Posts sobre natureza

Homenagem à árvore querida

A Luciana escreveu no seu blog um obituário pra uma árvore, companheira do seu dia-a-dia.

Me lembrou do belíssimo relato da morte da sumaúma que comoveu a cidade de Belém, e das pessoas que mandam emails para árvores.

Eu acho esse tipo de relato profundamente triste, sempre. Eu vejo as árvores ao redor da minha rotina como verdadeiras instituições, e é sempre estranho perceber que, seja por consequência de um vendaval, ou porque o prefeito odeia sombra, uma delas não está mais lá. Crescer no meio do mato me fez reagir a esse tipo de mudança de um jeito estranho.

Wiki Loves Earth 2026 no Brasil

A Wikimedia está organizando o Wiki Loves Earth 2026 no Brasil, um concurso de fotografia ambiental para ajudar a registrar e documentar as belezas naturais do mundo. No Brasil, mais de 80% das espécies brasileiras na Wikipédia não têm registros fotográficos, e 40% dos artigos sobre essas espécies não têm nenhuma imagem para ilustrá-los.

A Wikipédia organizou uma página por cada estado para você conferir o que está ao seu alcance para fotografar. Profissionais e amadores são bem vindos. As fotografias que participarem desse concurso precisarão ter uso livre. Segundo a Wikimedia:

Quando você envia uma fotografia sob licença livre, esse invisível ganha forma. O arquivo passa a existir na Wikimedia Commons como dado científico verificável, acessível para sempre a educadores, pesquisadores e cidadãos em qualquer lugar do planeta. Uma única imagem bem documentada pode ilustrar uma espécie na Wikipédia, entrar num estudo de biodiversidade, subsidiar uma política pública de conservação.

Wajã Xipai reflete sobre sua entrevista com António Guterres

Para a SUMAÚMA, um dos melhores sites da internet, Wajã Xipai entrevistou o seccretário-chefe da ONU. Wajã é o primeiro indígena a entrevistar com exclusividade o líder da ONU. A entrevista em si é ótima, mas esse é o relato de Wajã sobre a situação: suas preocupações sobre como abordar suas perguntas, sobre mostrar a cicatriz aberta da Amazônia sem reduzí-la a isso.

Wajã:

Como é ver o planeta-casa do lugar de Guterres aos poucos se convertendo em um lar hostil? Eu sei como é sentir, na pele e na alma. Acredito que na alma ele também entenda como é. Por isso, em vários momentos enquanto ele falava fiquei imaginando como seria a resposta dele se eu o levasse até meu território. Ele teria que sair da única cidade que frequentamos, Altamira, na Amazônia paraense, até minha terra. A viagem seria de voadeira e, dependendo da época do ano, quando os rios podem estar mais ou menos secos, ela duraria de três a seis dias. Uma parte seria navegada pelas águas violentas do Rio Xingu, depois entraria em outro rio, o que corre na minha aldeia, o Iriri.

Então, se a viagem fosse no verão, quando há seca, em vários momentos ele teria que sair da voadeira para ajudar a empurrá-la, porque a cada verão o Iriri vai ficando mais seco, a ponto de a embarcação se arrastar no leito do rio. Ele então poderia ver com seus próprios olhos que o rio também teria tons bem esverdeados por causa da floração de cianobactérias, que se beneficiam da água mais quente e dos nutrientes presentes nos sedimentos jogados pelo garimpo ilegal. Queria perguntar se ele entende o que é ver o rio de sua aldeia mudar de cor.

Nós precisamos retomar o estado selvagem da internet

O melhor ensaio que eu leio em muito tempo, Maria Farrell e Robin Berjon analisam a web como um ambiente, e como eles realmente pode ser “salva”: como uma floresta, não é salvando uma ou outra árvore, ou espécie — mas tentando manter todo o ecossistema vivo e sustentável. Cuidando dos protocolos, dos serviços, dos sites e das pessoas.