.

Série: Alien: Earth (primeira temporada, episódio 4).

O episódio dessa semana anda mais com a narrativa, mas eu ainda acho todo o uso da história de Peter Pan aqui meio cansativa. Não consigo parar de comparar com a série de Watchmen que a HBO lançou há uns anos e que usa uma paródia de American Horror Story para pontuar a série também. Mas lá era algo muito mais pontual. Em Alien: Earth a série para pra alinhar a analogia com os personagens o tempo todo. Pelo menos um Xenomorfo nasceu no fim desse episódio, o que é sempre um bom sinal. Logo mais começa o carnaval.

Livro: Uma Visão Pálida das Colinas (de Kazuo Ishiguro).

Ok. Eu cheguei na parte que Ishiguro decide tirar seu chão. Eu tô nos finalmentes do livro. Pelo que diz o progresso no ebook, 68%, mas a progressão é muito rápida, acho que acabo ele esse fim de semana. É incrível como Ishiguro torna um livro bastante interno em um virador de página com muita facilidade. Acho que semana que vem já vou ter mais ideia de onde esse íntimo todo vai dar. Por mais que o livro esteja desabrochando agora, eu não tenho ideia de onde ele quer chegar (e que sentimento legal esse).

Minha dieta cultural na última semana

Tá chovendo bastante por aqui hoje. Dá pra ouvir o vento subir correndo a escadaria aqui do lado de casa. Não vou mentir, eu tava torcendo por essa chuva. Minha semana foi tão movimentada que eu tava torcendo por uma chuvinha pra me forçar a ficar quietinho em casa, tomando café e vendo Gilmore Girls.

Não quero prometer nada, mas quero escrever mais essa semana. Eu fiquei feliz de ter organizado meu tempo bem o suficiente pra conseguir caminhar todos os dias, e pra estudar francês todos os dias. Quem sabe eu vou conseguir escrever todos os dias mais pra frente? Não custa tentar.

Filme: Hard Truths.

Hard Truths (2024) é incrível. Eu amei toda a primeira parte, quando ele se estrutura de um jeito quase que como um filme de esquetes — vemos quatro mulheres, cada uma em um punhado de situações pequenas, e como elas reagem às adversidades dessas situações. Lentamente, Mike Leigh vai tecendo as tramas ao redor delas — as irmãs, a morte da mãe, a relação delas com suas respectivas famílias — sem pressa e sem julgamentos. Criamos uma antipatia tremenda (e muito bem humorada) com Pansy, uma mulher furiosa com sua própria vida e interpretada com uma força descomunal pela Marianne Jean-Baptiste (que se reúne com Leigh depois do magnífico Segredos e Mentiras). Ela é cruel com seu filho, com seu marido, com sua irmã, com suas sobrinhas, e com qualquer pessoa que ouse estar perto dela. Hard Truths é sensível o suficiente para nos mostrar as causas da dor de Pansy, mas não as vê como desculpa para a dor que ela aflige. É incrível, então, que ao final do filme você está aos prantos querendo o melhor para Pansy, que ela consiga se livrar dessa dor tremenda que ela carrega e que ela despeja por aí. Jogada de mestre.

Séries: Alien: Earth, Community.

Terceiro episódio de Alien: Earth não leva a lugar nenhum. Nem sempre isso é um problema. Várias séries se enriquecem em episódios onde “nada acontece” mas tudo acontece também. A gente conhece mais os personagens, ou a série aproveita a falta de movimento para aprofundar as dinâmicas. Não acontece aqui. “Metamorfose” (S01E03) só existe para jogar migalhas dos mistérios que já tínhamos pegado nos dois primeiros episódios — o que a Weyland-Yutani quer? Qual o limite da humanidade dos “meninos perdidos”? Até onde a série vai abraçar essa analogia com Peter Pan???… Meu pé atrás com o Noah Hawley tem seus motivos.

Comecei a rever Community (S01E01 — S01E03). Sempre me impressiono ao lembrar como a primeira temporada tem um coração gigante pra esses personagens. É uma temporada que mostra porque as pessoas se tornam amigas. Muito desse espírito se perde ali pela terceira temporada, quando ela abraça os episódios temáticos com força, mas é justamente o que deu a força pra Community ser o que quisesse em cada episódio.

Jogos: Herdling.

Tava empolgado fazia um tempo pra jogar Herdling (Okomotive), é um jogo em montanhas e me lembra muito os Andes. Eu acho que a versão pro Switch é bem ruim: tem problemas sérios de performance e as texturas parecem ser de jogo do Nintendo 64. Eu imagino que isso é fruto do fato de que o estúdio não recebeu dev kits do Switch 2 antes do lançamento do jogo, e eu espero que eles lancem algumas atualizações para melhorar a performance do jogo no console. Ele parece muito bonito, mas esse port é um pouco desleixado.

Além de Herdling, eu joguei os jogos da rotina também: Breath of the Wild (tô indo pro Domínio de Zora) e Animal Crossing: New Horizons (fiz nada na ilha essa semana, mas tentei pegar o Blue Marlin).

Música: Nina Simone, The Tomato Collection.

Encontrei o CD duplo da coletânea The Tomato Collection (1994) da Nina Simone essa semana. É o mesmo disco que toca durante os momentos finais de Antes do Pôr-do-Sol (Linklater, 2004). Esse CD não existe no Apple Music (e não existia no Spotify quando eu tinha uma conta lá), e a única cópia que encontrei para baixar tinha algumas faixas cortadas — “Porgy” e “But Beautiful”, e “When I Was In My Prime” tinha uma deforminade no final.

O CD, em dois volumes, tem um livreto com um ensaio sobre a curadoria da coleção, e tem algumas das minhas versões favoritas de “Just in Time” (a música que toca no filme do Linklater), “See-Line Woman” e “Ain’t Got No”. Acho que a maioria é ao vivo.

Livro: Uma Visão Pálida das Colinas.

Cheguei na metade do livro, começando a segunda parte, e ainda sinto que ele tá escondendo o jogo de mim. No outro livro de Ishiguro que eu li esse sentimento era comum também, mas a essa altura do livro já dava pra ver que o autor estava desenhando algo. Uma Visão Pálida das Colinas se limita tanto ao ponto de vista de sua protagonista que as limitações dela sobre as outras pessoas (seus anseios, suas frustrações) parece ser a própria história. Não é ruim em nenhuma página, vale dizer. É tão bom estar imerso na mente de Etsuko e naquilo que ela não sabe (principalmente as circunstâncias da vida e morte de sua filha mais velha, Keiko). Toda a realização que Etsuko tem é feita com sutilezas, como uma paisagem que se revela devagar na neblina. Eu ainda acho que o livro vai tirar o meu chão — e talvez o faça justamente dessa forma silenciosa.

Minha dieta cultural na última semana

Tem feito muito frio por aqui, mas tem feito sol. Então eu tento aproveitar o máximo de tempo que eu tenho na rua com o Tobias. O que me dá menos tempo na frente da TV (eu tô tentando ficar menos tempo sentado no sofá, porque eu acabo dormindo), e mais tempo caminhando pela cidade — a coisa que eu mais gosto de fazer de todas. Mesmo assim, consegui fazer minha rotina cultural bem certinha, e fui atualizando esse rascunho pela semana. Agora, sentado no fim da tarde de sábado, vertendo coriza e com uma dor de cabeça descomunal, eu consegui escrever essa introdução. Queria que ela fosse mais inteligente, comentando como foi meu dia (foi um bom dia!), mas o cansaço tá batendo. Talvez semana que vem…

Eu queria ter escrito isso pela manhã, mas eu fiquei tão doente nessa última semana que eu acordei às 9h parecendo que eu apanhei a noite inteira. E isso que eu ando dormindo todos os segundos possíveis. Não escrevi sobre nenhum disco porque eu ainda não parei de tocar Geraes o tempo inteiro. Que disco gigante.

Jogos: Breath of the Wild, New Horizons.

Nada de novo essa semana. Eu tive pouco tempo de jogar na segunda, o dia que eu “reservo” pra isso. O pouco tempo que tive foi fazendo as rondas na minha ilha em Animal Crossing: New Horizons (Switch 2). Eu também cheguei à Vila Kakariko e encontrei a Impa pela primeira vez em Breath of the Wild (também no Switch 2), e comecei meu rumo até Hateno. Eu gosto de fazer esse trajeto a pé, como eu fiz na primeira vez que eu joguei esse jogo. Mais pra frente, quando a gente domina o mapa, esse trajeto é bem curto e comum. Mas nesse início ele parece imenso e perigoso. Bacana demais as mudanças de perspectiva que BOTW provoca no jogador conforme ele vai dominando os sistemas do jogo.

Eu dei uma jogada no beta de Battlefield 6 (PlayStation 5) na sexta-feira. Eu sou péssimo em jogos de tiro. Eu também joguei um pouco de Hades (Switch 2), um jogo que eu jogo muito mas nunca fui muito longe. Dessa vez eu ativei o “modo deus”, porque eu sou péssimo em jogos e só quero me divertir e não me sentir um fracasso. Acho que gostei mais dele assim.

Filme: A Hora do Mal.

Coisa boa ver um filme-montanha-russa como A Hora do Mal (Weapons). Zach Cregger é um baita diretor, e modula o ritmo e o humor do filme pra atingir picos altíssimos até descarrilhar numa loucurada das boas e voltar pros eixos (aqui acaba a analogia com a montanha-russa). É muito bom, muito divertido e muito inesperado. O grande suspense do filme é apresentado no prólogo mesmo, e todo o resto é consequência. Eu amo filmes estruturados assim, dividindo a história em pontos de vista que circulam os mesmos eventos e progridem a narrativa um passo de cada vez. Me lembrou muito a segunda temporada de The Leftovers (HBO), tanto pela angústia dos personagens não saberem o que está acontecendo, quanto pela capacidade de mostrar com bom humor o absurdo da situação quando ela é apresentada por outro ponto de vista (e não existe um elogio melhor). Quando o filme realmente se revela, Cregger já nos tem presos nas mãos dele, e daí ele faz o que ele quiser — e que chacoalhada das boas que é.

Séries: A Idade Dourada, Alien: Earth.

Tô botando A Idade Dourada (HBO, terceira temporada) em dia. A série tá ainda melhor esse ano, com os conflitos confluindo mais naturalmente sem precisar de uma muleta como a guerra das óperas da temporada anterior: tem a crise financeira do George, o casamento da Gladys, a crise no casamento dos Russel. Marion ainda não tem muita história, mas acho que talvez emplaque algo na segunda metade da temporada (tô no quarto episódio ainda!) Eu gosto muito da observação da Kathryn VanArendonk para a Vulture que A Idade Dourada vive numa “zona infinitesimal de consequências”, e a grande sacada da série é de criar o suspense se algum evento vai abalar as estruturas rígidas dessa alta sociedade. Aqui, a todo o momento, parece que tudo está pra mudar, e é muito divertido ver essas mulheres segurando esse mundo no lugar com as próprias mãos.

Comecei os dois primeiros episódios de Alien: Earth (Disney+, primeira temporada). Por enquanto, parece uma mistura perfeita entre o Alien original (1979) e Aliens: O Resgate (1986): tem o terror de estar preso em um lugar com uma máquina de carnificina; e a ação de uma trupe de “heróis” querendo exterminar essa máquina. Eu ainda não abracei muito a analogia da corrida pela imortalidade das grandes corporações que compõem o futuro dessa série com a analogia à Peter Pan. Também tenho um pé atrás com o Noah Hawley: embora eu goste muito das três primeiras temporadas de Fargo e do piloto de Legião, essas séries se perdem muito depois do início e não conseguem parar em pé. Espero que Alien: Earth seja diferente.

Livro: Uma Visão Pálida das Colinas.

Hoje de tarde eu e o Tobias fomos na praça aproveitar o sol e tomar um ar fresco e eu comecei esse livro do Kazuo Ishiguro que carrego há anos no Kindle e nunca comecei a ler. Em duas horas eu engoli metade do livro. Ishiguro é sempre genial, e eu adoro mergulhar nos livros dele sem saber de absolutamente nada antes. A forma com que ele desdobra tanto o interior quanto o exterior dos seus personagens é fascinante — e tem uma limpidez na sua narrativa, que parece que enxugou todo o desnecessário ao redor sem tirar dele a riqueza dos detalhes. Eu ainda não tenho ideia de onde o livro, sobre uma mulher que relembra uma amizade de sua juventude após o suicídio de sua filha mais velha, quer chegar. Mas como em Não Me Abandone Jamais, eu tô adorando ser carregado pelo autor daqui pra lá com tanta delicadeza e com tanta força ao mesmo tempo que eu nem sei se quero descobrir o que ele tá aprontando tão cedo.

(Dei uma pausa no O Feiticeiro de Terramar essa semana pela densidade, meu trabalho tá muito puxado).

Minha dieta cultural na última semana

Eu vou tentar escrever toda semana sobre o que eu tô vendo, lendo, jogando e ouvindo. Eu parei de usar o Letterboxd há uns meses e sinto que eu tô esquecendo dos filmes que eu vejo. Não quero voltar para o Letterboxd por enquanto, então acho que uma boa solução é manter minhas impressões por aqui mesmo. A partir da semana que vem, esses resumos devem ser publicados no sábado pela manhã.

Jogos: skate., Time Flies.

Eu joguei bastante dois testes de jogabilidade: o novo skate. (PlayStation 5), que eu gostei bastante, e o playtest online da Nintendo (Switch 2), que eu ainda não sei o que é e não gostei muito. Eu não joguei os jogos anteriores de Skate pra poder falar, mas eu gostei da fluidez das manobras desse novo. Ele não tá nada otimizado ainda, mas se o mundo aberto tiver mais cheio de gente depois do lançamento (o acesso antecipado vai começar até o fim do ano), acho que vai ser um jogo legal de passar o tempo com os amigos no Discord.

Eu também joguei o curtíssimo Time Flies (Switch 2), e tem a chance dele chegar na minha lista de jogos favoritos no fim do ano (vai ser o segundo lançamento da Panic no top 5 se isso acontecer). É curtinho de propósito e eu achei bem emocionante — me lembrou muito de jogos que eu jogava no Kongregate, e é um grande elogio.

Jogos de rotina continuam sendo Breath of the Wild (recomecei pela enésima vez, mas agora com a desculpa de testar a edição pro Switch 2) e Animal Crossing: New Horizons. Minha ilha finalmente alcançou o nível da Léte original, que eu apaguei sem querer em 2023.

Filme: Amores Materialistas, Superman.

Eu adorei Amores Materialistas (Celine Song, 2025), o novo filme da diretora de Vidas Passadas (2023). Não despedaçou o meu coração como seu filme anterior, mas tem a mesma fluidez. Amei como Song apresenta a personagem da Dakota Johnson, uma verdadeira casamenteira, que procura pares para seus clientes se apaixonarem. Tem uma leveza na forma como Song move a câmera e o ritmo do filme que parece flutuar, o que conversa bem com o humor do filme também.

Gostei muito do novo Superman (James Gunn, 2025). Acho que tem o mesmo feito de Barbie (Greta Gerwig, 2023), de conseguir ser um bom arrasa-quarteirão que tem algo a dizer e que consegue não parar o filme em nenhum momento pra isso. Também assume a inteligência do espectador, o que poupa um bocado de tempo que blockbusters ultimamente parecem perder em tentar justificar ações de seus personagens. Aqui, tudo o que importa sobre esse Super-Homem a gente aprende nas ações e nas suas reações: ele ainda tá começando a ser um super-herói, e está aprendendo a entender onde está sua própria força. É uma ideia muito bacana e muitíssimo bem feita. Me lembrou muito da dinâmica familiar de Os Incríveis (Brad Bird, 2007) e dos desenhos animados de super-herói que davam sábado de manhã na TV. Acho esse o ritmo e o humor correto pro Super-Homem.

Também revi dois filmes: Orgulho e Preconceito (Joe Wrightm, 2005) e O Profeta (Jacques Audiard, 2009), dois favoritos. Wright era tão bom no início da carreira, dá uma tristeza de ver como sua direção ficou cheia de afetação a partir de Anna Karenina (2012). Ele traduz muito bem a fluidez da prosa de Austen em uma câmera que dança entre seus personagens em um filme que não para um segundo, e mesmo assim consegue respirar. Ainda acho O Profeta incrível (é a primeira vez que eu revejo ele em muitos anos). Sempre acho a transformaçào do protagonista em algo ao mesmo tempo inevitável e surpreendente. Dá pra saber logo no início que ele vai se transformar na prisão, mas é muito eficaz como Audiard transforma ele. (Pela primeira vez eu percebi que os intertítulos são, na verdade, a divisão de capítulos do filme…)

Livro: O Feiticeiro de Terramar.

Em 2021 eu li todos os livros do Ciclo Hainish, e agora eu tô começando a ler o ciclo Terramar da Ursula K. Le Guin. O Feiticeiro de Terramar ( ed. Morro Branco) é fundo. É um livro que se passa tanto dentro quanto fora da mente do protagonista, Ged, e é incrível como a escritora captura tão bem sua transformação tanto interna quanto externa, enquanto cria um mundo riquíssimo de histórias, lendas e tradições. Me lembra muito tanto o Princesa Mononoke (Hayao Myazaki, 1997) quanto Zelda na sua fantasia, que faz parte de um mundo que existe muito antes de nós entrarmos nele e continuará quando o livro acaba — e não cai na bobagem de querer contar a história de um escolhido. Algo que eu já sabia que ela evitaria por causa dos seus livros de ficção científica.

Tô lendo devagarinho.

Música: Geraes.

Não consigo parar de ouvir o Geraes (1976) do Milton Nascimento. Nada de novo… Milton cria músicas imensas, e Geraes parece ser a música do fundo das montanhas e do campo. Parece uma música que ecoa pra sempre nos lugares que ela foi cantada. A voz de Milton parece o próprio vento. “O Ceio da Terra” é lindo. (Dei o vinil pro meu pai do dia dos pais).

Minha dieta cultural de janeiro

Eu tô bem contente com esse primeiro mês desde que eu comecei a minha nova “rotina cultural”. Não precisar escolher o que fazer no fim de cada dia liberou muito mais tempo para eu ler, ver e jogar mais. Por exemplo, embora o “dia de ler” seja na terça, o tempo que antes passaria decidindo o que ia fazer na quinta eu acabo usando para ler mais, etc.

Um outro efeito interessante dessa rotina: a pesquisa do filme que eu vou ver, ou do próximo livro que eu vou ler, virou uma diversão. Eu gosto de usar os intervalos do trabalho, ou o meu dia “livre” na sexta, para ler sobre um diretor ou um movimento do cinema que eu quero explorar nas próximas quartas, ou planejar a ida no cinema. É uma empolgaçãozinha que eu não sentia faz tempo. Essa rotina acabou me trazendo aquela curiosidade cultural que eu tinha de volta, e eu tô muito satisfeito com isso.

Enfim. Aí vai um resumo desse início de ano:

  • Filmes: eu corri atrás de alguns dos filmes do ano passado, como Folhas de Outono, Fale Comigo, Anatomia de uma Queda, a restauração de Tempo de Amar e o meu filme de aniversário (e novo favorito!), Segredos de um Escândalo. 2023 foi um bom ano pra filmes!
  • Jogos: pouquíssima coisa nova, eu voltei a jogar Breath of the Wild porque eu sou apaixonado pelo silêncio e a solidão desse jogo, algo que eu sinto falta em Tears of the Kingdom. Eu também dei uma explorada no catálogo do Apple Arcade e joguei um bocado de Outlanders e Japanese Rural Life Adventure. Os dois são joguinhos muito charmosos.
  • Séries: eu comecei a acompanhar a quarta temporada de True Detective, que arrasa (a única temporada boa da série desde a primeira), reprisei as segundas temporadas de The Bear e Somebody Somewhere, e acompanhei a primeira fase de Renascer. Acho que é a novela mais bonita que eu já vi.
  • Livros: eu comecei A Casa de Doces, a continuação espiritual do meu livro favorito (A Visita Cruel do Tempo). Os primeiros dois capítulos são frios demais pro meu gosto, mas logo que Sasha reaparece na história, Jennifer Egan dá aquela imensidão de escopo e emoção na história que atravessa décadas e dezenas de vidas. Ela ainda sabe capturar o tempo, e agora com aquele gostinho da tragédia da promessa do digital. Demorei, mas agora por fevereiro eu engatei nessa leitura.

Amor

Perdido no meio de A Balada do Café Triste tem uma dissertação sobre o amor:

Antes de mais nada, o amor é uma experiência conjunta entre duas pessoas, mas o fato de ser uma experiência conjunta não significa que seja uma experiência semelhante para as duas pessoas envolvidas. Há o amante e o amado, e cada um vem de mundos diferentes. Muitas vezes, o amado é apenas um estímulo para todo amor que, até então, permaneceu guardado no amante. E, de alguma forma, todo amante sabe disso. Ele sente em sua alma que o amor é uma coisa solitária. Ele aprende a conhecer uma nova e estranha solidão, e é este conhecimento que o faz sofrer. Portanto, há somente uma coisa que o amante pode fazer. Ele deve abrigar o seu amor dentro de si, da melhor maneira que conseguir; deve criar para si mesmo um mundo interior totalmente novo, um mundo intenso e estranho, completo em si mesmo. É preciso acrescentar que este amante do qual falamos não precisa necessariamente ser um jovem que economiza para comprar um anel de noivado; este amante pode ser homem, mulher, criança, ou qualquer criatura humana nesta terra.

O ser que é amado também deve ser descrito. As pessoas mais inesperadas podem servir de estímulo para o amor. Um homem pode tornar-se um velho caduco e continuar amando somente uma estranha garota que certa tarde viu nas ruas de Cheehaw, duas décadas antes. Um pastor pode amar uma mulher perdida. O ser amado pode ser trapaceiro, estúpido e cheio de maus hábitos. Sim, e o amante verá seus defeitos tão claramente quanto qualquer outra pessoa. Mas isso não afeta a evolução do seu amor. A mais medíocre das pessoas pode ser objeto de um amor selvagem, extravagante e belo como os lírios envenenados do pântano. Um homem bom pode ser o estímulo para um amor violento e degradado, ou um louco furioso pode fazer nascer na alma de alguém um carinho terno e simples. Portanto, o valor e a qualidade de qualquer amor só podem ser determinados pelo próprio amante.

Por essa razão, a maioria de nós prefere amar a ser amada. Quase todas as pessoas querem ser amantes. E a dura verdade é que, secretamente, a condição de ser amado é insuportável para muitos. O amado teme e odeia o amante, e com toda a razão. O amante necessita desesperadamente da relação com o amado, mesmo que essa experiência não lhe cause senão sofrimento.

— Carson McCullers.

Como voltar a ler

Alissa Wilkinson, Vox:

I always have a book next to wherever I put my phone,” Escoto tells me. “So if I have the urge to check my phone for another useless doomscrolling session, I physically can see the book there. Nine times out of 10, I will choose the book, because I know what’s in store for me if I get on my phone.

Some studies have suggested that reading fiction can increase empathy. But a perhaps even more surprising finding comes from researchers who discovered a short-term decrease in the need for “cognitive closure” in the minds of readers of fiction. In brief, the researchers write, those with a high need for cognitive closure “need to reach a quick conclusion in decision-making and an aversion to ambiguity and confusion,” and thus, when confronted with confusing circumstances, tend to seize on fast explanations and hang on to them. That generally means they’re more susceptible to things like conspiracy theories and poor information, and they become less rational in their thinking. Reading fiction, though, studies have found, tends to retrain the brain to stay open, comfortable with ambiguity, and able to sort through information more carefully.

You’ll never become a reader by wishing you read more, listening exclusively to podcasts, or sitting next to a book while you scroll Instagram. (Even buying books doesn’t make you a reader, as I have, unfortunately, found out.)