Posts em 2023

As cinco melhores coisas de 2023

Ilustração: Raul Fontoura

Duas coisas que percebi fazendo a lista de fim de ano do Pão em 2023:

  1. Minha dieta cultural esse ano foi bem rala. Um pouco culpa do trabalho. Um pouco culpa de Eventos Acontecendo Em Minha Vida (contas).
  2. Eu desaprendi a escrever. Meu maior norte (conte o que acontece, não o que faz) ao escrever minhas resenhas não acontece nas cápsulas a seguir. Me desculpem, eu estou destreinado.

Eu escrevi pouco em 2023. E escrevi menos ainda sobre cultura em 2023. Não é culpa do que eu vi, joguei, li, ouvi, cliquei, etc. Escrever é terapêutico pra mim, mas muito desse último ano eu me descuidei da minha saúde mental, de desvendar o que eu estou sentindo. Eu também fui perdendo, aos poucos, a vontade de falar o que eu estou sentindo ou o que eu experimentei. É algo que eu quero mudar em 2024, e espero que meus queridos leitores, fieis escudeiros, estejam dispostos — eu estou empolgado para uma penca de filmes que vão estrear nos próximos três meses! Espero que estejam preparados para minhas péssimas opiniões!!

Enfim… não foi um ano ruim. Eu consegui realizar meu plano de assistir filmes majoritariamente no cinema, por exemplo. E de jogar quase todos os jogos que eu quis jogar. Eu tive tempo, e eu tive disposição. Mas eu não sei o que houve, mas na maioria das vezes eu não tinha palavras pra descrever o que eu sentia. É pura falta de prática. Como corrida, que eu também parei na segunda parte desse ano, eu só preciso exercitar um pouquinho mais pro ritmo das ideias voltarem. Eu só preciso me organizar. Eu planejo me organizar. Só essa semana eu escrevi bem mais que meses inteiros nesse último ano! Eu tô empolgado por 2024. Vocês acreditam que o blog vai fazer onze anos? Foi nessa idade que eu aprendi a ler!

O filme

Todo ano eu fico com esse questionamento. Meu filme do ano é a melhor experiência que eu tive no cinema (Barbie)? Ou é o filme que mais me deu material pra pensar (Tár)? Ou é o filme que simplesmente me conectou àquela cinefilia adormecida dentro de mim (Showing Up)?

Assassinos da Lua de Flores não é nenhum desses casos. Mas é o meu filme do ano. O filme que eu saí do cinema sabendo que uma parte de mim mudou, que uma parte de mim nunca tinha visto nada igual. Em parte, porque é um dos meus tipos de filme favorito: parece ser uma coisa, mas Scorsese está fazendo outra. E, quando a gente percebe o que ele está fazendo, o filme se abre na nossa frente. Parece mais um dos seus filmes de gângster, mas Assassinos da Lua de Flores é muito mais. É uma história de amor doentio, de uma ganância monstruosa, da beleza arrancada e perdida dos povos nativos. Tudo isso sob os olhos da melhor atriz de sua geração, com Lilly Gladstone entregando ondas de emoção inteiras através de seu olhar, impenetrável e dilacerante.

Tudo isso. Tudo isso enquanto Scorsese se questiona, o tempo todo e humildemente, se ele é capaz de contar essa história como deveria ser contada. Se ele tem o que é capaz de ver através dos olhos de sua protagonista como ele queria tanto ver. Se ele fez jus à história dela. Nem ele, o grande mestre do cinema ainda vivo, sabe responder. É uma cicatriz que ele deixa à mostra para seu espectador.

E também:

  • Barbie (Greta Gerwig, 2023). Provavelmente o filme do ano? Eu sou fascinado pelo cinema de Gerwig, que com apenas três filmes já tem o que é provavelmente a melhor adaptação de um livro para a tela, e agora esse feito inacreditável de um filme realmente questionador, usando o dinheiro de uma mega-corporação. Na primeira vez que eu assisti, ficava me perguntando como a Mattel permitiu um filme desses. Mas foi na segunda, no natal com minha família, que eu me deparei com o filme muito sensível que existe por baixo do conceito de fachada. Uma dramédia às avessas sobre pessoas não aceitando seu espaço na sociedade, e como elas agem para mudar. Umas se fingem de mortas, outras criam o patriarcado, outras conversam umas com as outras e mudam de pouquinho em pouquinho. Quero que o Caetano cresça com esse filme por perto.
  • Monster (Hirokazu Kore-eda, 2023). Até dezembro, Assassinos da Lua de Flores tinha o meu final favorito do ano. Mas Kore-eda fez o que eu achei impossível: um filme tão bem construído que a mera ideia de um final feliz parece um sonho. Não é só de final que Monster se sustenta, é claro. Talvez o melhor roteiro que eu já tenha visto em tela desde que David Fincher encarou o Facebook, aqui vários pontos de vista se juntam para moldar uma história que eu acharia um crime dar mais detalhes. Grande parte da beleza desse filme tão sensível, tão delicado, está na forma que Kore-eda desdobra-o em nossa frente, com sua precisão estética igualmente sensível. É avassalador, mas também sabe ser belíssimo.
  • Showing Up (Kelly Reichardt, 2022). Não tem nem previsão de estreia no Brasil, mas Showing Up é mais uma obra-prima de uma diretora que nunca fez um filme menos que impecável. Eu escrevi no meio do ano como esse filme parece conversar com uma parte de mim que acredita no processo artístico como uma forma de arte em si. Mas Showing Up não é tão chato: é uma comédia sobre uma mulher querendo fazer arte, mas a vida se intrometendo no meio. E é nesse vai-e-vem de vida e trabalho que Reichardt, com a ajuda de sua grande escudeira Michelle Williams, encontra sua arte. A arte do processo, das pequenas coisas, que se constroem devagar. Que preciosidade de filme.

Tár (Todd Field, 2022). Nenhum filme esse ano me deu material como o novo do Todd Field. Tár é um colosso de cinema, daqueles poucos filmes que tudo reverbera, que é difícil de apontar e classificar. E, ainda assim, é bem claro sobre o que ele quer: dissecar a alma de uma regente no topo do mundo, no seu poder máximo. Quando se tá no topo, porém, o único movimento possível é a queda. E Tár dá tons operísticos à queda de sua personagem título (Cate Blanchett, em uma performance pra vida toda). O verdadeiro filme ruminante — pra ficar mastigando por meses após visto.

O jogo

Eu me debati muito se Mario ou Zelda levariam esse ano, mas foi em uma breve conversa com o Erê, a qual transcreverei abaixo, em que isso foi decidido:

Arthur: É Mario ou Zelda?
Erê: Zelda, né?
Arthur: É, é Zelda.

Significativo, porque Tears of the Kingdom, a continuação do monumental Breath of the Wild, só fez sentido pra mim quando eu compartilhei o controle com o Erê, e nós tivemos algumas das madrugadas mais divertidas que eu tive em anos. Não só pra ver o que é possível de fazer nesse jogo gigantesco, mas também pra poder dividir essa aventura com alguém. TotK é um jogo de se criar histórias — sobre como você subiu aquela montanha, ou como construiu algo para enfrentar aquele quebra-cabeça — e depois contá-las, compartilhar notas e descobertas. É um jogo comunal, como seu antecessor foi, que expande e aprofunda os conceitos de BotW. Nem sempre de maneiras necessárias, mas sempre inesquecíveis.

E também:

  • Cocoon (Geometric Interactive; PlayStation, Switch, Windows, Xbox). Como seus antecessores, Limbo e Inside, Cocoon maneja entrar na sua mente. À primeira vista, parece ser um daqueles jogos que se joga automaticamente, que as respostas para seus quebra-cabeças são fáceis demais, ou lineares demais. Mas é a pura alquimia do próprio jogo: de apresentar seus conceitos tão bem e espaçá-los com uma cadência precisa para fazer você pensar na velocidade que seus desenvolvedores delimitaram. É uma delícia de jogar. De uma fluidez de botar inveja em muitos arrasa-quarteirão por aí.
  • Japanese Rural Life Adventure (GameSTART, Apple Arcade). Obrigado Victor, que me apresentou esse jogo depois de eu (finalmente) aposentar minha ilha em Animal Crossing. JRLA é, acredite, um Stardew Valley aperfeiçoado. Um simulador rural simples, mas charmoso, que me fez perder horas do meu dia enquanto eu tentava coletar bambu o suficiente para construir meu templo. Me fez querer ir morar numa fazenda no Japão, e a me questionar se minhas preocupações são realmente preocupações. Tá aí um novo objetivo de vida.
  • Lil Gator Game (MegaWobble; macOS, PlayStation, Switch, Windows, Xbox). Não foi só Breath of the Wild que ganhou continuação esse ano. Outro jogo seminal dos anos 2010, A Short Hike, ganhou uma sequência espiritual com esse jogo de aventura carismático e delicado. Inspirado em BotW e, de maneiras peculiares, Link’s Awakening, Lil Gator Game é uma aventura sobre um irmão se deparando com uma irmã que cresceu para além de suas brincadeiras de infância. Curtinho e lindo, foi uma boa entrada para o mundo de Zelda antes de Tears of the Kingdom chegar.
  • Super Mario Bros. Wonder (Nintendo, Switch). Esse é o melhor Super Mario desde Super Mario World (e tenho dito!!!), um jogo pingando criatividade e genialidade, imenso sem ser maçante. O único jogo que eu joguei esse ano em que eu cogitei que, talvez, tivesse superado TotK em sua engenhosidade. Em alguns momentos, eu ainda acho que sim. É tão — mas tão — divertido, de maneiras completamente inesperadas, que foi como jogar um Super Mario pela primeira vez outra vez. Que tipo de feito grandioso, e impossível, é esse?

A música

Sabe o que eu mais gosto nos mitos de criação? Como eles dão precisão para os verbos mais complicados. Atos como criar a luz, ou assoprar a vida, são maiores do que a minha cabeça pode compreender. Mas eles trazem essa complexidade inteira com um toque de fascínio, de mágica.

Foi exatamente o mesmo sentimento, de excitação, de presenciar essa mágica primordial que dá vida e que cria sentido, que eu senti ao ouvir The Great Collapse, uma das músicas que Joe Hisaishi compôs para O Menino e a Garça, pela primeira vez. Como ver alguém dobrar um origami na frente dos meus olhos pela primeira vez. Ver algo que eu não sabia o que seria ganhar forma, e então significado. Eu não sei exatamente o que é isso que se cria ao ouvir essa música. Mas ele é real, eu sinto ele no fundo do meu peito. No infinito da minha mente.

E também:

  • A Running Start (Sufjan Stevens, Javelin). O delicado novo álbum do Sufjan Stevens é pra se ouvir de manhã, tomando café. De certa forma, qualquer música dele poderia estar nessa lista (foi, e ainda é, um dos álbuns que eu mais ouvi logo depois de acordar nos sábados). Mas tem algo em A Running Start que me chama a atenção. Talvez seja o lampejo de animação, ou talvez seja porque ela me faz parar e prestar atenção, não só servir como música de fundo enquanto eu lavo a louça do café da manhã. É íntima, como todo Javelin, mas é estranhamente etérea, como uma música ambiente. Entra na pele.
  • Deceiver (M83, Fantasy). O novo álbum do M83 foi a trilha-sonora do meu ano. Deceiver, em especial, me acompanhou em dois dos momentos mais inesquecíveis que eu tive. Muito pelo fato de eu estar ouvindo a música certa na hora certa: o primeiro raio de sol em uma estrada infinita, e Anthony Gonzalez gritando “distance driver” com aquela imensidão musical que ele sabe criar? Foi a minha música do ano até o novo trabalho do Joe Hisaishi aparecer, quase que no último minuto.
  • Madrugada Maldita (FBC, O Amor, o Perdão e a Tecnologia Irão Nos Levar Para Outro Planeta). A batida dessa música, a abertura do disco, é a mais contagiante que eu ouvi em anos. As letras continuam sendo o que menos me impressiona no trabalho de FBC, mas ele trabalha com o som que as acompanha em um espaço todo dele. Madrugada Maldita é uma daquelas músicas que eu não teria problema nenhum se durasse para sempre.
  • One Without (Oliver Coates, Aftersun). Provavelmente a música que eu mais ouvi esse ano, essa faixa da trilha-sonora de Aftersun me ajudou a decodificar o que torna o filme tão eficaz, e algo que eu tentei traduzir nesse texto. É um trabalho fantástico de entender o tom de um filme e transpô-lo para outro meio. É como ouvir a maré de um mar até então silencioso finalmente rugir.

A série

Talvez seja a resposta mais óbvia de se dar, mas também é a única que eu consigo. Misturando o tom farsesco com uma tragédia shakespereana, Succession finaliza com uma quarta temporada que alcança os pontos altos da segunda, e então os extravasa. Seja na perfeição de um episódio como Connor`s Wedding quanto a construção do arco narrativo que desemboca no devastador All The Bells Say, talvez a series finale mais emblemática desse lado de The Leftovers.

Succession sempre foi de difícil classificação. É uma série sobre seres humanos horríveis que, mesmo assim, nos força a ter empatia por suas dores (é o que nos diferencia deles, afinal de contas). É, também, uma comédia de erros, em que herdeiros se provam incapazes de navegar nos absurdos capitalistas que seu pai ajudou a fundar. É uma típica novela das oito, mas também é uma tragédia de como inescapável e destruidor pode ser o legado de nossas famílias em nós mesmos. É tudo isso, e é também uma baita duma série que me faz passar a vergonha alheia mais dolorosa, semanalmente. Vai fazer muita falta.

E também:

  • Alguém em Algum Lugar (2ª temporada, HBO). Já faz muito tempo que meu subgênero favorito da TV são as tragicomédias de meia-hora da HBO (Looking, Togetherness, Betty). Alguém em Algum Lugar talvez seja a melhor delas, e a sua segunda temporada aperfeiçoou os acertos da temporada anterior, expandindo a série em intensidade, e não em escopo. Uma série sobre procurar, encontrar e construir uma comunidade ao redor de si, é um deleite e uma preciosidade, sempre carismática e melancólica (e, quase sempre, as duas ao mesmo tempo).
  • Barry (4ª temporada, HBO). Por toda a sua trajetória na TV, Barry tem sido um joia oculta na programação. É uma comédia, mas não é engraçada. Na maior parte de suas duas últimas temporadas, é até muito depressiva. Mas é única e, se o experimento nem sempre funcionou (principalmente na terceira temporada), ainda assim entregou os episódios mais interessantes dos últimos anos. Unindo o cômico e o doloroso, Barry nunca perdeu o coração humano de seus personagens de vista. Não oferece nenhuma resposta fácil para os dilemas morais de um assassino arrependido, uma atriz arrependida, e um pai arrependido. Mas termina seus arcos com aquela precisão cirúrgica entre absurdo e humanismo em que Barry sempre encontrou algo de muito real.
  • Mrs. Davis (1ª temporada, seu torrent favorito). Que saudade que eu tava das séries de Damon Lindelof (The Leftovers, Watchmen). A estranheza perfeita. A construção de significados cumulativos através do tempo. O drama absurdo. O manejo entre a tragédia e a comédia. Não existem séries iguais às dele. Mrs. Davis, curtinha (vai ser uma antologia daqui pra frente), hilária e emocionalmente dilacerante em igual medida, faz as nossas perguntas difíceis que todo o mundo está com medo de fazer sobre IA. E as faz sem medo de olhar ao redor das respostas, e de questionar aquele belo e se que Lindelof sabe tão bem fazer. Aposta mais alto, e daí aposta mais alto ainda.
  • O Urso (2ª temporada, Star+). Das séries que parecem um milagre por existirem, O Urso mistura a comédia de espaço de trabalho com a tragédia da vida mundana. Todos os seus episódios beiram a perfeição (e Fishes e Forks a encontram), então é uma série boa de recomendar por momentos específicos. Para mim, porém, O Urso brilha pela construção, as vezes quase imperceptível, dos seus personagens. É uma série como as poucas que sabem construir e nutrir significado através do tempo. Seja com um talher, com um prato ou um jogo de olhares. O segredo de uma série que vai longe. Eu aceito, no mínimo, oito temporadas.

Me emociona toda a vez ler o relato sobre a morte da sumaúma. Um apelo à natureza, mas uma lembrança da nossa humanidade, capaz de velar a morte, mesmo daqueles tão diferentes de nós. Eu linkei pra esse texto no início do ano aqui no blog, e eu ainda paro para relê-lo de tempos em tempos.

Também me fez conhecer o site em si, SUMAÚMA, que se transformou em um dos meus feeds favoritos no meu RSS.

E também:

  • Aftermath. Meus escritores favoritos sobre jogos debandaram um a um, o Kotaku nos últimos anos. Foi difícil de acompanhar o trabalho deles desde então, em cadernos de jornais que foram terminados logo depois, ou em sites questionáveis. Um pouco disso porque textos sobre jogos ainda tem muito de publicidade, e o trabalho desse pessoal é questionador e difícil. Outro, porque jornalismo de jogos não é levado a sério, e publicações desistem logo que veem que a comunidade ao redor, geralmente avessa às críticas, tende ao violento. Aftermath segue o exemplo de Defector, e cria algo uma comunidade, sem publicidade, voltado para seus assinantes, e já tem alguns dos melhores textos desde o tempo deles no Kotaku. É bom ter eles de volta.
  • Everything is Alive Presents: The Animals. Pensando seriamente em tornar Everything is Alive um hors-concurs nessa categoria, porque todo o ano eles entregam um dos meus podcasts favoritos. Esse ano, um spin-off entrevista alguns animais sobre suas vidas, e o charme e deleite em encontrar humanidade em tudo continua. Curtinho, delicado e mágico, como sempre.
  • Radio Garden. Minha dificuldade de listar cinco músicas que me marcaram esse ano se deve ao Radio Garden, meu principal meio de ouvir música desde que eu o descobri: eu sintonizo em uma estação de rádio aleatória no mundo (eu ando gostando muito das rádios romenas, por algum motivo?), e fico ouvindo absurdos. Músicas que eu nunca vou ouvir de novo, comentários em idiomas que eu não entendo. Como a Wikipédia, o Radio Garden deixa o mundo grande.
  • The Retrievals. Desde a terceira temporada de Serial, a equipe de produtores e escritores vem trabalhando em minisséries que seguem a mesma linha do podcast-fenômeno: uma história, contada com maestria em vários episódios. Esse método produziu alguns dos melhores podcasts dos últimos anos, como S-Town e We Were Three. The Retrievals talvez seja o melhor até aqui, e o meu podcast favorito no ano. O caso de um crime médico em uma clínica de fertilidade nos EUA é surreal, mas em cinco episódios, The Retrievals torna a dor e a injustiça palpáveis.

É isso! Muito obrigado por esse décimo ano acompanhando esse espacinho na internet. Muito obrigado, especialmente, ao meu amigo Raul, que fez a ilustração de capa do post (e o sanduíche que você vê em todas as páginas desse blog).

Feliz 2024, nos vemos lá!

Ela

Scott Tobias, The Dissolve:

“Dramatizing one man’s love affair with a computer is only slightly less absurd than imagining a portal into John Malkovich’s head, but at a certain point, the whimsy gives way to raw desire and hurt. It’s a deft kind of magic.”

“Call it narcissism, but everyone seeks a partner who understands and appreciates them, and it’s only human that Theodore would fall for an entity that reflects his best image of himself.”

“If there’s a measure of hope to Her, it’s in the thought that we’re capable of learning lessons and evolving—maybe not as fast as Samantha, with her seemingly infinite processing power, but enough to understand ourselves and other human beings better the next time around.”

“There’s comedy in asking a computer how it feels, but the answer feels important, because Samantha has become every bit as real to the audience as she is to Theodore. Her is a reminder of how much love is a melding of psyches, and how the memories it produces can judder and lose resolution once it’s over. Whether it can transcend the body is another question, but the film’s stunning final shot implies an answer.”

História de amor

Postado por Humans of New York:

“Mom died on the first day of school. She’d been really sick that entire summer. And she passed away on a Monday. At 7 AM. Almost exactly the time I’d be leaving for school. I don’t think I fully grasped how traumatic it was for me. I was there when she took her last breath. I comforted my little sister while she said goodbye. And the next week I had to start classes at a brand new school. I was a junior at the time. All the teachers knew what happened. And they had told all the students, so everyone was pitying me when I showed up. I met Alex that very first day. We were in choir together. We became friends almost immediately, but we didn’t start dating until we were both cast as leads in Seussical The Musical. We became more serious during college, and we ended up getting married right after graduation. I felt so sad that my mom couldn’t see any of it. Every time a big event would happen, it would be like-she’s not here. And she’s never going to be here. I was a moody, shitty teenager when she died. And I’m having this whole life where I become the person I’m supposed to be, and she doesn’t get to see any of it. She’s not going to see me graduate. She’s not going to meet my children. And it especially sucks that she’ll never get to meet Alex. We lit a lantern at our wedding to signify that my mom was still with us. It was a beautiful ceremony, and afterwards we took our honeymoon in Hawaii. A few days into the trip, I received a call from my oldest friend Meredith. She sounded excited. She’d just discovered a picture of our childhood soccer team, and there was a boy who looked just like Alex. When I showed Alex the photo, he confirmed that it was him-he’d played goalie on that team. I just started laughing. It was such a God moment. It was a moment when everything felt connected. Alex and I had known each other as children, back when my mom was still alive. The first thing I did was call my dad. I asked him if he remembered anything about the Swan’s Dermatology Soccer Team. ‘I remember the goalie, he replied. ‘During the games he’d always sit down in the net and play with the dirt. And your mother thought it was hilarious!”

Via dontliveinthefuture

Sobre “blogar”

Algumas leituras dessa madrugada foram sobre o ato de escrever em um blog.

Whiona, wiwi blog:

I want to write more frequently about anything and everything, because it’s good for you, and I have so many thoughts constantly assailing this brain of mine

Tim Larew, Complex:

Sometimes it feels like we’ve traded drawn-out storytelling for fleeting moments where the audience bounces from one to the next
[…] The blog era represented freedom and opportunity.

There was no central hub, like a Spotify today, where all the playlists and means of discovering music are organized neatly within the platform. You had to search, to dig! Even when you grabbed a song directly from an artist’s social media, you almost always wanted to know more because context was the norm. So you’d go to your favorite blog, which is what everyone did the night “Acid Rain” surfaced out of nowhere, and you’d get the full story.

I, however, miss going to Blockbuster because it forced me to actively discover, to take in more elements of the art beyond just the film file. Did the cover catch my eye? How about the description on the back? Did it rope me in? Was the film I wanted not in stock, forcing me to search for something new?

A perfeição de Zodíaco

Emily St. James, Episodes:

The comfort in Zodiac is the comfort of doomerism, the idea that we are completely fucked, and it’s better to just admit it. The only people who matter are the monsters in the shadows who’ve broken the world and the people sitting right in front of you, who might be able to help you shine what meager light you possess into those shadows.

[…]

The kind of light dehumanization that peppers the edges of Zodiac’s frames is something we all practice from time to time. When you are engaged in a really intense conversation in a restaurant, the server might become an abstraction to you. You’re aware they’re there, but you’re also really locked in on what you and your friend are chatting about. This filtering of the world is normal, even healthy. Our brains have to shut out some information to make sense of what’s important to us in that moment.

Yet watch Zodiac again with an eye toward how Fincher utilizes this technique. The longer the movie goes on, the more other people only seem to exist as disconnected blobs in the background somewhere. The second you start to really look at them, you might start to think they mean to do something horrible to you. So you learn not to see them, and the world becomes a collection of scary stories waiting to happen.

A internet como uma vizinhança

Algumas citações de leituras que fiz relacionado a amizade, sentido, e a internet como uma vizinhança:

Devin Kelly, Longreads:

What happens if what you once used to make sense of things no longer helps you make sense of things? What happens if the patterns and habits and metaphors we lean on do not serve us in the moments we need them? What happens if the stories we tell ourselves about our lives leave us lonely, wrestling with meaning? What then?

Craig Mod:

Well, I’ve been thinking about it my whole life. It’s difficult to remember a time where I didn’t feel alone or apart or “on my own.”

Aloneness sucks. It’s insidious and becomes habitual. It’s rapacious. It saps the spirit. It twists a peaceful dude all truculent and paranoid. It renders decision making oddly cumbersome. It’s more difficult to feel elevated as a human when swaddled in aloneness. Self-worth plummets as aloneness rises.

Aloneness is not just individual, of course. Entire communities can and do feel abandoned, alone, cut off from the world.

I was shocked by how easy it was for me to do this, to “do therapy.” Like I had been waiting my entire life for a patient, true listener. And here he was, a floating head on a screen.

I’ve found that the honesty I embody (“perform”) during those therapy sessions has spilled into the day to day. Honesty imbricated, a suit of honest. The proof is in life itself: I’ve had more emotionally resonant experiences of non-aloneness in the last five years than my entire life prior.

That’s the real joy of subverting aloneness — luxuriating in solitude. A wholly different, generative beast, apart from aloneness. Solitude is where you cash in on your non-aloneness savings. Retreating into solitude for the day in your backyard shed with no internet connection and a nice keyboard and laptop is one of the greatest feelings in the world, but only because you know you’re emerging at the end of it into a hug, a goofy animal bounding with nincompoop love, a curious kid, cooking dinner — something, anything, that will passively envelop you in non-aloneness, that will make you feel valuable.

I suspect I’ll be battling aloneness and depression for the rest of my life. But today, at 43, I’ve cobbled together my outré toolkit. And tomorrow today, when TOKIO TŌKYŌ TOKYO³ kicks off (the walking starts tomorrow, but the meditations on the walk begin tonight) I’ll be activating one of my most potent tools: days of walking strung together, using the body up, looking closely at the world, photographing, taking notes, greeting people with alacrity like some village idiot, thinking about what was, what is, and what could be in this strange, fleeting, often painful — but just as often breathtaking — world of ours.

Spencer Chang, spencer’s paradoxes:

I like newsletters that feel more like dispatches than editorialized posts.

The world manages to find a way to strike you with the most indescribable beauty when you need it most.

How do we make websites feel more like embodied objects? What does a website that can become well-worn or passed down feel like? How does a website become a living gathering space, one that evolves with the activity of its participants?

Spencer Chang e Kristoffer Tjalve, Syllabus:

we think, that our “internet” comprises the same 10 apps, some flooded with ads and spyware, others with people yelling about everything and nothing. We accept that the only way to get anything useful out of the internet is by trading our privacy for accounts and our self-expression for conformity. Everything is always somehow broken and when social spaces die, we believe that it is how it has always been and that nothing will ever be different.

The Internet is so much vaster than a single worldview. It is a sprawling galaxy of archipelagos, filled with more humanity and personal gestures than any man-made archive.

O Assassino é “sigma cinema”

Max Read:

The killer thinks of himself as having an unmatched clarity about his life and the world, but the movie mostly regards him as self-deluded. He botches his hits, he forms attachments, he misunderstands his own importance. Rather than being freed by his careful planning and elaborately articulated life philosophy, he’s trapped by his own paranoias and resentments.

“The killer as sigma male” is obviously not the only way to read this movie; as suggested in the footnotes you could see it as an personal story about a fastidious craftsman learning his own limits, or also a movie about how annoying work is, especially as a contractor. (To quote the killer’s favorite band: “this position I’ve held/It pays my way and it corrodes my soul.”)

But I like the sigma male reading because it reminds us that throughout his career Fincher has been in dialogue with the concerns of 4chan and the rest of Loser Internet

To be clear, I don’t think that Fincher is endorsing these ideas, specifically–except for goth gf–just that he’s interested in exploring them and the kinds of characters who believe them.What’s particularly interesting for such an internet-y set of ideas is that Fincher doesn’t really make movies “about” the internet–even The Social Network was a lot more about ambition, sociopathy, and freak loners than it was about “the internet,” per se. Instead, he made a body of work around a set of broad social (and gender) anxieties that have been particularly shaped by digital culture.

More to the point, it reminds us that the killer and his sociopathic boorishness live in the same tech-wrecked world as the rest of us.

What we get instead of “action,” it turns out, is a lot of travel and logistical work, which suggests that the funniest way to read the movie is “autobiographically”: it is, after all, roughly two hours of an meticulous and obsessive freak planning and executing a tightly scheduled multi-city production.

Agora

Eu adoro acordar e ir pra cozinha na primeira hora da manhã. A luz, ainda azulada, do início do dia ilumina o balcão com calma. A cidade não acordou totalmente, e o frio da noite ainda entra pela janela da cozinha.

Jezebel foi morta por publicitários

Jason Koebler e Emanuel Maiberg, 404 Media:

It is not an exaggeration to say that the largest companies in the world are colluding to put their thumb on the scales of what types of news is monetized, and which types of news is monetized at lower rates or not not monetized at all. The World Federation of Advertisers (WFA) is listed by the [World Economic Forum] as one of its “projects” and includes every major marketing agency, as well as brands like Nike, Merck, Nestle, Proctor and Gamble, TikTok, Disney, Walmart, Adidas, BP, Shell, Goldman Sachs, Electronic Arts, McDonalds, and more. It represents 90 percent of all advertising dollars spent in the entire world—$900 billion in spend per year.

Como minha navegação na internet mudou nesses últimos meses

Minha saída do Twitter há alguns meses mudou profundamente a forma como eu navego na internet. Por mais de uma década, o Twitter servia como a verdadeira página inicial da minha navegação. Era o que eu abria primeiro para descobrir links que meus amigos ou pessoas que eu seguia estavam compartilhando, e começava minha jornada diária na internet por aí.

Com minha saída, o efeito imediato foi parecer que a internet encolheu consideravelmente. Meu tempo na frente do navegador diminuiu (um efeito bom!) e nenhuma das outras redes que tentam substituir o que o Twitter criou (o Bluesky, o Mastodon, o Threads) conseguiu me cativar da mesma forma. A maior parte do conteúdo nesses feeds aponta para eles mesmos, quando minha experiência no Twitter era a oposta. Eu clicava em links para fora, que me ajudavam a explorar tópicos que eu tinha curiosidade, mas que não sabia muito sobre. Foi assim que eu li sobre astronomia e ecologia e arquitetura e linguística. Tópicos que eu adoro ler sobre, mas preciso que pessoas me guiem para eu conseguir me aventurar.

Eu tomei algumas ações para me ajudar a substituir o Twitter da minha rotina de navegação na internet. Primeiro, eu adicionei a capa da Wikipédia inglesa como a página inicial do meu navegador. Todo o dia, de manhã, quando eu abro o Safari, eu recebo um trecho do artigo em destaque, algumas notícias e algumas curiosidades. É ótimo para aflorar minha curiosidade.

Eu também incrementei meu leitor RSS com mais blogs, mesmo que os temas não sejam muito do meu interesse. Antes, eu usava meu leitor RSS como minha fonte central dos sites que eu visito diariamente (Defector, Kottke, Waxy, etc.), então eu só adicionava nele os feeds de sites que eu lia todos os posts. Eu decidi criar uma categoria de “descobertas”, com feeds de sites e blogs (como o Colossal e o Atlas Obscura) de sites que eu visito ocasionalmente.

Por último, e eu acho que a mudança mais significativa pra mim, foi começar a acessar o Kagi Small Web quase que diariamente. Ele funciona tipo o StumbleUpon lá no início da web 2.0: sempre que você acessa, uma página aleatória carrega, com um post de um blog ou um álbum de fotografias de um fotolog, ou algo assim.

A diferença entre o Kagi e o StumbleUpon é a curadoria. O StumbleUpon aceitava praticamente tudo, então tinha muita chance de você ficar recarregando a página frequentemente até se deparar com algo realmente interessante. Existe uma curadoria no Kagi que permite apenas sites pertencentes à “small web”, um conceito que significa algo como a internet feita por sites de pessoas ou pequenas comunidades (geralmente, centralizadas nesses próprios sites). Então eu vejo blogs de um cozinheiro, ou atualizações de uma comunidade de observadores de pássaros, ou isso (que eu não tenho ideia do que seja).

O mais bacana é perceber como o Twitter, ou o Instagram ou outras redes sociais, parecem dar uma impressão de que a internet é pequena, quando na verdade existem milhares dessas pequenas comunidades por aí, sem muito interesse em se conectar com outras. É a forma que eu navegava na internet antes do Twitter também: eu encontrava algum fórum de um assunto que me interessava, e acabava adentrando uma comunidade com suas próprias regras e gramática. O Kagi tem me ajudado muito ultimamente a perceber que, embora o Facebook tenha matado muitas dessas comunidades nessas últimas décadas, existem outras tantas que prevaleceram e, conforme a gente vai se distanciando da época da centralização das mídias sociais, outras estão surgindo de novo.

Eu acabo adicionando vários desses sites que descubro no Kagi em uma pastinha de favoritos na minha barra de favoritos. Não são sites que eu acesso todos os dias ou acompanho seus feeds, mas que de vez em quando, enquanto eu dou uma pausa do trabalho ou procuro algo pra ler depois do almoço, eu gosto de sortear um deles para navegar em seus arquivos ou encontrar uma seção de comentários bacana. Faz um bem danado ler sobre coisas que eu não entendo, ou uma variedade de opiniões entre pessoas conversando (eu acho que quase toda a toxicidade da internet moveu pros comentários do Instagram e do YouTube, onde elas são mais impulsionadas) e trocando opiniões, ao invés de caçarem umas as outras. A “small web” é gigante e colorida e divertida, é como visitar uma feira do mercado de pulgas. Por que diabos existem pessoas interessadas nessa coisa extremamente específica? Porque existe beleza em todo o lugar.

As contradições no cerne de Assassinos da Lua de Flores

Soraya Roberts, no Defector:

The reason I keep thinking of that storm scene is because there seems to be a collective inability in our culture to sit in silence without saying something reflexively, particularly when that silence is pregnant with the kind of contradiction art is meant to produce. I know social media doesn’t exactly promote reticence or nuance of any kind, but this appears to be something more widespread. The compulsion to assess films, television series, music, books, anything, really, based on whether they are moral has leaked out of conservative enclaves into the mainstream. And just as equating the art with the artist has always struck me as a strange reduction, so too is equating the politics with the art

It’s hard to parse where this need for prescriptive morality comes from, particularly since prescription is the opposite of art’s intention. Art is intended to provoke questions, not provide answers. This new requirement for clear direction seems to have emerged not just from a culture which is in a constant panic over the prospect of being canceled—no matter how nebulous that threat is—but is also of a piece with the less abstract, more technical processing of art you find in fandom circles. These are places where explicit parameters must be set forth within which the audience then feels permitted to operate. This is an audience that needs rules, or else it doesn’t know how to react.

To read art is to be read by it. And the types who censor art are always the last to look in the mirror.

Como a Nintendo usa animação em seus jogos

Eu não fazia ideia que a Jenna Stoeber tinha sido demitida da Polygon. Ela fazia meus vídeos favoritos do canal (pelo menos, aqueles que não eram os vídeos do BDG). Fico feliz que ela tenha continuado a produzir vídeos no YouTube.

Esse sobre as animações nos jogos da Nintendo é muito bom. Gosto de quando ela comenta que Animal Crossing é desenvolvido para que o tempo passe no jogo. Eu adoro também como nada no jogo é resolvido em menus, mas em diálogos. Quer visitar uma ilha? Tem que falar com o Willbur. Precisa editar o hino da cidade? Tem que falar com a Isabelle. Isso dá muita personalidade pro jogo e pra forma que você interage com ele.

David Byrne sobre Jonathan Demme e Stop Making Sense

Jill Krajewski, para a Vulture:

“I realized that he was looking at it as an ensemble film,” said Byrne of the late director. “You have a bunch of actors, you get to know each character one by one, and then you watch how they all interact with one another. I thought, I’m in my own world, but he saw what was going on there.”

Amor

Perdido no meio de A Balada do Café Triste tem uma dissertação sobre o amor:

Antes de mais nada, o amor é uma experiência conjunta entre duas pessoas, mas o fato de ser uma experiência conjunta não significa que seja uma experiência semelhante para as duas pessoas envolvidas. Há o amante e o amado, e cada um vem de mundos diferentes. Muitas vezes, o amado é apenas um estímulo para todo amor que, até então, permaneceu guardado no amante. E, de alguma forma, todo amante sabe disso. Ele sente em sua alma que o amor é uma coisa solitária. Ele aprende a conhecer uma nova e estranha solidão, e é este conhecimento que o faz sofrer. Portanto, há somente uma coisa que o amante pode fazer. Ele deve abrigar o seu amor dentro de si, da melhor maneira que conseguir; deve criar para si mesmo um mundo interior totalmente novo, um mundo intenso e estranho, completo em si mesmo. É preciso acrescentar que este amante do qual falamos não precisa necessariamente ser um jovem que economiza para comprar um anel de noivado; este amante pode ser homem, mulher, criança, ou qualquer criatura humana nesta terra.

O ser que é amado também deve ser descrito. As pessoas mais inesperadas podem servir de estímulo para o amor. Um homem pode tornar-se um velho caduco e continuar amando somente uma estranha garota que certa tarde viu nas ruas de Cheehaw, duas décadas antes. Um pastor pode amar uma mulher perdida. O ser amado pode ser trapaceiro, estúpido e cheio de maus hábitos. Sim, e o amante verá seus defeitos tão claramente quanto qualquer outra pessoa. Mas isso não afeta a evolução do seu amor. A mais medíocre das pessoas pode ser objeto de um amor selvagem, extravagante e belo como os lírios envenenados do pântano. Um homem bom pode ser o estímulo para um amor violento e degradado, ou um louco furioso pode fazer nascer na alma de alguém um carinho terno e simples. Portanto, o valor e a qualidade de qualquer amor só podem ser determinados pelo próprio amante.

Por essa razão, a maioria de nós prefere amar a ser amada. Quase todas as pessoas querem ser amantes. E a dura verdade é que, secretamente, a condição de ser amado é insuportável para muitos. O amado teme e odeia o amante, e com toda a razão. O amante necessita desesperadamente da relação com o amado, mesmo que essa experiência não lhe cause senão sofrimento.

— Carson McCullers.

Agora

Eu não sei se eu vou voltar a ter uma Rede Social Para Mim, como o Twitter foi há mais de uma década. Não parece ser algo que faz sentido na minha vida nesse momento… ter uma presença web daquela forma e tal. Mas eu tô curtindo demais brincar no Tumblr ultimamente. Eu não conheço quase ninguém aqui, e isso é um pouco libertador, eu acho. Eu converso com pessoas que eu não conheço, eu leio textos e vejo fotos de coisas que eu não sei o que são, e assim vou explorando um mundinho novo. E as vezes eu mesmo coloco aqui meus interesses estranhos. Sem muito contexto, sem muita ordem, é mais algo no “fluxo do pensamento”, como o Twitter parecia ser no início. Tá sendo divertido.

Agora

Eu tava procurando um livro aqui na minha estante. Acabei encontrando um desenho que uma amiga minha, que eu não vejo há mais de uma década, fez pra mim.

Atrás do desenho tinha uma dedicatória, “Da Bibi pro Atum”. Ela foi a única pessoa a me apelidar de “atum”. Eu esqueci completamente que, um dia, alguém já me chamou assim.

Foi estranho de lembrar da Bibi e do apelido e daquele tempo que essa amizade durou. A gente perdeu o contato. As redes sociais e os mensageiros instantâneos que a gente usava pra se comunicar deixaram de existir nesse meio tempo. O desenho ficou.

Como voltar a ler

Alissa Wilkinson, Vox:

I always have a book next to wherever I put my phone,” Escoto tells me. “So if I have the urge to check my phone for another useless doomscrolling session, I physically can see the book there. Nine times out of 10, I will choose the book, because I know what’s in store for me if I get on my phone.

Some studies have suggested that reading fiction can increase empathy. But a perhaps even more surprising finding comes from researchers who discovered a short-term decrease in the need for “cognitive closure” in the minds of readers of fiction. In brief, the researchers write, those with a high need for cognitive closure “need to reach a quick conclusion in decision-making and an aversion to ambiguity and confusion,” and thus, when confronted with confusing circumstances, tend to seize on fast explanations and hang on to them. That generally means they’re more susceptible to things like conspiracy theories and poor information, and they become less rational in their thinking. Reading fiction, though, studies have found, tends to retrain the brain to stay open, comfortable with ambiguity, and able to sort through information more carefully.

You’ll never become a reader by wishing you read more, listening exclusively to podcasts, or sitting next to a book while you scroll Instagram. (Even buying books doesn’t make you a reader, as I have, unfortunately, found out.)

Eles não nos querem e nós não precisamos deles

David Roth, Defector:

The vague but ominous disruption promised by artificial intelligence fogs this process, justifying where it needs to justify and serving as a sort of jeering threat everywhere else; that this AI doesn’t yet really do anything well, and has the unfortunate habit of eating its own excrement until it goes insane, has not really damped this cohort’s enthusiasm for it. Which fits, because that appeal is more ideological and aspirational than practical. What all of these businesses—creative industries, social media platforms, online commerce—have in common is that they need people. They need people to make them, and they need other people to pay attention to them. The super-class that sits atop all this, gloating, does not like that very much.