Tenham um bom fim de semana

Por aqui estamos com alerta de temporal e vendaval, então eu decidi que meu fim de semana vai ser ficar bem quietinho bem recolhido na minha casinha, assistindo filmes e a nova série, Pluribus. Comprei pipoca e vou fazer um brigadeiro. E por aí, como vai ser o fim de semana?

Eu tô querendo fazer uma maratona de Kentucky Route Zero. Começar no fim da tarde e seguir por todos os atos até amanhã. Eu comento aqui se eu conseguir fazer isso (meu sono geralmente me vence). Ontem eu assisti o Frankenstein do Guillermo Del Toro, e infelizmente não gostei muito — tem algumas coisas que ele acrescenta na história que são bem vindas, como a “maldição da vida” da criatura, mas o resto eu sinto que ele simplificou demais. Hoje eu vou me dedicar à minha ilha no Animal Crossing, já que em janeiro ele vai receber uma nova atualização.

Você gasta demais? Eu adorei essa leitura de A Viagem de Chihiro como uma obra sobre o perigo do consumismo. Sempre bom lembrar que existem outras pessoas no mundo. Você já olhou pro céu hoje? O que você viu?

Como dar uma boa festa

Eu adorei essa lista com 21 dicas de como dar uma boa festa. Tem dicas genuinamente práticas (como colocar comida e bebida em cantos diferentes, pra facilitar as pessoas a se mexerem e conversarem em círculos distintos). E também tem algo que eu acredito muito, mas nunca consegui colocar em palavras: festas são um serviço público. Uri:

Parties are a public service, you’re doing people a favor by throwing them. Someone might meet their new best friend or future lover at your gathering.

Como artistas representavam fogos de artif[ício através do tempo

Adorei esse ensaio de Simon Werrett para a The Public Domain Review sobre os desafios e as formas com que artistas capturavam e representavam pirotecnias no passado, seja na poesia, na ilustração e na pintura.

Achei muito boa a relação que Werrett faz entre a representação do tempo e o efeito dos fogos de artifício, que precisam “quebrar” a regra para serem representados:

To capture smoke might imply the representation of a moment in time in a display, and fireworks images dealt variously with the issue of representing time visually. Most commonly, artists and engravers created a single image capturing a significant moment in a pyrotechnic performance. An image of fireworks on the Seine in front of the Louvre in 1628 by Morel, celebrating the siege of La Rochelle, showed the moment when Perseus (Louis XIII) attacked a Sea Monster (representing Protestantism) to save Andromeda (Catholicism) tied to a rock (La Rochelle).

Hal & Harper

Tem muita arte no mundo sobre como é difícil ser mãe e pai. Eu imagino que seja, mas são poucas as obras que mostram como é difícil ser um filho. Navegar pelas ambições, as expectativas e as frustrações dos adultos que te criam, enquanto você mesmo navega na experiência que é crescer.

Tive essa impressão enquanto assistia Hal & Harper, a minissérie do Cooper Raiff na MUBI, em que dois irmãos precisaram crescer rápido demais para aprender a lidar com o próprio pai.

Descobrindo músicas novas

Três Músicos Tocando Trompas e Flauta
(Sem data, provavelmente de Bernardo Strozzi, 1581—1664)

Desde a pandemia, a minha relação com música tem mudado e se aprofundado muito. Começou com a dobradinha Fetch the Bolt Cutters, da Fiona Apple; e Set My Heart On Fire Immediately, do Perfume Genius. Eu escrevi sobre isso no Pão em 2020.

Eu descobria muita música quando eu era mais jovem. Algumas eram descobertas “herdadas”: grandes discos que eu só descobri muito depois. Outras eram genuínas pérolas, músicas de artistas no MySpace e no Bandcamp que tinham pouquíssimas reproduções. Com o tempo, principalmente com o Spotify e a piora da minha depressão, eu parei de ouvir músicas diferentes da que eu já ouvia — e ouvia elas cada vez menos.

Uma das coisas que mais me ajudaram a voltar a descobrir música foi parar de usar o Spotify e começar a ouvir as recomendações de pessoas — amigos, família, desconhecidos na internet. Realmente ouvir a música que eles têm pra me indicar. É um presente, um pedacinho deles que eles querem compartilhar comigo. Em 2023 eu escrevi sobre essa mudança:

Plataformas como o Last.FM ajudam bastante, claro. O Last.FM tem um algoritmo que recomenda artistas similares aos artias que você ouve, como o Spotify e o Apple Music e o Tidal fazem. Mas uma coisa que o Last.FM tem que os streamings não tem é uma caixa de comentários. É lá que as pérolas estão. Pessoas comentando as influências de uma música ou de um álbum inteiro, ou sobre como tal artista lembra eles de outro artista que eles gostam. Você vai explorando e explorando e quando vê você nem lembra exatamente do trajeto que chegou. É o significado real da expressão “navegar na internet”.

Enfim… recentemente eu venho pegando recomendações de comentários de blogs de música, como o Stereogum. A comunidade do Stereogum é excelente — eles comentam lá há tanto tempo que os próprios comentários das colunas tem suas próprias colunas, com autores recorrentes. É fantástico. Em especial, a coluna “As 5 Melhores Músicas da Semana” é um baú de tesouros. Além das cinco recomendações dos editores, os comentaristas deixam suas próprias recomendações para complementar. A edição dessa semana me apresentou duas artistas fantásticas.

A primeira foi The BPM de Sudan Archives, que serviu de trilha-sonora enquanto eu escrevia esse post:

A outra recomendação é (eu acho) meu disco favorito desse ano: ICONOCLASTS, da Anna von Hausswolff. Olha que barato:

Eu acho essas descobertas empolgantes. Conhecer um artista novo, ver um filme e descobrir ali no meio dele que ele é um novo favorito, ler algo que acaba tirando teu chão do melhor jeito… É uma sensação única. Como se o mundo estivesse se abrindo pra nós.

Ann Druyan comenta sobre seu tempo com Carl Sagan

Ann Druyan na Skeptical Inquirer em 2003 (via oncewild no Tumblr):

“When my husband died, because he was so famous and known for not being a believer, many people would come up to me – it still sometimes happens – and ask me if Carl changed at the end and converted to a belief in an afterlife. They also frequently ask me if I think I will see him again. Carl faced his death with unflagging courage and never sought refuge in illusions. The tragedy was that we knew we would never see each other again. I don’t ever expect to be reunited with Carl. But the great thing is that when we were together, for nearly twenty years, we lived with a vivid appreciation of how brief and precious life is. We never trivialized the meaning of death by pretending it was anything other than a final parting. Every single moment that we were alive and we were together was miraculous – not miraculous in the sense of inexplicable or supernatural. We knew we were beneficiaries of chance… That pure chance could be so generous and so kind… That we could find each other, as Carl wrote so beautifully in Cosmos, you know, in the vastness of space and the immensity of time… That we could be together for twenty years. That is something which sustains me and it’s much more meaningful… The way he treated me and the way I treated him, the way we took care of each other and our family, while he lived.

That is so much more important than the idea I will see him someday.

I don’t think I’ll ever see Carl again. But I saw him. We saw each other. We found each other in the cosmos, and that was wonderful.”

Tenham um bom fim de semana

O que vocês vão fazer esse fim de semana?

Eu vou assistir O Agente Secreto na cinemateca aqui perto de casa. Talvez eu vá num rodízio de pastel depois disso com meus amigos (se a quantidade suficiente de fome bater na gente depois da sessão). Domingo eu estipulei que vai ser meu dia de preguiça oficial. Não quero nem fazer planos pra ele.

O tempo deve ficar bonito aqui na cidade, talvez eu saia pra caminhar em algum momento. Eu tô curtindo muito minha nova rotina — sentar no parque perto de casa pra ler. Eu tô relendo o Frankenstein da Mary Shelley, um livro que me capturou completamente há muitos anos. É excelente!

Vocês sabiam que a Wikipédia tem um grupo de voluntários que se empenham em tirar retratos de pessoas para seus artigos? Eu amo a Wikipédia demais.

Uma leitura pro fim de semana:

Fiquem bem, fiquem seguros.

“Oi, sou eu, Wikipédia, e eu estou pronta para seu pedido de desculpas”

Wikipédia, provavelmente:

Tell me, how have you guardians of facts been doing recently? (See also: Techno-Feudalist Infocide.)

Maybe twenty years ago, the alternative to my 100,000 crowd-sourced editors was a PhD expert, or Edward R. Murrow [citation needed]. But today, I’m not looking so bad, huh? Absolute best case, the LLM-generated legal advice you get is merely plagiarizing, probably from me. But more likely, it’s a mish-mash of Reddit posts filtered through an algorithm coded by a Belarusian teenager on the run from Interpol. (See also:Illya “CyberGhost” Cieraškovič, Controversies.)

Perfeito. Você pode doar para a Wikipédia.

Nintendo atualiza Animal Crossing: New Horizons de novo, quatro anos depois

Animal Crossing: New Horizons vai receber uma nova atualização dia 15 de janeiro (presente de aniversário!), além de uma versão melhorada para o Nintendo Switch 2.

A atualização, que vai estar disponível tanto na edição nova quanto no Switch original, traz uma série de melhorias no recurso de DIY (os jogadores podem “montar” móveis e acessórios para mobiliar sua casa e decorar a ilha), e nova jogabilidade: a ilha vai receber um hotel, que os jogadores vão poder ajudar a decorar e a receber hóspedes — é o mais novo “emprego” que o jogo oferece, depois da expansão Happy Home Paradise nos fazer decorar uma outra ilha inteira —, um serviço de limpeza do sr. Resetti e uma nova ilha colaborativa para que você possa decorar com seus amigos através da dimensão de sonhos da Luma. Além disso, a atualização vai trazer novos itens e colaboração com Lego e as séries The Legend of Zelda e Splatoon.

Já a versão melhorada para Nintendo Switch 2 vai oferecer suporte ao GameChat e os recursos online foram expandidos de 8 para 12 jogadores simultâneos. O jogo também foi remasterizado em 4K.

New Horizons talvez seja o jogo que eu mais joguei na minha vida. Eu ainda jogo quase que diariamente. Quando lançou, em 2020, nos primeiros dias do isolamento social da pandemia, parecia um refúgio pra mim e pros meus amigos. Eu escrevi pela primeira vez em maio daquele ano, sem muita perspectiva do que ainda estava por vir. Em outubro de 2020 New Horizons já fazia parte da minha rotina e da minha vida social de maneiras irreversíveis. Em dezembro de 2021, quando as coisas estavam começando a voltar a uma nova normalidade, a Nintendo anunciou uma suposta “última atualização”, e o jogo ficou para trás nas conversas do dia-a-dia.

Mas não pra mim. Eu tenho um problema de desapego muito forte. Eu não consigo dizer adeus à Léte, minha ilha, nem pros meus vizinhos. E eu acho que eu não quero também. Animal Crossing é um jogo que parece jardinagem. Ele muda com o tempo de maneiras sutis, mas reflete mais as mudanças do jogador. Nossos interesses, nosso cuidado. Tudo isso vai mudando com o tempo. Nesses cinco anos em que eu jogo New Horizons quase que diariamente, o mundo mudou completamente. É um jogo da COVID, de certa forma. É um jogo do mundo depois dela também.

Happiness

So early it’s still almost dark out.
I’m near the window with coffee,
and the usual early morning stuff
that passes for thought.
When I see the boy and his friend
walking up the road
to deliver the newspaper.
They wear caps and sweaters,
and one boy has a bag over his shoulder.
They are so happy
they aren’t saying anything, these boys.
I think if they could, they would take
each other’s arm.
It’s early in the morning,
and they are doing this thing together.
They come on, slowly.
The sky is taking on light,
though the moon still hangs pale over the water.
Such beauty that for a minute
death and ambition, even love,
doesn’t enter into this.
Happiness. It comes on
unexpectedly. And goes beyond, really,
any early morning talk about it.

— Raymond Carver

Wajã Xipai reflete sobre sua entrevista com António Guterres

Para a SUMAÚMA, um dos melhores sites da internet, Wajã Xipai entrevistou o seccretário-chefe da ONU. Wajã é o primeiro indígena a entrevistar com exclusividade o líder da ONU. A entrevista em si é ótima, mas esse é o relato de Wajã sobre a situação: suas preocupações sobre como abordar suas perguntas, sobre mostrar a cicatriz aberta da Amazônia sem reduzí-la a isso.

Wajã:

Como é ver o planeta-casa do lugar de Guterres aos poucos se convertendo em um lar hostil? Eu sei como é sentir, na pele e na alma. Acredito que na alma ele também entenda como é. Por isso, em vários momentos enquanto ele falava fiquei imaginando como seria a resposta dele se eu o levasse até meu território. Ele teria que sair da única cidade que frequentamos, Altamira, na Amazônia paraense, até minha terra. A viagem seria de voadeira e, dependendo da época do ano, quando os rios podem estar mais ou menos secos, ela duraria de três a seis dias. Uma parte seria navegada pelas águas violentas do Rio Xingu, depois entraria em outro rio, o que corre na minha aldeia, o Iriri.

Então, se a viagem fosse no verão, quando há seca, em vários momentos ele teria que sair da voadeira para ajudar a empurrá-la, porque a cada verão o Iriri vai ficando mais seco, a ponto de a embarcação se arrastar no leito do rio. Ele então poderia ver com seus próprios olhos que o rio também teria tons bem esverdeados por causa da floração de cianobactérias, que se beneficiam da água mais quente e dos nutrientes presentes nos sedimentos jogados pelo garimpo ilegal. Queria perguntar se ele entende o que é ver o rio de sua aldeia mudar de cor.

Irrelefante

Em 2013 eu criei um blog colaborativo com meus amigos, o Pão com Mortadela. Com o tempo, meus amigos seguiram em frente com outros projetos e o Pão foi sendo mantido quase exclusivamente por mim. Em 2024, eu decidi “arquivar” o Pão com um último post.

Hoje eu comecei um blog novo, com a mesma ideia do Pão, com textos sobre coisas que eu gosto, links para descobertas bacanas na internet, e qualquer outra coisa que eu ache interessante. Você pode acessar o Irrelefante acessando irrelefante.com.br. Você também pode seguir ele no Tumblr ou assinando o feed.

Rattlesnake Kate

Eu tô fascinado pela história de Katherine Slaughterback que estava indo com seu filho para um lago e se deparou com mais de cem cascavéis migrando. Ela matou as 140 cobras primeiro com seu rifle e, quando acabaram as balas, com uma placa que (dizem os rumores) dizia “Caça Proibida”. Amanhã, esse causo completa um século.

O artigo na Wikipédia é uma daquelas pérolas em que o tom “neutro” dos artigos só ressalta ainda mais o absurdo da história. Entre os detalhes sobre Katherine está o fato de ela usar calças, “o que era incomum para mulheres em sua época”.

Anos depois, Kate criaria cascavéis para ordenhar o veneno e vendê-lo para cientistas na Califórnia. Ela faleceu em 1969, aos 76 anos.

Minha dieta cultural nas últimas semanas

Faz um tempo que eu não posto um desses resumões, não é mesmo? Eu mudei de emprego nesse último mês e, como eu não estou acostumado a fazer isso, esse tipo de mudança acaba demandando bastante de mim. Tá melhor agora! A mudança de emprego me fez mudar minha rotina, o que acabou me fazendo muito bem — algo que eu não pensei que poderia melhorar. Uma boa surpresa!

Também tem feito dias lindos por aqui, o que me faz escrever mais em outros lugares, geralmente que eu não publico. Eu escrevi um bocado de ficção nessas últimas semanas, coisa que eu não fazia há uns anos já. Eu também escrevi bastante no meu diário. Isso tem me feito muito bem.

Enfim, eu também não escrevi sobre minha dieta cultural porque, desse último mês, duas semanas inteiras foram dedicadas ao festival de filmes do estúdio Ghibli, que eu postei por aqui quase todos os dias. Foi ótimo, então não vou falar sobre isso. Vou falar sobre as outras coisas que fizeram parte da minha dieta cultural.

Jogos: Hades II, Super Mario Galaxy 1+2

Eu joguei um pouco de Hades II. O primeiro jogo nunca me prendeu muito (não é culpa do jogo, eu que não entro muito na zona mental de rogue-likes), e a mesma coisa aconteceu aqui. O que eu curto muito é a história, o desenvolvimento dos personagens conforme as tentativas-e-erros dos protagonistas vão continuando. Tô achando bem divertido assistir pessoas jogando por causa disso.

Eu joguei um bocado de outros jogos: Europa, Hidden Folks (amo), Alba: A Wildlife Adventure (um charme). Eu também rejoguei meu jogo favorito do ano passado, Monument Valley III. Tudo no Switch.

Meu maior tempo, porém, foi jogando os dois Super Mario Galaxy relançados pro Switch. Demorei um tempo pra me adaptar ao giroscópio dos Joy-Con ao invés da precisão da pontaria do Wii Remote, mas assim que eu peguei o jeito o jogo se abriu de novo. São duas obras-primas — eu terminei hoje de manhã o primeiro —, mas eu sempre vou ter um cantinho especial no coração pro segundo, que eu recém tô começando. Quando eu joguei pela primeira vez, em um verão no ensino médio, cada um dos níveis abria minha mente de um jeito novo. Nenhum outro jogo me inspirou tanto em termos de escrita. Tudo é possível se você der espaço suficiente pro jogador experimentar por ele mesmo. Com os relançamentos no Switch, eu finalmente posso aposentar meu Wii, que ficava ligado só pro caso de eu querer jogar Galaxy 2 de vez em quando. Foram 16 anos bem vividos.

Séries: Task, Hal & Harper

Duas séries com o Mark Ruffalo (🔥): Task na HBO Max e Hal & Harper, no MUBI. Ele tá bom nas duas, mas Hal & Harper, que tá no segundo episódio, talvez seja uma das minhas séries favoritas no ano, e muito por causa da atuação de Ruffalo. Como um pai corroído pela culpa, ele é uma parte do trio de protagonistas. Seus dois filhos, os personagens título, são jovens que cresceram rápido demais. Lili Reinhart, que interpreta a irmã mais velha, Harper, é o centro da série — e ela entrega. A jogada de Cooper Raiff de fazer as memórias de infância serem interpretadas pelos próprios atores na idade adulta parece meio bobo no início, mas ali pelo segundo episódio a série me puxou o tapete de um jeito… eu fiquei chorando por uma boa hora depois que ele acabou. Raiff é um excelente dialoguista.

Task é muito boa, e também é uma série sobre paternidade. Ela não é carnuda como Mare of Easttown, a série anterior do showrunner, que se focava tanto no lugar que você poderia se perder nos becos sem saída do cenário junto com a Mare, mas Task é tão boa tanto, e tem uma das sequências de ação mais fantásticas que eu vi esse ano

Livro: Frankenstein

Eu tô relendo pela terceira vez o Frankenstein de Mary Shelley. Não tenho muito o que dizer sobre esse livro além do fato de ele ser uma obra-prima, e provavelmente o melhor livro que eu já li na minha vida. Ele assombra toda a literatura de ficção científica depois dele, todos os filmes de monstros, e praticamente qualquer videogame. É realmente genial.

Música: West End Girl

Conversando com minha amiga sobre, eu disse que West End Girl parece com “Regret”, a música da Fiona Apple, mas explodida em um disco inteiro. Lilly Allen faz da traição uma montanha russa — com toda a raiva, vergonha, tristeza e redenção que ela vai trazer. Como Fetch the Bolt Cutters, que nos faz cantarolar uma música pesada como “Ladies”, West End Girl cria música-chiclete (o melhor estilo de música-chiclete!) de versos sobre descobrir que o marido tem um “pussy palace”, ou de sentir vergonha da raiva que ela está sentindo da outra. É tão divertido quanto genial.

door.link

Falando em música, semana passada eu encontrei um link pro site door.link no meu menu de favoritos do navegador. Eu não sei como ele foi parar lá, pra falar a verdade, mas acabou que door.link tem músicas excelentes pra passar o dia.

É exatamente isso que tem no site: uma seleção de músicas (197 no dia de hoje) “escolhidas a mão, crescendo com o tempo, livre de algoritmo”. Eu não faço ideia como esse link apareceu no meu menu de favoritos, mas tá aí uma boa descoberta.

Ghibli Fest: Dia 10

Eu atrasei total esse post, e peço desculpas. Os últimos dias no trabalho — meus últimos dias na empresa que eu trabalhei pelos últimos anos — foram intensos.

Essa primeira etapa do Ghibli Fest acabou com dois filmes charmosos. Sussurros do Coração, que passou na terça-feira, é uma pérola. Um romance que tem um cenário tão marcante que eu nem sabia que ficava na memória com tanta intensidade: a loja de antiguidades que a protagonista Shizuku conhece depois de seguir um gato. Eu amo uma história de amor impossível, e a história de amor que Sussurros do Coração revela (não a dos protagonistas, mas a que existe nessa loja de antiguidades) é bem do tipinho que eu gosto. Toda a trama da frustração que é escrever também é muito a minha zona — e de uma especificidade deliciosa. O jeito como Shizuku parece aliviada a finalmente tirar essa história de dentro de si é linda.

Ponyo “anda” por cima dos espíritos do mar

Já Ponyo, que parece ser o menor filme do Miyazaki em escopo, também é uma pérola. Também é uma história de amor, bem A Pequena Sereia das ideias, mas é contada com tanto vigor e com tanta sinceridade que desarma qualquer um. Fora que a água é o cenário pra Miyazaki — a fluidez do movimento de seus filmes parece ainda maior quando tem líquidos envolvidos. É um bom filme pra acabar essa primeira parte da mostra, pensando em retrospecto. Não é A Viagem de Chihiro ou Totoro, mas deixa um gostinho de quero mais na boca, e uma satisfação no final da sessão. Bem aquilo que a gente quer.